31 de dezembro de 2012

Uma Questão de Pedigree


O universo do filme Lady and the Tramp é uma cidade (muito parecida a Marceline – onde Walt Disney cresceu) no início do séc. XX; uma cidadezinha idílica no coração da América.

Lady and the Tramp era um filme original – não era um conto de fadas, não era um clássico literário –teve origem na história criada por Joe Grant e por Ward Greene – que escrevera um artigo na revista literária Cosmopolitan. Foi desses dois autores que surgiu o filme que conhecemos hoje como A Dama e o Vagabundo.

Uma história de amor entre dois cães de raças diferentes e de zonas diferentes da cidade ou uma metáfora criada para falar de assuntos sérios como o sentimento de abandono, amores proibidos, eutanásia, o que significa ser cão e o que significa ser humano?

Na minha opinião, A Dama e o Vagabundo é um dos filmes mais inteligentes, subtis e "adultos" jamais feitos por Walt Disney. Não foi feito para crianças e os temas sérios que aborda passam ao lado da pequenada, mas nem por isso deixa de ser agradável de se ver quando se é petiz. Há uma inocência e um optimismo naquele filme que é impossível de negar – tanto na história como nas personagens. A Dama é o epíteto de lealdade aos donos, apesar de, por vezes, se sentir negligenciada por eles; o Vagabundo tem aquilo a que se poderia chamar uma existência miserável (tendo que dormir ao relento e pedir para comer uns ossitos) mas não se incomoda com isso; o cão deleita-se na sua vida livre e sem o peso de uma coleira ao pescoço. Para alguns, a sua filosofia de vida pode parecer cínica, mas eu nunca vi o Vagabundo como o típico machão americano individualista e que tem medo de assumir compromissos. Sempre o vi como alguém que aproveitava o que a vida tinha de melhor – passeando por toda a cidade como se fosse dono dela!

É um filme leve sem ser leviano e é sério sem ser maçudo. É o filme mais genuinamente romântico que a Walt Disney já produziu, onde a animação é perfeitamente executada pelos famosos "Nine Old Men" (os principais animadores – escolhidos a dedo por Walt Disney).

Um dos animadores (Milt Kahl) era o principal responsável pelas cenas do Vagabundo. Uma das cenas que ele animou que mais me ficou na memória foi aquela cena em que encontramos o herói canino pela primeira vez.

Disclaimer: Written for love, not for profit. "Lady and the Tramp" does not legally belong to me. It belongs to: Walt Disney Productions who produced it and to Buena Vista Film Distribution Company, who aired it. 




   Far away from the rich part of town, a dog was sound asleep in a barrel next to an old railway. He was awaken by the train whistle. His eyelids fluttered open, languidly enough, but he was soon on his feet after a quick yawn. He stretched himself thoroughly, feeling the bones popping from his adventures of the previous night. He drank some water from a nearby puddle, took a quick shower and he was ready to face the world. He let the fresh air of dawn greet him. “Ah, what a day! Well, now to dig up some breakfast,” he said, taking off. He scouted the streets, alone, knowing that most humans were still in their houses. A trio of puppies behind a glass caught his attention. “Oh. Humm. Cute little rascals.” One of the puppies tried to play with him, ending up licking the glass, warming the big dog’s heart. “Coochie, coochie, coochie coo!” Then, he continued on his journey. “Now that breakfast. Let’s see. Bernie's? Hmm? No. Francois? No, no nope. Too much starch. Ah Tony’s. That’’s it. Haven’t been there in a week.” The food at that restaurant was very tasty and his stomach was growling by now. He walked by, closer to the kitchen, to let the humans know he was there. One came to greet him, happy to see him. “Well buon giorno, Butch. You want your breakfast, eh? Okay. The boss, he’s a-saved some a-nice bones for you.” The dog moved away from the entrance and waited. “Breakfast a coming up from a left-field.” The human said. The big dog caught the bone in mid-air. “Ha-ha, good catch!” His two-legged friend chuckled. 

30 de dezembro de 2012

Ensaios Filosóficos de Pessoa

Capa de Istvan Orosz


Editada por Nuno Ribeiro, esta nova obra académica apresenta os ensaios filosóficos escritos por Pessoa em Inglês.

A obra consiste em fragmentos escritos por os primeiros heterónimos do escritor, tais como Charles Robert Anon and Alexander Search, e constituem a fundação da filosófica da heteronímia Pessoana.
Uma das inúmeras facetas deste brilhante poeta português.

Aqui estão informações sobre onde comprar o livro.



29 de dezembro de 2012

Peanuts em E-books

As duas empresas Graphicly e Peanuts Worldwide vão lançar mais de 60 títulos da banda desenhada de Charles M. Schulz em plataformas de e-books. 

Welcome to the digital age, Charlie Brown!

22 de dezembro de 2012

No Topo do Mundo


Em breve, será possível "passear" pelo topo do Monte Evereste a partir do conforto do lar.

Graças ao projecto GlacierWorks, que está a ser desenvolvido por David Breashears e uma equipa dedicada a tirar mais de 400 fotografias captadas com uma lente fotográfica de 300 milímetros, vai ser possível visitar várias zonas dos Himalaias.

Por enquanto, temos um esboço, mas o autor quer adicionar audio e vídeo ao passeio interactivo.

Este é um projecto muito interessante para seguir!

