30 de outubro de 2013

All We Must Not Be

"The world is so competitive, aggressive, consumive, selfish and during the time we spend here we must be all but that."

–– José Mourinho 

27 de outubro de 2013

Imposto sobre os pés

"Sinto-me muito triste quando penso na nossa economia."

"Desde que entreguei a declaração de rendimentos nem consigo dormir."

Sim, há muita gente a pensar assim, e não só em Portugal. Vários países da União Europeia estão falidos ou em processo de falência. A ditadura da austeridade não poupa ninguém, mas as citações acima não são de europeus zangados.

São de personagens de um episódio de Alice no País das Maravilhas, uma grande série de animação dos anos 80. 

No País das Maravilhas não há dinheiro para pagar as bolas de Croquete e a Rainha de Copas resolve lançar um imposto sobre os pés. Nenhum dos seus súbditos está disposto a pagar (quem é apanhado sem ter pago é preso) o dito imposto e o Gato que Ri resolve o problema dos habitantes do País das Maravilhas, começando a andar sobre as mãos.


Esta é uma belíssima metáfora do absurdo a que chegaram os impostos no nosso país...

Precisamos urgentemente de uma solução tão criativa como a que o Gato que Ri encontrou para os habitantes do País das Maravilhas.

24 de outubro de 2013

Ai, como sinto saudades...

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...

–– Clarice Lispector

21 de outubro de 2013

Secrets to a Balanced Life

"Most people are gentle at the wrong time and they're firm at the wrong time. And in the wrong way. You gotta know where to be, when to be, why to be, what to do when you get there, and want to know when to quit doing what you're doing."

–– Pat Parelli

18 de outubro de 2013

Assalto Amigável


As suas conferências no Nevada estavam destinadas a ser um enorme sucesso. As pessoas viam-no como propriedade sua e, em Carson e Virgínia, os espectáculos estavam sempre esgotados. Especialmente em Virgínia, os seus amigos insistiram e pediram-lhe para repetir o espectáculo, mas ele negou-se terminantemente.

“Eu ainda só tenho uma conferência,” disse ele. “Não posso dá-la duas vezes na mesma cidade.”

Mas Steve Gillis, aquele diabinho irresponsável, que tinha ido a Virgínia novamente, concebeu um plano que tornaria necessário que ele desse outra conferência, e até lhe deu um tema. O plano de Steve era muito simples: aliviar o conferencista dos seus fundos por meio de um assalto de estrada amigável e dar-lhe o tópico da sua conferência seguinte.

Em Roughing It, Mark Twain relata uma versão correcta deste assalto fingido, embora lhe faltem alguns detalhes. Apenas uns anos antes (estávamos em Abril de 1907), na sua cabana em Jackass Hill, na companhia de Joseph Goodman e do seu biógrafo, Steve Gillis fez a sua confissão no seu “leito de morte” como aqui se lê:

“A conferência de Mark Twain teve lugar no teatro lírico Piper, em 30 de Outubro de 1866. Os habitantes de Virginia City já tinham ouvido muitas conferências antes, mas esses tinham sido meros espectáculos menores, comparados com as de Mark. ele poderia ter casas de espectáculos lotadas durante uma semana. Implorámos-lhes que desse outra oportunidade àquelas pessoas, mas ele recusou-se a repetir e sua conferência. Ele dirigia-se para Carson e voltaria para dar uma conferência em Gold Hill, cerca de uma semana depois; eu e o seu agente, Denis McCarthy, formulámos um plano para que ele fosse assaltado na fronteira entre Gold Hill e Virgínia, após a conferência de Gold Hill, quando ele e Denis trouxessem o dinheiro.” A fronteira era um bom local solitário e era famoso pelos seus assaltos. Tínhamos connosco o marechal da cidade, George Birdsall, e conseguimos que Leslie Blackburn, Pat Holland, Jimmy Eddington, e mais um ou dois velhos amigos do Sam se juntassem a nós. Todos nós o adorávamos e sempre o apoiaríamos. Este era o tipo de amigos que Mark tinha no Nevada. Se ele tinha inimigos, nunca ouvi falar deles.”

“Não dissemos nada ao Dan de Quille, ou ao Joe, porque o Sam era convidado do Joe, e nós temíamos que ele lhe dissesse alguma coisa. Não dissemos nada ao Dan porque queríamos que ele relatasse um assalto genuíno e fizesse uma grande sensação. Algo que iria lotar um teatro lírico por dois dólares por bilhete para ouvir o Mark contar essa história.”

