13 de dezembro de 2015

Trechos do Desassossego (17)

Vivemos todos, neste mundo, a bordo de um navio saído de um porto que desconhecemos para um porto que ignoramos; devemos ter uns para os outros uma amabilidade de viagem. […] E esta a minha moral, ou a minha metafísica, ou eu: Transeunte de tudo - até de minha própria alma -, não pertenço a nada, não desejo nada, não sou nada - centro abstracto de sensações impessoais, espelho caído sentiente virado para a variedade do mundo. Com isto, não sei se sou feliz ou infeliz; nem me importa. 

A única comunicação tolerável é a palavra escrita, porque não é uma pedra em uma ponte entre almas, mas um raio de uma luz entre astros. […] Escrever é objectivar sonhos, é criar um mundo exterior para prémio [?] evidente da nossa índole de criadores. Publicar é dar esse mundo exterior aos outros; mas para quê, se o mundo exterior comum a nós e a eles é o "mundo exterior" real, o da matéria, o mundo visível e tangível? Que têm os outros com o universo que há em mim?

O gládio de um relâmpago frouxo volteou sombriamente no quarto largo. E o som a vir, suspenso um hausto amplo, retumbou, emigrando profundo. O som da chuva chorou alto, como carpideiras no intervalo das falas. Os pequenos sons destacaram-se cá dentro, inquietos.

Estou triste de sentir, e reflicto-o à janela ao som da água que pinga e da chuva que cai. Tenho o coração opresso e as recordações transformadas em angústias.

Ah, quem me salvará de existir? Não é a morte que quero, nem a vida: e aquela outra coisa que brilha no fundo da ânsia como um diamante possível numa cova a que se não pode descer. E todo o peso e toda a mágoa deste universo real e impossível, deste céu estandarte de um exército incógnito, destes tons que vão empalidecendo pelo ar fictício, de onde o crescente imaginário da lua emerge numa brancura eléctrica parada, recortado a longínquo e a insensível.



Bernardo Soares – Livro do Desassossego



13 de novembro de 2015

Os Deuses da Incerteza


Acima da verdade estão os deuses.
A nossa ciência é uma falhada cópia
Da certeza com que eles
Sabem que há o Universo.

Tudo é tudo, e mais alto estão os deuses,
Não pertence à ciência conhecê-los,
Mas adorar devemos
Seus vultos como às flores,

Porque visíveis à nossa alta vista,
São tão reais como reais as flores
E no seu calmo Olimpo
São outra Natureza.




Aguardo, equânime, o que não conheço —
Meu futuro e o de tudo.
No fim tudo será silêncio, salvo
Onde o mar banhar nada.


–– Ricardo Reis


31 de outubro de 2015

Swan Song


Muitas vezes, por detrás de um grande cavalo está uma grande história. Outras vezes, o cavalo conquista o respeito e a admiração dos aficionados pelo seu próprio mérito. É o caso de American Pharoah. E como todos os grandes campeões que provaram o seu valor nas pistas, o potro de três anos teve uma saída de conto de fadas das competições desportivas e deu uma enorme lição a todos quantos ainda duvidavam do seu valor. 

O potro vinha de uma derrota amarga no Travers Stakes (G1) na pista de Saratoga após ter conquistado facilmente o Haskell Invitational (G1) em Monmouth Park. Mas a derrota no Travers Stakes (G1) serviu apenas para apimentar a derradeira vitória do potro na corrida mais rica dos Estados Unidos – o Breeders' Cup Classic (G1).

"Ele deu a todos o que eles queriam ver," – disse o treinador Bob Baffert. – "Nunca vi nenhum outro cavalo igual a ele; nunca treinei nenhum outro igual a ele. Fico feliz pelo Pharoah se despedir das competições como o campeão que é."

American Pharoah fechou com chave de ouro a sua carreira desportiva, vencendo por seis comprimentos e meio, quebrando o recorde da pista de Keenland (que pertencia a Proud Maxx em 2 minutos, 5 segundos e 36 centésimos) por cinco segundos e estabelecendo um novo recorde de 2:00.07 para a distância de 2 mil metros. Conquistou a tão cobiçada Triple Crown e o Breeders' Cup Classic – uma dobradinha a que os fãs estão a chamar de Grand Slam. Ouro sobre azul – tal como todas as grandes histórias devem terminar!