20 de dezembro de 2012

O primeiro de muitos

Todos os livros nos marcam, mas só alguns livros nos marcam mais do que uma vez. E dessa lista (que ainda pode ter um tamanho significativo) apenas um é responsável pela nossa entrada no mundo dos livros. E esse é, sem dúvida alguma, o livro que nos arranca um sorriso de cada vez que olhamos para a sua capa.

Os primeiros livros que li por minha conta (que não me leram a mim), foram os livros d' Os Cinco, de Enid Blyton.


Pode parecer estranho mas, apesar de já ter lido alguns gigantes literários como Shakespeare, Dickens, Melville e Twain, nenhum desses livros provoca em mim o mesmo sentimento de total espanto e de sofreguidão pelas histórias, pelas personagens e pelas palavras, as primeiras que lia. 

Foi o meu passaporte para o mundo maravilhoso no qual entrei com esperança e sem medo e do qual não quero sair jamais!

18 de dezembro de 2012

Done by 'His' Book

Acometida por uma nostalgia aguda, relembro aqui uma das melhores séries (ou mesmo a melhor?) que a televisão americana nos trouxe!

Pode parecer estranho porque, afinal, a série não acabou assim há tanto tempo... Mas, para quem passou oito anos da sua vida a ligar semanalmente a televisão para ver esta série, alguns meses parecem séculos!

Mais tempo ainda se passou desde que a série estreou em 2004... Mas, ainda me lembro perfeitamente do primeiro episódio que vi!...

A cena que apresenta o elenco, em toda a sua glória, é uma das minhas preferidas. Se me pedissem para resumir a premissa do "House M.D.", apresentando uma cena, eu apresentaria esta.


Disclaimer: Written for love, not for profit. "House M.D." does not legally belong to me. It belongs to: David Shore who created it, Heel & Toe Films, Shore Z Productions, Bad Hat Harry Productions, Moratim Produktions, NBC Universal Television, Universal Media Studios who produced it and to Fox Network, who aired it. 

Images taken from Google search.


Doctor House and his staff looked at an MRI of her head. After spending some time in silence observing the MRI, Eric Foreman grew tired of seeing nothing and broke the silence: “It's a lesion.” The coarseness and lack of enthusiasm of that diagnosis annoyed the department head. “And the big green thing in the middle of the bigger blue thing on a map is an island. I was hoping for something a bit more creative-” “Shouldn't we be speaking to the patient before we start diagnosing?” asked Dr.  Foreman with a raised eyebrow. Using the same expression, House asked: “Is she a doctor?” “No, but...” “Everybody lies.” House replied with an unflappable determination. Dr. Foreman was stunned, unlike the other two doctors. “Dr. House doesn't like dealing with patients.” Dr. Allison Cameron murmured to her new colleague. “Isn't treating patients why we became doctors?” Dr. Foreman asked in the same tone. “No, treating illnesses is why we became doctors, treating patients is what makes most doctors miserable.” Dr. House clarified. “So you're trying to eliminate the humanity from the practice of medicine.” Dr. Foreman said, astonished. His boss simply shrugged and replied in the same placid tone: “If you don't talk to them they can't lie to us, and we can't lie to them... Humanity is overrated.” Dr. Cameron couldn’t get used to her boss’s view of mankind, no matter how many times she heard those kinds of sentences. ”I don't think it's a tumor.” House added. “First year of medical school if you hear hoof beats you think "horses" not "zebras".” said Dr. Foreman looking at his colleagues. An unimpressed House looked back at him and said: “Are you in first year of medical school? No. First of all, there's nothing on the CAT scan. Second of all, if this is a horse then the kindly family doctor in Trenton makes the obvious diagnosis and it never gets near this office. Differential diagnosis, people: if it's not a tumor what are the suspects? Why couldn't she talk?” “Aneurysm, stroke, or some other ischemic syndrome?” Dr. Chase ventured, knowing it was impossible to guess at first try. ”Get her a contrast MRI.” House ordered. “Creutzfeld-Jakob disease?” Dr. Cameron asked, unsure of herself. “Mad cow?” Dr. Chase said, impressed. “Mad zebra.” House replied. Dr. Foreman tried again. “Wernickie's encephalopathy?” “No, blood thiamine level was normal.” House was now beginning to have serious doubts whether his new doctor was really cut-out for the job. “Lab in Trenton could have screwed up the blood test. I assume it's a corollary if people lie, that people screw up.” The boy held promise, no doubt. House nodded with a very slight smile. “Re-draw the blood tests. And get her scheduled for that contrast MRI ASAP. Let's find out what kind of zebra we're dealing with here.” 



17 de dezembro de 2012

Beethoven tocado por robôs minúsculos

Investigadores do Georgia Institute of Technology desenvolveram robôs que "trabalham em equipa" para tocar a "Bagatela No. 25 in Lá menor", mais conhecida como "Para Elisa" (Für Elise).



Quando passam 242 anos do nascimento do mais brilhante compositor que o mundo alguma vez viu, a tecnologia prova que a sua música continua a inspirar a imaginação dos seus ouvintes de formas inesperadas.




Parabéns, Maestro!

14 de dezembro de 2012

“I need to know the truth"

Uma das cenas que é eleita uma e outra vez pelos seus fãs como uma das melhores, é a cena em que o Max e a Liz conversam na escola, após o confronto de Liz com o Xerife.