“Tudo correu muito bem. Quando o Mark estava a terminar a sua conferência em Gold Hill, os ladrões foram esperar para a fronteira, mas o público de Mark fez-lhe uma recepção após a sua conferência e nós quase morremos congelados à espera que ele chegasse. Por fim, eu voltei para ver o que se passava. Sam e Denis vinham a chegar, carregando um saco meio cheio de prata. Eu segui-os sem ser visto e soprei um apito de um polícia, para assinalar aos rapazes quando os conferencistas estivessem a aproximar-se do local combinado. Ouvi o Sam dizer ao Denis:”

‘Estou feliz por haver um polícia na fronteira. No meu tempo, não havia um.’
“Por essa altura, os rapazes (todos com máscaras pretas e dólares de prata na língua para lhes disfarçar as vozes) apareceram, dispararam seis tiros para o ar e disseram ao Sam e ao Denis para colocarem as mãos no ar. Os ladrões chamavam-se uns aos outros por ‘Beauregard’ e ‘Stonewall Jackson’. Obviamente, Denis e Mark puseram as mãos no ar, embora o Mark não estivesse nem um pouco ansioso ou assustado. Ele falou com os assaltantes no seu tom de sempre. Disse-lhes:”

‘Não façam movimentos bruscos com essas pistolas. Elas podem disparar acidentalmente.’

“Disseram-lhe para entregar o relógio e o dinheiro, mas quando ele baixou as mãos, ordenaram-lhe que as colocasse novamente no ar. Ele perguntou-lhes como é que eles queriam que ele lhes desse os seus valores se ele tinha as mãos no ar. Ele disse que seus tesouros não estavam no céu. Pediu-lhes para não lhe levarem o relógio, que lhe fora oferecido por Sandy Baldwin e Theodore Winters aquando o seu posto de Governador da Terceira Câmara, mas nós levámo-lo na mesma.”

“Sempre que ele começava a baixar as mãos, nós obrigávamo-lo a levantá-las novamente. Até que ele disse:”

‘Não sejam tão violentos. Eu fui educado com carinho.’

“Depois, dissemos-lhe e ao Denis para manterem as suas mãos no ar durante quinze minutos depois de nos irmos embora – para nos dar tempo de voltar para Virginia e estabelecermo-nos quando eles regressassem. Quando nos afastámos, Mark chamou-nos:”

‘Ouçam lá, esqueceram-se de uma coisa.’

‘Do quê?’

‘Do saco, ora essa.’

“Ele esteve sempre calmo. Na sua auto-biografia, o senador Bill Stewart conta uma grande história do quão assustado Mark estava e de como fugiu, mas Stewart estava a três mil milhas de Virginia nessa altura e, mais tarde, ficou chateado com Mark porque este fez uma piada sobre ele em Roughing It”.

“Denis quis baixar logo as mãos, após eles se terem ido embora, mas Mark disse:”

“‘Não, Denis, eu estou habituado a obedecer a ordens quando são dadas de uma forma tão convincente; manteremos as mãos no ar por mais quinze minutos por precaução.’”

“Quando o Mark e o Denis chegaram, nós estávamos à sua espera num grande Saloon, situado na C Street. Sabíamos que eles viriam, e contávamos com um Mark  agitado, mas ele estava tão imperturbável como um lago no meio de uma montanha. Disse-nos que tinha sido vítima de um assalto e perguntou-me se eu tinha algum dinheiro. Dei-lhe cem dólares do seu próprio dinheiro e ele ofereceu bebidas a todos. De seguida, mudámo-nos para o escritório do Enterprise, onde ele ofereceu uma recompensa e Dan de Quille escreveu a notícia e a telegrafou para outros jornais. Foi então que alguém sugeriu que Mark teria que dar outra palestra, e que o assalto daria um excelente tema. Ele concordou de imediato, e no dia seguinte, contratámos o Teatro Lírico Piper, e as pessoas estavam dispostas a pagar cinco dólares cada para os bancos da primeira fila. Seria o maior acontecimento de sempre da Virgínia, se tivesse de facto ocorrido. Mas, depois, cometemos o erro de contar a nossa brincadeira ao Sandy Baldwin. Também contámos ao Joe – demos-lhe o relógio e o dinheiro para ele guardar, o que tornou tudo mais difícil para ele depois – mas foi o Sandy Baldwin que nos levou à desgraça. Mark havia jantado com ele na noite anterior ao espectáculo, e depois de estar bem ‘quente’ do champanhe, ele achou que seria boa ideia contar ao Mark o que se estava realmente a passar.”