Podem ver a corrida aqui:




Parabéns às ligações de American Pharoah pela vitória no Breeders' Cup Classic (G1)!


13 de outubro de 2015

Trechos do Desassossego (16)

Penso às vezes, com um deleite triste, que se um dia, num futuro a que eu já não pertença, estas frases, que escrevo, durarem com louvor, eu terei enfim a gente que me "compreenda", os meus, a família verdadeira para nela nascer e ser amado. Mas, longe de eu nela ir nascer, eu terei já morrido há muito. Serei compreendido só em efígie, quando a afeição já não compense a quem morreu a só desafeição que houve, quando vivo. Um dia talvez compreendam que cumpri, como nenhum outro, o meu dever-nato de intérprete de uma parte do nosso século; e, quando o compreendam, hão-de escrever que na minha época fui incompreendido, que infelizmente vivi entre desafeições e friezas, e que é pena que tal me acontecesse. E o que escrever isto será, na época em que o escrever, incompreendedor, como os que me cercam, do meu análogo daquele tempo futuro. Porque os homens só aprendem para uso dos seus bisavós, que já morreram. Só aos mortos sabemos ensinar as verdadeiras regras de viver.

Há um grande cansaço na alma do meu coração. Entristece-me quem eu nunca fui, e não sei que espécie de saudades é a lembrança que tenho dele. Caí contra as esperanças e as certezas, com os poentes todos.

Os sentimentos que mais doem, as emoções que mais pungem, são os que são absurdos – a ânsia de coisas impossíveis, precisamente porque são impossíveis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a mágoa de não ser outro, a insatisfação da existência do mundo. Todos estes meios tons da consciência da alma criam em nós uma paisagem dolorida, um eterno sol-pôr do que somos.

Existo sem que o saiba e morrerei sem que o queira. Sou o intervalo entre o que sou e o que não sou, entre o que sonho e o que a vida fez de mim, a média abstracta e carnal entre coisas que não são nada, sendo eu nada também.

Quantas coisas, que temos por certas ou justas, não são mais que os vestígios dos nossos sonhos, o sonambulismo da nossa incompreensão! Sabe acaso alguém o que é certo ou justo? Quantas coisas, que temos por belas, não são mais que o uso da época, a ficção do lugar e da hora? Quantas coisas, que temos por nossas, não são mais que aquilo de que somos perfeitos espelhos, ou invólucros transparentes, alheios no sangue à raça da sua natureza!

Bernardo Soares – Livro do Desassossego



13 de setembro de 2015

"A Mão Invisível"

A cada qual, como a estatura, é dada
        A justiça: uns faz altos
        O fado, outros felizes.
Nada é prémio: sucede o que acontece.
        Nada, Lídia, devemos
        Ao fado, senão tê-lo.



A mão invisível do vento roça por cima das ervas.
Quando se solta, saltam nos intervalos do verde
Papoilas rubras, amarelos malmequeres juntos,
E outras pequenas flores azúis que se não vêem logo.

Não tenho quem ame, ou vida que queira, ou morte que roube.
Por mim, como pelas ervas um vento que só as dobra
Para as deixar voltar àquilo que foram, passa.
Também por mim um desejo inutilmente bafeja
As hastes das intenções, as flores do que imagino,
E tudo volta ao que era sem nada que acontecesse.

–– Ricardo Reis


13 de agosto de 2015

Trechos do Desassossego (15)

Duas coisas só me deu o Destino: uns livros de contabilidade e o dom de sonhar.

O sonho é a pior das cocaínas, porque é a mais natural de todas. Assim se insinua nos hábitos com a facilidade que uma das outras não tem, se prova sem se querer, como um veneno dado. Não dói, não descora, não abate - mas a alma que dele usa fica incurável, porque não há maneira de se separar do seu veneno, que é ela mesma.