É, sem dúvida, um momento muito confuso da (nova) relação que se começou a desenvolver entre eles, em que ainda há muitas dúvidas no ar e muitas explicações por dar.

Apesar do ambiente naquela sala de expressão plástica estar impregnado de tensão, a forma como eles falam um com o outro, através da pureza cristalina de sentimentos ali demonstrada, torne aquela cena tão especial para os "Dreamers".

Disclaimer: Written for love, not for profit. The characters do not legally belong to me. They belong to: Melinda Metz and Laura Burns who created them, Jason Katims who developed them, 20th Century Fox Television and Regency Television who produced them and the WB and UPN who broadcasted them.
Images taken from Google search.


     Meanwhile, Liz found Max in his Gym class. The look in her eyes was all it took for Max to know there was trouble ahead. He followed her in silence, wondering why she was walking so fast. With her back on him the whole way, Max couldn’t tell if Liz was angry or scared. He sensed something bad, something very bad had happened to her. As soon as they got to the art room, Liz turned unexpectedly. “I need to know the truth Max. I need to know everything. Or I'll – I'm just gonna go to Valenti and I'm gonna tell him everything I know.” She’s definitely scared, Max thought, trying to think of a way to help her. It would mortify him if Liz was scared of him. “Okay.” He said in the most serene tone he could phantom. “Okay.” Liz echoed, taken aback by his calmness. She took a piece of paper from her coat pocket and Max couldn’t stop himself from smiling. Liz had made a list! Liz always made lists when she was searching for answers or when she was gathering hypothesis to form a theory. “All right. Here we go. Where did you come from?” “I don't know. When the ship crashed I wasn't born yet.” Max said, in the same calm tone. “So there was a crash?” Wouldn’t he like to know... “All I know is it wasn't a weather balloon that fell that night,” he said, more assertively. Liz was prepared for that answer. She did the math again, quickly, in her mind. “The ship crashed in 1947. Your 16...” Max knew the numbers would never add up. He had done the same math many times in his head, along with Isabel and Michael, but they never reached any satisfying conclusion. “We were in some kind of incubation pods.” “We?” She was prepared for that too, or so she thought... Her head spun faster. “Isabel and Michael are also...uh...” She took a deep breath, although oxygen felt elusive. “Okay, well, that, answers, um, that question,” she babbled, while she waited for her power of speech to come back to her. 

“Um, what powers do you have?” “We can connect with people, as uh, you know,” he started, torn between how self-conscious he had felt when he had let her reverse the connection and how excited he was that she was still there, asking him questions, instead of running away from him in terror. He wondered what she had seen. He wondered if she knew how he felt about her... “We can manipulate molecular structures, and... we can...” He added. “Wait, what does that mean?” Max searched for a way to show her. He saw a clay sculpture and used his powers to change its molecular structure. Liz saw Max wave his hand over the sculpture and, just like that, the clay faced turned into nothing. He waved back and the face reformed. She saw it, but she couldn’t quite make herself believe it. “That's, uh, that's how I healed you,” he explained. “Max, who else knows this?” “No one.” “What about your parents?” “We don't tell anyone. We sorta think our lives depend on it.” “So when you healed me you risked all of this getting out didn't you?” Liz asked, wondering why he had trusted her to keep this secret. It dawned on her that her life was in no way more important than the lives of three people – three very special people that if certain government agencies got their hands on... “Yea,” Max said, interrupting her train of thought. “Why?” She wanted a rational explanation, one he couldn’t possibly give, because he couldn’t explain to himself exactly what he felt for Liz. “It was you,” he said, simply. Max didn’t regret what he had done. Yes, he had broken a pact, but he had done the right thing! Liz couldn’t stop thinking about what she had felt when Max reverted the connection in the Crashdown... She smiled, lost in her memories, certain that Valenti was wrong.


WE WANTTO BELIEVE!

Depois do Fim do Mundo

Quer o mundo acabe em 21 de Dezembro de 2012 ou não, há definitivamente coisas que têm de mudar na sociedade humana, se queremos continuar a viver neste planeta sem estarmos atolados em analgésicos nem a matarmo-nos uns aos outros por "dá cá aquele barril de petróleo" ou "dá cá aquele garrafão de água".

Sabemos que as sociedades nórdicas têm um estilo de vida muito melhor do que o nosso e, no entanto, a taxa de suicídio é enorme para quem (aparentemente) não tem do que se queixar.

Como seria, então, um mundo radicalmente diferente daquele em que vivemos hoje?

Sempre me interroguei como seria o mundo depois do "fim do mundo". Como seria essa nova era? Como seria recomeçar do zero e viver num mundo onde o dinheiro não escravizasse o coração do Homem?

Talvez nessa altura, o Mercado do Tempo (ou Banco do Tempo) pudesse reinar indisputavelmente e aproximar as pessoas umas das outras, inspirando nelas sentimentos mais humanos...

13 de dezembro de 2012

Trechos do Desassossego

Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também.


Pedi tão pouco à vida e esse mesmo pouco a vida me negou [...] como quem nega a esmola não por falta de boa alma, mas para não ter que desabotoar o casaco.



Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como sempre serei. [...] Vivo mais porque vivo maior.



[...] Vejo-me no meio de um deserto imenso. Digo do que ontem literariamente fui, procuro explicar a mim próprio como cheguei aqui.



Deus é o existirmos e isto não ser tudo.