“O Mark não partilhou da nossa opinião. Ele ficou furioso.”

Nessa altura, o Joseph Goodman disse:

“‘Aqueles velhacos colocaram o dinheiro, o relógio, as chaves, os lápis e todos os pertences do Sam nas minhas mãos. Senti-me particularmente mal por ter sido feito cúmplice do crime, especialmente porque o Sam era meu convidado, e eu tinha sérias dúvidas acerca da sua reacção quando ele descobrisse que o assalto não era genuíno.’”

“Senti-me terrivelmente culpado quando ele disse:”

“Joe, aqueles ca— dos ladrões levaram-me as chaves e eu não consigo abrir a minha arca. Achas que podias arranjar-me uma chave que caiba na minha arca?”

“Respondi-lhe que poderia fazê-lo durante o dia e, depois do Sam se retirar, eu peguei na sua chave e queimei-a, para que ficasse negra. Depois, peguei numa lima e limei a chave, para fazer com que parecesse que eu tinha experimentado a chave na fechadura, com uma culpa constante, como um homem que tenta esconder um homicídio. O Sam não pediu a chave nesse dia e, nessa noite, ele foi convidado pelo juiz Baldwin para jantar. Pensei que ele estava muito silencioso e muito solene quando regressou, mas disse apenas:”

“Vamos jogar às cartas, Joe; não tenho sono.”

“O Steve e dois ou três outros rapazes (que tinham participado no assalto) estavam presentes, e não gostaram dos modos do Sam; portanto, desculparam-se e deixaram-no a sós comigo. Jogámos durante um bom tempo; depois, ele disse:”

“‘Joe, estas cartas estão gordurosas. Tenho um baralho novo na minha arca. Arranjaste-me a chave que te pedi?’”

“Saquei da chave queimada e riscada, cheio de medo e a tremer, mas ele não pareceu notar e regressámos ao jogo de cartas. Jogámos continuamente até à uma ou duas horas – o Sam sempre calado e eu a perguntar-me o que iria acontecer. Com o passar do tempo, ele pousou as cartas, fitou-me e disse:”

“‘Joe, o Sandy Baldwin contou-me acerca do assalto esta noite. Sabes, Joe, descobri que a lei não reconhece uma chalaça e vou enviar aqueles tipos para a penitenciária.’
“Ele proferiu aquelas palavras com uma seriedade de tal modo solene, e com tal desejo de vingança, que eu acreditei que ele falava muito a sério.”

“Eu sei que trabalhei arduamente durante duas horas, tentando convencê-lo a desistir da sua decisão. Usei todos os argumentos sobre os rapazes serem os seus amigos mais antigos; como todos eles o adoravam e de como a partida fora só para o seu próprio bem; implorei-lhe que reconsiderasse; devolvi-lhe o dinheiro e o relógio e coloquei-os em cima da mesa mas, durante algum tempo, tudo parecia perdido. Eu imaginava os rapazes atrás das grades e a sensação que isso faria na Califórnia. Quando eu estava prestes a desistir, ele disse:

“‘Bem, Joe, por esta, deixo passar; eu perdoo-os novamente; já os perdoei tantas vezes, mas se eu pudesse salvar o Denis McCarthy e o Steve Gillis da forca amanhã, não o faria!’

“Na manhã seguinte, ele cancelou a conferência e regressou à Califórnia um dia depois, pelo caminho do lago Donner. Os rapazes vieram despedir-se dele timidamente, mas ele não cedeu.” Quando eles se apresentaram como Beauregard, Stonewall Jackson, etc, ele disse apenas:

“‘Sim, e um dia, estarão todos atrás das grades. Tem havido muitos assaltos por aqui ultimamente e é muito claro quem são os culpados.’ Eles entregaram-lhe um embrulho com as máscaras que os assaltantes tinham usado. Ele aceitou-o num silêncio sombrio; quando a carruagem se afastou, ele pôs a cabeça fora da janela e, depois de muitas advertências, esboçou o seu velho sorriso e gritou-lhes: ‘Adeus, amigos, adeus, ladrões; não vos quero mal algum.’ Depois de tudo, a maior partida foi para com os seus algozes.”



* Traduzido de: Mark Twain: A Biography The Personal and Literary Life of Samuel Langhorne Clemens da autoria de Albert Bigelow Paine

15 de outubro de 2013

3º Congresso Internacional Fernando Pessoa

Inscrições para o III Congresso Internacional 

Fernando Pessoa



Este congresso anual realizar-se-á no Teatro Aberto em Lisboa
O preço da inscrição é : 50 € / Estudantes e Professores : 25€ 
A ficha de inscrição está aqui em tamanho real. As inscrições são feitas na bilheteira da Casa Fernando Pessoa.