A meio caminho entre a fé e a crítica está a estalagem da razão. A razão é a fé no que se pode compreender sem fé; mas é uma fé ainda, porque compreender envolve pressupor que há qualquer coisa compreensível.

Sinto que perdi um Deus complacente, que a Substância de tudo morreu. E o universo sensível é para mim um cadáver que amei quando era vida; mas é tudo tornado nada na luz ainda quente das últimas nuvens coloridas. O meu tédio assume aspectos de horror; o meu aborrecimento é um medo. O meu suor não é frio, mas é fria a minha consciência do meu suor. Não há mal-estar físico, salvo que o mal-estar da alma é tão grande que passa pelos poros do corpo e o inunda a ele também. É tão magno o tédio, tão soberano o horror de estar vivo, que não concebo que coisa haja que pudesse servir de lenitivo, de antídoto, de bálsamo ou esquecimento para ele. Dormir horroriza-me como tudo. Morrer horroriza-me como tudo. Ir e parar são a mesma coisa impossível. Esperar e descrer equivalem-se em frio e cinza. Sou uma prateleira de frascos vazios. Contudo que saudade do futuro, se deixo os olhos vulgares receber a saudação morta do dia iluminado que finda! Que grande enterro da esperança vai pela calada doirada ainda dos céus inertes, que cortejo de vácuos e nadas se espalha a azul rubro que vai ser pálido pelas vastas planícies do espaço alvar! Não sei o que quero ou o que não quero. Deixei de saber querer, de saber como se quer, de saber as emoções ou os pensamentos com que ordinariamente se conhece que estamos querendo, ou querendo querer. Não sei quem sou ou o que sou. Como alguém soterrado sob um muro que se desmoronasse, jazo sob a vacuidade tombada do universo inteiro. E assim vou, na esteira de mim mesmo, até que a noite entre e um pouco do afago de ser diferente ondule, como uma brisa, pelo começo da minha impaciência de mim. Ah, e a lua alta e maior destas noites plácidas, mornas de angústia e desassossego! A paz sinistra da beleza celeste, ironia fria do ar quente, azul negro enevoado de luar e tímido de estrelas.

Se os homens soubessem meditar no mistério da vida, se soubessem sentir as mil complexidades que espiam a alma em cada pormenor da acção, não agiriam nunca, não viveriam até. Matar-se-iam de assustados, como os que se suicidam para não ser guilhotinados no dia seguinte.

Bernardo Soares – Livro do Desassossego



13 de julho de 2015

A Partida

A Partida

Todos julgamos que seremos vivos depois de mortos.
Nosso medo da morte é o de sermos enterrados vivos.
Queremos ao pé de nós os cadáveres dos que amámos
Como se aquilo ainda fosse eles
E não o grande maillot interior que a nascença nos deu.


–– Álvaro de Campos


3 de julho de 2015

True Virtue


【And others are proud of their modicum of righteousness, and for the sake of it do violence to all things: so that the world is drowned in their unrighteousness.

Ah! how ineptly comes the word "virtue" out of their mouth! And when they say: "I am just," it always sounds like: "I am just - revenged!"

With their virtues they want to scratch out the eyes of their enemies; and they elevate themselves only that they may lower others.

And again there are those who sit in their swamp, and speak thus from among the bulrushes: "Virtue - that is to sit quietly in the swamp.

We bite no one, and go out of the way of him who would bite】



Thus Spoke Zarathustra – Friedrich Nietzsche

28 de junho de 2015

The Meaning of Roswell


Beginning: April 5th, 2012
Finish: June 28th, 2015

sigh

It's finished. I guess now would be the time to make up a fanciful tale and claim that I wrote this story all in one night, while a flurry of inspired sentences guided my fingers through the keyboard… But I'm not going to. It took me a long time to write this one... But after 3 years… No, more than 3 years after I started it... it is finished! Twenty thousand and sixty two words... Something any professional writer would've taken four days to write… five days, tops!