Bernardo Soares – Livro do Desassossego



The bigger picture


If what shone afar so grand,
Turn no nothing in thy hand,
On again; the virtue lies
In the struggle, not the prize.

– R. M. Milnes

11 de dezembro de 2012

The Golden Key

De que vale oferecer a chave do coração se o convidado escolhe ficar à porta? O que se ganha se a chave não rodar na fechadura?

Esta troca de chaves é diária, constante, frenética. Em tempos idos, oferecer a chave era uma acção preciosa e quem a tinha na mão, tinha orgulho em tê-la. Mas, neste mundo de cliques, todos têm chave (quer o saibam ou não) e escolhem não entrar. Olham desesperados pelo buraco da fechadura, sem nunca sentirem o peso da oportunidade única que têm nas mãos.

Porque será?

Será porque acham que o peso é maior que a recompensa? Será porque idealizam algo que não existe – a partir dos vultos que vislumbram através da fechadura – e se dão por satisfeitos com as suas ilusões? 

Outros há que se sentam teimosamente à porta, ou que forçam a fechadura com galhos e pedras, e se esquecem, no seu movimento desassossegado, que sempre tiveram tudo o que precisavam para entrar.

Talvez nada disto importe porque, no final, nenhum dos dois grupos quer tomar o peso da chave nos seus ombros. Talvez seja por isso que a ignoram; talvez seja por isso que idealizem uma realidade com que se possam consolar, uma intimidade falsa, de plástico, virtual, realizada num punhado de caracteres. 

A chave pesa, sei-o bem, mas mais penoso é o peso de não ter chave que nos pese.

6 de dezembro de 2012

O que é um minuto para o Universo?

O Big Bang, a formação do nosso sistema solar, o aparecimento de vida na Terra... são eventos que não pudemos testemunhar, nem ninguém poderia assistir numa só vida...

Mas, se nos fosse possível, seria extraordinário, não?

Eis aqui uma pequena amostra:


Histórias para além das histórias

Para todos os amantes de livros há um motor de busca especializado em ligar os pontos entre as diferentes obras literárias.

Um portal fascinante que vale a pena explorar!

https://www.smalldemons.com/


29 de novembro de 2012

Felicidade

Happiness is not achieved by the conscious pursuit of happiness; 
it is generally the by-product of other activities. 

– Aldous Huxley

28 de novembro de 2012

Pegadas digitais

A pergunta que persegue todos os internautas é: as nossas informções são mesmo seguras?
As empresas garantem que sim mas, na realidade, todas elas usam os dados dos consumidores e vendem a outras empresas. Tudo com o nosso (suposto) consentimento.

Não, os nossos dados não estão seguros. Qualquer pessoa (que abre o e-mail e se depara com quantidades inadmissíveis de publicidade a que nunca subscreveu) percebe isso. 

Porque é que vivemos num mundo onde as pessoas privadas têm um crescente temor de não estarem ligadas ao Facebook, mas  onde se permite que as empresas e os Governos se mantenham anónimos e privados, (digo não transparentes) como deveriam ser perante os cidadãos trabalhadores a quem exploram constantemente?

Sim, todos têm o direito de comunicar uns com os outros através de variadas plataformas virtuais, mas também é verdade que as empresas que prestam estes 'serviços' são empresas de marketing, não de social networking que olham para os seus clientes de uma forma perturbadora. 

Há que perceber que se um cidadão comum utiliza um serviço pelo qual não paga (como um e-mail ou o Facebook), o preço desse serviço não é dinheiro, mas a intimidade do seu consumidor. Algo de muito errado se passa num mundo em que as pessoas privadas (e com direito à privacidade) se tornam os alvos das empresas que os vêem como os seus produtos.

Há razões de sobra para estarmos inquietos com estes desenvolvimentos... Muitos perguntar-se-ão: "E que tem isso de mal? Eles só sabem aquilo que nós queremos que eles saibam e não estamos a fazer nada de mal." Mas não é essa a questão. Trata-se sim de direitos fundamentais, como o direito à privacidade.

Ou será assim que queremos acabar!?



23 de novembro de 2012

A visão de um homem


    
Charles Howard ao volante do seu Buick.