Coloco aqui o programa do congresso para quem quiser e puder participar neste congresso e quiser saber o que lá se vai passar. 



 1º dia: 28 de Novembro

Manhã

9.30h – Recepção aos Congressistas

10.00h - Sessão de abertura

10.30h – Conferência de abertura:
Livro do Desassossego: o romance possível (var.: impossível)
Richard Zenith

11.15h – Pausa para café

11.30h - 12.30h – Painel: Tudo na vida é intervalo e passagem
                                   Moderadora: Inês Fonseca Santos
                                   José Gil: O tédio e o cansaço de existir
                                   Maria Manuela Parreira: Cartas não mandadas (ou cartas para não mandar)
                                   Patrick Quillier

12.30h - Debate

12.45h - Intervalo para almoço


Tarde:

14.30h-15.30h – Painel: O perfeito não se manifesta
                                   Moderador: José Carlos Vasconcelos
                                   J. Paulo Cavalcanti: O perfeito não se manifesta
                                   Tony Frazer (a confirmar)
                        Maria Bochiccio: “Contra factos é que há argumentos”: algumas  questões    
                                                         de crítica textual em Álvaro de Campos.
15.30h - Debate

15.45h – 16.45h – Painel: Pois que importa inventar o que não presta?
                                   Moderadora: Patrícia Reis
                                   Bernard McGuirk:  Engenharia / bricolage.
                                                                           Naveg (N) ações ... Ils ont changé ma chanson
                                   Orietta Abbati: A poesia de Ricardo Reis entre pedagogismo e desistência.
                                   
Antonio Cardiello: O homem deve poder ver a sua própria cara
16.45h – Debate

17.00h- Pausa para café

17.15h – 18.15h – Painel: Agir, eis a inteligência verdadeira
                                   Moderadora: Patrícia Reis
                                   Bartholomew Ryan: “Who’s there?”:
                                                                       A Repetição de Pessoa e a Crise do Sujeito
                                   Maria de Lurdes Sampaio: Ler com ou ler contra – e tudo muda de figura           
                                   Fabrizio Boscaglia: Fernando Pessoa e a cultura Árabe-Islâmica: de
                              Al-Cossar a Omar Khayyam”

18.15h – Debate

21.00h – Concerto de Marianno Deidda


2º dia: 29 de Novembro
Manhã

10.00h – 11.00h – Painel: Narrei-me à sombra e não me achei sentido
                                   Moderadora: Maria Manuel Viana
                                   Eduardo Lourenço
                                   Teresa Rita Lopes: O Desassossego Pessoana
                                   Fernando Cabral Martins: O sujeito interseccionista

11.00h - Debate

11.15h – Pausa para café

11.30h – 12.30h - Painel: A arte é o aperfeiçoamento do mundo exterior
                                   Moderador: Rui Lagartinho
                                   Jerónimo Pizarro: Todo Pessoa no Desassossego                                                    
                                   Mariana de Castro: Sobre rios, romantismos e revisitações:
                                                                    Lisbon Revisited (1926)
                                   Piero Ceccucci: Eu, “o privilegiado da janela”.
                                                                        A poética do olhar da janela em Fernando Pessoa.
12.30h - Debate                    

12.45h – Intervalo para almoço

Tarde:

14.30h – 15.30h – Painel: Sentir é criar
                                   Moderadora: Leonor Xavier
                                   José Blanco
                                   Lélia Parreira Duarte: Pintando a negatividade de Fernando Pessoa
                                   Roberto Vecchi: Morfologia da sensação: Pessoa e os espaços brancos do aforismo

15.30h - Debate
15.45h – 16.45h – Painel: A literatura é a maneira mais agradável de esquecer a vida
                                   Moderadora: Filipa Leal
                                   Joana Matos Frias: Transfoma-se o espectador no próprio espectáculo:
                                                                   Bernardo Soares e o seu “espectáculo sem enredo”
                                   Kenneth David Jackson: In•sci•ente (arcaico): A arte e a ciência do não-saber
                                   Patricio Ferrari: Pseudónimos, Heterónimos e outras figuras literárias