I will also not lie and say that finishing writing this story was as jubilant as giving birth... That's not how I feel right now. I've tried reasoning with myself that if I finished a project I never thought I could finish, I should be elated and celebrate like crazy… But I feel as if my best friend has died, and I'm doomed to be forever apart from my inseparable companion after a short spell of profound happiness. Gosh, am I suffering from "post-novel depression", even though twenty thousand and sixty two words does not a novel make?!

Yes, I tried focusing on the good times – there are so many positive things for me to focus on, after all! This story has survived the most turbulent times of my life: it has survived the death of my best friend of thirteen years; it has survived a bundle of occupational problems, and it has survived long, scary bouts of writer's block. Many of my stories perished for less!

Writing came after my work was done and, usually, it didn't go beyond two sentences per night… Patience was the greatest virtue I learned throughout this process. Then, when I thought things were finally getting easier, God said: Now do it with one eye only.

For weeks after that loathsome day, the idea of finishing this story (and dribble past the terrible one-eyed fate that awaited me) was the only thing that kept me away from an emotional abyss. At the same time, I had no idea how I could keep writing when I could barely stare at the computer screen. Right before the retinal detachment, I had suffered through a few days of writer's block, unable to write a single sentence; I came to think that this was the Almighty's way of telling me to stop wasting my life with (less than) admissible activities. (It wouldn't have been the first time I'd hear it, either!) But this story has even survived two vitrectomy surgeries and eight weeks of absolute rest! Those little stolen moments on the computer, writing even if only one sentence, made me believe that my life was not that bleak!


After all was said and done, even though I still don't know if this story is cursed or blessed, there are many positive things about it, indeed! The editing process was even better than the writing process, because Fortune presented me with an exclusive companion with whom I collaborated for several months. For if the sole purpose of the act of writing is that the text can be understood and loved by the reader, this mission was fulfilled in the editing process. No one can ask for more than this, am I right?!

All in all, these were three unforgettable yearsMore than three years spent meditating on the mystery of that love between those two characters… It took me three years to find out the reason I liked both of those characters so much… three years to find that the original authors had encrypted the answer to the meaning of life in that first book (and that Pilot) when Max reversed the connection!

Oh, what I would give to be able to go through these years all over again!


                                                         WE HAVEALWAYS BELIEVED!

19 de junho de 2015

The Thing About Companionship Is...

"Of course, you must know that every letter of yours will always give me pleasure, and you must be indulgent with the answer, which will perhaps often leave you empty-handed; for ultimately, and precisely in the deepest and most important matters, we are unspeakably alone; and many things must happen, many things must go right, a whole constellation of events must be fulfilled, for one human being to successfully advise or help another."

Rainer Maria Rilke – Letters to a Young Poet

13 de junho de 2015

Trechos do Desassossego (14)

O governo assenta em duas coisas: refrear e enganar. O mal desses termos lantejoulados é que nem refreiam nem enganam. Embebedam, quando muito, e isso é outra coisa.

Tudo quanto de desagradável nos sucede na vida - figuras ridículas que fazemos, maus gestos que temos, lapsos em que caímos de qualquer das virtudes - deve ser considerado como meros acidentes externos, impotentes para atingir a substância da alma. Tenhamo-los como dores de dentes, ou calos, da vida, coisas que nos incomodam mas são externas ainda que nossas, ou que só tem que supor a nossa existência orgânica ou que preocupar-se o que há de vital em nós. Quando atingimos esta atitude, que é, em outro modo, a dos místicos, estamos defendidos não só do mundo mas de nós mesmos, pois vencemos o que em nós é externo, é outrem, é o contrário de nós e por isso o nosso inimigo. Daí Horácio, falando do varão justo, que ficaria impávido ainda que em torno dele ruísse o mundo. A imagem é absurda, justo o seu sentido. Ainda que em torno de nós rua o que fingimos que somos, porque coexistimos, devemos ficar impávidos - não porque sejamos justos, mas porque somos nós, e sermos nós é nada ter que ver com essas coisas externas que ruem, ainda que ruam sobre o que para elas somos. A vida deve ser, para os melhores, um sonho que se recusa a confrontos.