     Os primeiros automóveis importados para São Francisco tinham tão pouca potência que raramente conseguiam subir as colinas. A inclinação da 19 Avenida era tão intimidante para os motores daquela época, que se tornou um passatempo local ver os automóveis a esforçarem-se por subir até ao topo. A estrutura delicada do automóvel e a sua pusilanimidade geral tornou-se uma fonte de escárnio. Uma caricatura da época mostrava um casal abastado, de pé, numa estrada, ao lado do seu querido veículo defunto. A legenda dizia "Ricos Ociosos". Os habitantes de São Francisco viram no automóvel um incómodo urbano e Charles Howard viu uma oportunidade. As oficinas de automóveis ainda não tinham sido criadas – e nem teria feito sentido, pois ninguém era insensato ao ponto de comprar um automóvel. Os proprietários não tinham onde ir quando os seus carros se avariavam. Um mecânico de bicicletas era o que de mais parecido com um mecânico de automóveis havia por perto e a oficina de Howard ficava convenientemente perto dos bairros dos ricos proprietários de automóveis. Pouco tempo depois de Howard chegar à cidade, os proprietários dos automóveis começaram a aparecer na sua oficina.
     Howard tinha um fraquinho por causas perdidas. Ele aceitava o desafio, remexia nos carros e descobria uma maneira de consertá-los. Não demorou muito até que ele começasse a assistir em corridas de automóveis primitivas, realizadas fora das cidades. Pouco tempo depois, ele participava nelas. A primeira corrida americana, com lugar em Evanston, Illinois, fora realizada apenas oito anos antes, com o carro vencedor cortando o vento à velocidade média vertiginosa de sete milhas e meia por hora. Em 1903, a potência automotora tinha melhorado muito – um carro fez uma média de 65,3 km/h numa corrida transeuropeia nessa temporada – o que tornava as corridas um bom espectáculo.  E taxas astronómicas de acidentes. A corrida europeia, por exemplo, transformou-se num derramamento de sangue de proporções tais que foi interrompida devido a “demasiadas mortes”. Howard começou a ver estas engenhocas como instrumentos da sua ambição. Audacioso, ele foi para Detroit e conseguiu ter uma reunião com Will Durant, chefe de “Buick Automobiles” e futuro fundador da “General Motors”. Howard disse a Durant que queria fazer parte da indústria, mesmo que ela não estivesse na sua melhor forma. Durant gostou do que viu e contratou-o para abrir concessionárias e recrutar revendedores. Howard regressou a São Francisco, inaugurou a Pioneer Motor Company em nome da Buick e contratou um cidadão local como gerente. Mas, durante uma visita de rotina, ele ficou desanimado ao descobrir que o gerente estava a concentrar os seus esforços em vender os importantes Thomas Flyers, em vez dos Buick. Howard voltou a Detroit e disse Durant que podia melhorar. Durant ficou convencido.  Howard regressou como responsável pela concessão dos Buick para São Francisco inteira. Corria o ano de 1905 e ele tinha apenas 28 anos de idade. 
    Howard regressou a San Francisco de comboio com três Buicks. Segundo alguns relatos, ele alojou os seus automóveis na sua antiga oficina, na Van Ness Avenue, antes de se mudar para um apartamento modesto em Golden Gate Avenue, a meio quarteirão da Van Ness. Ele trouxe a Fannie May para se juntar a ele. Com duas bocas para alimentar, e mais duas que se seguiriam, Fannie May deve ter ficado alarmada com a escolha de carreira do marido. Dois anos pouco tinham feito para apaziguar a hostilidade dos são franciscanos em relação aos automóveis. Howard não conseguiu vender um único carro. 
     
    Às 05:12 da manhã de 18 de abril de 1906, o solo sob São Francisco estremeceu numa convulsão titânica de magnitude 7,8. Em apenas 60 segundos, a cidade estremeceu até às fundações. Incêndios originaram entre os prédios em ruínas, que convergiram e se dirigiram até à concessionária de Howard, queimando quatro quarteirões por hora. Sem sistema de canalizações e sem sistema de esgotos, os incêndios avançaram sem ninguém para os travar. Os cavalos que puxavam as carruagens corriam pelas ruas, em pânico, partiam as pernas nos escombros e caíam, exaustos. A cidade puxada por cavalos precisava desesperadamente de veículos para os bombeiros e para socorrer os feridos, os 3.000 mortos e os 225.000 desalojados para longe do fogo. Os cidadãos em fuga ofereciam milhares de dólares por cavalos, mas não havia animais que lhes valessem. As pessoas improvisavam macas a partir de carrinhos de bebé e de troncos de árvore pregados a patins, puxando-os elas mesmas. Havia apenas uma opção de transporte. “De repente, apercebemo-nos que São Francisco era verdadeiramente uma cidade de distâncias magníficas”, escreveu uma testemunha. “Era chegada a hora dos automóveis conquistarem a cidade.” 
     Charles Howard, dono de três automóveis, (outrora impossíveis de vender) era agora o homem mais rico da cidade. Ele salvou os seus carros das chamas e transformou-os em ambulâncias. Segundo um relato, o próprio Howard serviu de motorista, conduzindo a grande velocidade até às ruínas para recolher as pessoas sem recursos e as levar rapidamente até aos navios de salvamento na baía.

Excerto do livro Seabiscuit – An American Legend de Laura Hillenbrand

13 de novembro de 2012

Documentário sobre Fernando Pessoa

Alguns documentários sobre o grande escritor:


Um episódio da série "Grandes Portugueses"



Um documentário produzido pela Globo



Um episódio da série "Grandes Livros"


Divirtam-se!



7 de novembro de 2012

"Oh Captain, my Captain..."





Aqui há dias, vi novamente o Dead Poets Society. É um daqueles filmes a que não resisto. Se passar por ele na televisão, fico a ver!


Não há aluno em escola alguma que não anseie em ter um professor como aquele. O sonho de todo o aluno por um professor como aquele não se prende tanto pela paixão pela vida e pelo Carpe Diem, tem mais a ver com a noção que tudo o que fazemos pode fazer a diferença nas vidas daqueles que nos rodeiam.


No meu percurso académico tive professores bons, professores maus, mas só tive dois professores que se assemelhassem ao John Keating – o professor de Filosofia do décimo ano e o professor de História da Língua Inglesa da faculdade.


O meu professor de Filosofia ensinou-nos que a vida é uma descoberta constante, uma aventura que vale a pena ser enfrentada sob pena de não descobrirmos a nossa verdade das coisas e nos ficarmos apenas pelas opiniões do resto do mundo.