16.45h – Debate

17.00h- Pausa para café

17.15h – 18.15h – Painel: Saúdo todos os que me lerem
                                   Moderador: Rui Lagartinho
                                   Anna Klobucka: Fernando Pessoa activista queer: Uma releitura do ‘Antinous’
                                   Paulo Borges: Mistério trans-ontológico e transfiguração do mundo em
                                                           Álvaro de Campos
                                   Susan Brown: O Deus que dorme
18.15h – Debate

21.00h – Concerto: Universus Ensemble

3º dia: 30 de Novembro
Manhã

10.00h – 10.40h – Painel: A liberdade é a possibilidade do isolamento
                                   Moderador: Rodrigo Guedes de Carvalho
                                   Fernando J. B. Martinho (a confirmar)
                                   José Barreto: O nacionalismo liberal de Fernando Pessoa
                                   Zbigniew Kotowicz: Alberto Caeiro – meditações pré-socráticas

10.40h – Debate

11.00h – Pausa para café
11.15h – 12.15h - Painel: De tanto ser, só tenho alma
                                   Moderadora: Maria Manuel Viana
                                   Rinaldo Gama : Alberto Caeiro e a poética da negação
                                   Brunello de Cusatis: O Desassossego religioso de Fernando Pessoa
                                   Celeste Malpique: A alma solitária de Fernando no “Livro do Desassossego"

12.15h - Debate                    

12.30h – Intervalo para almoço


Tarde:

14.30h – 15.30h – Painel: E hoje é já outro dia
                                   Moderadora: Filipa Leal
                                   António Feijó: O homem que era nada
                                   Luiz Ruffato: Fernando Pessoa, o outro
                                   Golgona Anghel: Dois andamentos para uma métrica da hesitação

15.30h - Debate

15.45h – 16.45h – Painel: Só a arte é útil
                                   Moderadora: Inês Fonseca Santos
                                   Aldous Eveleigh: Desfile de Identidade
                                   Marianno Deidda: A arte de musica a poesia
                                   Ana Luísa Amaral: Qualquer coisa de intermédio
16.45h – Debate

17.00h- Pausa para café

19.00h – Leitura d' ULTIMATUM de Álvaro de Campos por Diogo Dória

19.40h – Encerramento


13 de outubro de 2013

Trechos do Desassossego (4)


O isolamento talhou-me à sua imagem e semelhança. A presença de outra pessoa – de uma só pessoa que seja – atrasa-me imediatamente o pensamento, e, ao passo que no homem normal o contacto com outrem é um estímulo para a expressão e para o dito, em mim esse contacto é um contra-estímulo, se é que esta palavra composta é viável perante a linguagem.

A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensualidade como o obstáculo para a energia. (...) Não sente a liberdade quem nunca viveu constrangido.

O que é preciso, porém, é que nunca tomemos o artificial por natural. É na harmonia entre o natural e o artificial que consiste a naturalidade da alma humana superior.

O mal todo do romantismo é a confusão entre o que nos é preciso e o que desejamos. Todos nós precisamos das coisas indispensáveis à vida, à sua conservação e ao seu continuamento; todos nós desejamos uma vida mais perfeita, uma felicidade completa, a realidade dos nossos sonhos e É humano querer o que nos é preciso, e é humano desejar o que não nos é preciso, mas é para nós desejável. O que é doença é desejar com igual intensidade o que é preciso e o que é desejável, e sofrer por não ser perfeito como se se sofresse por não ter pão. O mal romântico é este: é querer a lua como se houvesse maneira de a obter. "Não se pode comer um bolo sem o perder."

Este mar é água salgada. Este poente é começar a faltar a luz do sol nesta latitude e (9) longitude. Esta criança, que brinca diante de mim, é um amontoado intelectual de células - mais, é uma relojoaria de movimentos subatómicos, estranha conglomeração eléctrica de milhões de sistemas solares em miniatura mínima. Tudo vem de fora e a mesma alma humana não é porventura mais que o raio de sol que brilha e isola do chão onde jaz o monte de estrume que é o corpo.



Bernardo Soares – Livro do Desassossego



5 de outubro de 2013

Aniversário da República


Parabéns, querida República! Espero que vivas ainda por muitos e bons anos... Gostaria muito que reincarnasses para acabar (de vez) com situações destas:


"Na classe política que nos trouxe até aqui há um pequeno número – enfim, serão 10 a 15% – que são corruptos e a maioria não são corruptos, mas também não são incompetentes, sequer. São medrosos e, portanto, deixam os corruptos actuar livremente." 

––Professor Doutor Paulo Morais


Mas isso são outros quinhentos... Não se pode pedir demasiado a uma data que já nem sequer é feriado nacional...