O meu professor de História da Língua Inglesa foi inspirador para mim por outros motivos: além de ser um modelo vivo de respeito pelo outro, de rigor escrupuloso (em todas as facetas da vida), de paixão e dedicação absoluta ao seu trabalho e aos seus alunos, ensinou-me o truque para não ficarmos reféns dos nossos medos. 


Ah, se eu tivesse tido aquele professor no primeiro ano da minha vida académica, não teria andado à deriva durante tantos anos!

3 de novembro de 2012

Dois grandes campeões

Gostava de ilustrar dois dos campeões que emergiram da edição de 2012 da Breeders' Cup

A campeã Royal Delta venceu o Breeder's Cup Lady's Classic após uma luta renhida, com a poldra sempre no comando da corrida.




O potro de dois anos, Shanghai Bobby, venceu o Breeder's Cup Juvenile, após uma distracção que quase lhe custou a vitória. Quando chegou ao primeiro lugar, ainda antes da recta final, o potro viu-se sozinho na pista e desconcentrou-se. Quando os outros cavalos se aproximaram dele, ele arrebitou e recuperou a primeira posição, vencendo a corrida. 




Mais duas exibições dignas do Desporto de Reis!


1 de novembro de 2012

Uma rara viagem no tempo

Há um site que nos permite fazer uma viagem surreal sobre uma cidade fantasma. Lisboa antes do terramoto.

É um projecto muito interessante. Podem ver o vídeo aqui.

Boa viagem!

25 de outubro de 2012

Como eu gostava de estar em Manchester hoje...

Uma composição de dois minutos para canto gregoriano, de Beethoven, foi recentemente descoberta por Barry Cooper, um dos especialistas do compositor. Anteriores especialistas já tinham identificado este curto hino, pensando tratar-se de um esboço preliminar da "Missa Solemnis". 

Bem, há sempre o Youtube...





Falta pouco...


180 cavalos foram pré-inscritos na edição deste ano dos campeonatos mundiais. Esta edição terá lugar em Santa Anita Park, entre os dias 2 e 3 de Novembro.

Entre os pré-inscritos, encontram-se nomes como:


Awesome Feather

My Miss Aurelia

Royal Delta

Animal Kingdom

Promete ser um campeonato mundial fascinante!



20 de outubro de 2012

Que final!

João Emanuel Carneiro não desapontou.

O final foi excelente!

A Adriana Esteves merece o equivalente brasileiro ao Óscar!


Tchau Tchau Tchau!

14 de outubro de 2012

Misfits are us


Esta tira desenhada por Charles Schulz em 7 de Julho de 1945 é imortal. Acho que todo o ser humano passa por uma fase em que se sente um inadaptado, mesmo quando pensa que o seu sentimento de inadaptação é diferente do de todos os outros alienados à sua volta. Talvez a único factor que torna a inadaptação de Charlie Brown única seja a forma como ele lida com ela...

13 de outubro de 2012

O primeiro contacto

Lembro-me perfeitamente do primeiro poema que li de Fernando Pessoa e onde o li.  Foi no número 7 da colecção "O Clube das Chaves". O Clube das Chaves sobe ao pódium.  Quem não se lembra desta colecção escrita por Maria Teresa Maia Gonzalez e Maria do Rosário Pedreira? Foi a minha colecção eleita da infância e adolescência!

Nesse número da colecção, a personagem do André estava sozinho em casa e, vendo o gato do irmão Vasco deitado, a dormir uma merecida sesta, senta-se perto to bichano e começa a desenhá-lo (para quem não sabe, o André era um artista), lembrando-se do poema que lera na escola. Este:

Gato que brincas ra rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Tal como o André, eu decorei o poema de Fernando Pessoa, e, tal como a personagem da colecção "O Clube das Chaves", também sou de opinião que o brilho do poeta era a sua perene capacidade de espelhar os sentimentos dos seus leitores.

Para não dizerem que a literatura juvenil não abre portas nas nossas jovens mentes!

Um grande obrigado a Maria Teresa Maia Gonzalez e a Maria do Rosário Pedreira!


9 de outubro de 2012

A alegoria do lixão – O final que eu queria para Avenida Brasil...



Avenida Brasil está prestes a chegar ao fim no seu país de origem. Os caminhos trilhados pelas personagens estão a chegar ao seu destino final e nas mãos de João Emanuel Carneiro está a resposta para todas as nossas perguntas. 

O autor tem mantido os seus segredos a sete chaves e até os actores recebem apenas as cenas que vão gravar a seguir. Não têm acesso a todo o guião. Este é o preço da era da informação, amigos.

Há vilões que são e sempre foram conhecidos do público: a Carminha (Adriana Esteves), o Nilo (José de Abreu) e o Santiago (Juca de Oliveira) (bem, por enquanto são suspeitas, mas ele nunca teve boa reputação durante toda a trama). O mai recente rumor que li, faz do simpático Adauto (Juliano Cazarré) o suspeito "misterioso".

O que quer que aconteça, há 1:1.000.000.000.000.000.000.000, etc., de hipóteses de João Emanuel Carneiro escrever o final que eu imaginei.

Confesso que uma das minhas metáforas favoritas desta trama é o lixão e o que ele representa como espelho da natureza humana. Mas, se há muito lixo reciclável, acredito ainda (como sempre acreditei) que a natureza humana é demasiado complexa e ninguém é sempre bom ou sempre mau, nem que não possa mudar. Bem, de acordo com a Rita (Débora Falabella), a Carminha (Adriana Esteves) era só má.

Será mesmo?!



E se algo acontecesse que fizesse a Nina reconsiderar a sua opinião acerca da Carminha? Para ser sincera, não imagino a Carminha a arrepender-se pela forma como tratou a Nina ou a mudar a sua maneira de ser, pelo simples facto de que, ao longo dos anos, a sua estratégia de sobrevivência resultou. Que motivo teria uma pessoa amoral para mudar a sua estratégia de sobrevivência?!

Só vejo uma maneira de salvar a alma da Carminha do inferno  e, consequentemente, salvar também a da Nina  é "reciclando" os seus cérebros. 

Claro!

Vejo este cenário com uma clareza cristalina: 

uma perseguição automóvel causaria um acidente e Carminha e Nina iriam parar ao hospital. 

A Nina tem alta três dias depois de ficar para observação, sendo tratada apenas por escoriações leves. 

A Carminha fica em coma quatro dias. 

A Nina visita-a em segredo, desejando ardentemente que a ex-madrasta acorde para que possam retomar a sua eterna rixa. 

Quando o Tufão descobre que a mulher teve um acidente, vai a correr para o hospital. A 

Nina tenta avisá-lo sobre quem é a mulher, mas não consegue. 

A Carminha acorda desorientada e o marido apercebe-se que ela não sabe quem ele é. O médico conta para o ex-jogador que a mulher tem amnésia. Ele informa-o que operou a Carminha três vezes a uma perna, mas que ela vai precisar de apoio para andar; diz-lhe também que os danos cerebrais lhe afectaram a visão, deixando-a cega do olho direito.

Tufão quer levar a mulher para casa, mas a Nina está certa que Carminha está a fingir para poder voltar para a mansão.

Tufão leva Carminha para casa. A Nina vai atrás deles, levando consigo a receita dos analgésicos da Carminha.

Carminha é vista por outro médico que lhe receita analgésicos mais fracos (que mal tiram as dores que ela tem).

A Nina, de tão certa que está que a ex-madrasta está a fingir para ter a piedade de toda a gente, decide testá-la: humilha-a, repetindo comportamentos (dar-lhe macarrão com salsicha, por exemplo) que anteriormente eram insuportáveis.

Carminha mantém-se consistente e não reage como a Nina espera. 

Nina decide ir tirar tudo a limpo e vai falar com o médico que operou a Carminha.

O médico garante-lhe que Carminha vai ser cega, aleijada e ter dores para o resto da vida.

Uma náusea invade Nina, contrariando anos sem fim de ódio e desejo de vingança. Ela finalmente apercebe-se de que não é justo tratar mal uma Carminha desmemoriada e indefesa.

O médico diz a Nina que a amnésia pode ser reversível, que a Carminha pode acordar um dia e lembrar-se de tudo.

Sabendo o risco que corre, Nina avia a receita dos analgésicos da Carminha e volta para a mansão. Vendo a oportunidade doirada que tem em mãos, Nina "reinventa" a história da Carminha, assegurando-lhe que ela é uma pessoa boa, trabalhadora e honesta. Carminha acredita, pois não tem outra escolha.

Nina diz a Carminha que elas eram amigas, desejando poder limpar a sua própria alma do ódio que a corrói. Ela dá os analgésicos certos à sua ex-arqui-inimiga e, lentamente, começa a ajudá-la na sua convalescença.

As duas tornam-se amigas de verdade.

"FIM", diria eu, então. Gosto da ideia de Nina ter de reaprender tudo a nível emocional e a ver a Carminha como ela é agora e não como ela foi no passado. Gosto particularmente da ideia de Nina ajudar a Carminha, mesmo sabendo que ela pode acordar um dia e lembrar-se de tudo. Esse é um desafio muito grande, porque a faria pensar se valeria mesmo a pena investir na ex-madrasta.

Se eu tiver para aí virada, um dia ainda sou capaz de escrever uma "fanfic" sobre isto. Isso é que era, hein? ;)

3 de outubro de 2012

Hummmmm.... chocolate!

Venho de uma família de gulosos.

Não me interpretem mal, não estou a fazer juízos de valor. Cito-o apenas como um facto.

De facto, encontro-me neste preciso momento a comer um pacote de bolachas recheadas de chocolate de uma assentada. Isto, porque, a partir de amanhã, não vou poder comer chocolate por muito tempo...

O meu último dia de liberdade está a saber-me muito bem, mesmo!

Li uma notícia em que um estudo prova que comer chocolate desenfreadamente é tão viciante como a morfina.

Isto faz-me pensar que a ressaca de amanhã vai ser diabólica... Ai, ai!...

29 de setembro de 2012

Executiveprivilege vence rivais em Chandelier

Mais um post sobre cavalos com um recorde perfeito. Se continuar por este caminho, vão pensar que no mundo das corridas todos oc cavalos vencem todas as corridas em que participam, o que seria um tremendo erro.

Na verdade, estes cavalos (que têm tantas vitórias como corridas) são muito raros. É muito difícil um cavalo ganhar duas corridas consecutivas (ainda mais nos dias de hoje), o que só engrandece cavalos como a Executiveprivilege, que já ganhou cinco corridas consecutivas! Recentemente, venceu o Chandelier Stakes (gr. I) por 6 1/4 comprimentos.

Esperamos voltar a ver esta 'menina' na Grey Goose Breeders' Cup Juvenile Fillies (gr. I) em finais de Outubro.




Mais uma exibição digna do Desporto de Reis!


27 de setembro de 2012

11 Regras de escrita para (des)respeitar

O autor Colson Whitehead dá algumas regras simples de escrita:

Regra 1: "Mostra e diz" — Basicamente, há que encontrar um equilíbrio e saber quando usar descrições mais longas, densas e elaboradas ou quando usar diálogos ou frases curtas e concisas num texto. Sempre que possível, o autor recomenta um cruzamento das duas técnicas.


Regra 2: "Não procures um tema, deixa que um tema te encontre"  Não vale a pena perseguir um tema, é preferível contar a história daquelas ideias que não nos saem da cabeça. Se houver temas que são verdadeiras ideias fixas, é sobre esses que devemos escrever. 



Regra 3: "Escreve sobre o que sabes" — Bellow costumava dizer que "a ficção é a mais nobre forma de autobiografia". Somos as maiores autoridades sobre as nossas vidas e as nossas emoções. Por que não escrever sobre isso?



Regra 4: "Nunca uses três palavras, quando uma for suficiente" — Sê tão conciso quanto possível.



Regra 5: "Escreve um diário de sonhos" — Anota todos os sonhos de que te lembrares. Nunca se sabe de onde possa vir a próxima ideia genial!



Regra 6: "O que não é dito é tão importante como o que é dito" — Por vezes, as grandes emoções, as grandes revelações, as grandes cenas, estão implícitas nos silêncios das personagens.


Regra 7: "O bloqueio de escritor é uma boa ferramenta" — Se não quiseres trabalhar, usa a desculpa perfeita de todos os escritores e diz que estás "bloqueado". Quem não sabe que a escrita não é um processo místico, pensará que os Deuses da escrita te abandonaram e que a tua musa inspiradora foi passar férias e serão solidários com o teu sentimento de perda.


Regra 8: "É segredo" — Muito bem guardado.



Regra 9: "Vive aventuras" — Sai da frente do motinor e vai ver o mundo. Aproveita ao máximo! Se perderes um rim numa rixa, melhor ainda.



Regra 10: "Revê, revê, revê" — Quantas mais, melhor. Não há como negá-lo.



Regra 11: "Não há regras" — Se toda a gente saltasse de uma ponte, fá-lo-ias? Claro que não! As únicas regras são aquelas que se aprende durante o longo, penoso e divertido processo de escrita.  

26 de setembro de 2012

Estranhar Pessoa

O ELAB (Laboratório de Estudos Literários Avançados da FCSH) e a Rede de Filosofia e Literatura (IFL, FCSH, e Programa em Teoria da Literatura, FLUL) anunciam o 5º Seminário Aberto do Projeto Estranhar Pessoa, dedicado a Assuntos Textuais, a realizar no próximos dias 11 e 12 de Outubro na Casa Fernando Pessoa. Este seminário tem o propósito de apresentar close readingsde textos de Pessoa seleccionados pelos respectivos leitores.

Para mais informações sobre o seminário e o projeto consulte o nosso site, estranharpessoa.org, ou contacte-nos usando o endereço de email estranharpessoa@gmail.com. Logo abaixo encontra-se o programa do seminário. As sessões são aberta a todos e de entrada livre.


DIA 11

10h-11.20h

Manuela Parreirada Silva, Elegia na Sombra

Steffen Dix, Mouth of Hell



11.30h-13h

Maria do Céu Estibeira, Ao encontro do gato que brinca na rua

Madalena Lobo Antunes, Tabacaria ou a metafísica de um falhado



14h-16h

Pedro Sepúlveda, No dia brancamente nublado

Humberto Brito, Coisas que não podem ser

Nuno Amado, De(s)compondo Horácio



16.30h-18h

Bartholomew Ryan, O Intervalo

Mariana Gray de Castro, Sobre rios, romantismos e revisitações: "Lisbon Revisited (1926)"

Miguel Tamen, Fogo Posto



DIA 12

10h-11.20h

Golgona Anghel, Da "[Inutilidade da crítica] (1)"

Silvina Rodrigues Lopes, Não há senão conjecturas, excepto que há verdade



11.30h-13h

João Figueiredo, Ascensão de Vasco da Gama

Rita Patrício, Apontamento



14h-15.15h

Jorge Uribe, O Provincianismo Português

Gustavo Rubim, Ordem e Progresso: a querela Reis/Campos sobre a distinção entre prosa e poesia



15.30h-17h

Fernando Cabral Martins, Gestos de Escrita

António M. Feijó, Daisy



23 de setembro de 2012

Campeãs imbatíveis

A poldra Awesome Feather continua imbatível com dez vitórias em dez corridas!

Após oito meses sem aparecer nas pistas, a poldra deu (mais) um show, mostrando que os seus tendões estão melhores que nunca. Venceu o Nasty Storm Stakes por mais de 11 comprimentos.

Esperemos que ela apareça na Breeders Cup...



Outra campeã que se destacou foi My Miss Aurelia. Foi a sua quinta vitória em cinco corridas!

A partida foi desastrosa, com a poldra a tropeçar após sair do portão, mas recuperou rapidamente, ganhando o Mandys Gold Stakes por três comprimentos.



Mais duas exibições dignas do Desporto de Reis!