A experiência directa é o subterfúgio, ou o esconderijo, daqueles que são desprovidos de imaginação. Lendo os riscos que correu o caçador de tigres tenho quanto de riscos valeu a pena ter, salvo o do mesmo risco, que tanto não valeu a pena ter, que passou. Os homens de acção são os escravos involuntários dos homens de entendimento. As coisas não valem senão na interpretação delas. Uns, pois, criam coisas para que os outros, transmudando-as em significação, as tornem vidas. Narrar é criar, pois viver é apenas ser vivido.

Nós outros todos, que vivemos animais com mais ou menos complexidade, atravessamos o palco como figurantes que não falam, contentes da solenidade vaidosa do trajecto. Cães e homens, gatos e heróis, pulgas e génios, brincamos a existir, sem pensar nisso (que os melhores pensam só em pensar) sob o grande sossego das estrelas. Os outros - os místicos da má hora e do sacrifício - sentem ao menos, com o corpo e o quotidiano, a presença mágica do mistério. São libertos, porque negam o sol visível; são plenos, porque se esvaziaram do vácuo do mundo.

Um homem pode, se tiver a verdadeira sabedoria, gozar o espectáculo inteiro do mundo numa cadeira, sem saber ler, sem falar com alguém, só com o uso dos sentidos e a alma não saber ser triste.


Bernardo Soares – Livro do Desassossego



6 de junho de 2015

Belmont Stakes de 2015



"Um cavalo feliz". Foi assim que o treinador Bob Baffert descreveu o seu cavalo um dia antes da prova que o tornaria na super-estrela do ano do Desporto de Reis.

Aconteceu enfim o que muitos diziam que não voltaria a acontecer! American Pharoah venceu o Belmont Stakes (G1) e, consequentemente, a Triple Crown, quebrando um enguiço de 36 anos.

Com apenas sete oponentes, o filho de Pioneerof the Nile tomou rapidamente a dianteira e conduziu toda a corrida. Apenas três potros o desafiaram durante o longo percurso de 2.400 metros: Materiality (vencedor do Florida Derby (G1)), Mubtaahij Frosted (vencedor do Wood Memorial (G1)), mas nenhum chegou realmente perto dele e ele venceu facilmente por 5 comprimentos e meio, em 2:26.65 – um segundo mais rápido que o anterior campeão da Triple Crown! Já o último quarto de milha foi percorrido em 24 segundos e 32 centésimos, mais rápido que os 25 segundos do grande Secretariat em 1973

O criador e proprietário do potro, Ahmed Zayat, sentiu que o seu cavalo estava pronto assim que ele entrou na gigantesca pista de Nova Iorque. Na entrevista após a corrida, Zayat confirmou que dissera à sua esposa "Prepara-te para seres a dona do 12º campeão da Triple Crown".

Depois da corrida, Zayat disse a todos que "fizera uma promessa à família e principalmente aos fãs" de manter o seu cavalo em treino e terminar a temporada de 2015. "Devemos ter as nossas estrelas connosco o máximo de tempo possível."

Podem ver a corrida e a entrega dos troféus aqui:




Parabéns às ligações de American Pharoah pela vitória no Belmont Stakes (G1) de 2015 e à tão cobiçada e gloriosa Triple Crown!


16 de maio de 2015

Preakness Stakes de 2015


Ahmed Zayat, o dono de American Pharoah nem queria acreditar quando viu o seu potro cruzar a linha da meta da pista de Pimlico e ganhar a segunda jóia da Triple Crown, o Preakness Stakes (G1). por sete comprimentos em 1:58.45. 

O potro de três anos montado por Victor Espinoza e treinado pelo célebre Bob Baffert tomou a dianteira da corrida assim que saiu do portão e não fez mais do que demarcar-se dos seus competidores. No topo da última curva, já levava 4 comprimentos de vantagem e terminou o seu percurso sem competição, tranquilo, ignorando a chuva, vencendo facilmente a corrida numa pista completamente encharcara. 

Após a corrida, Baffert elogiou o seu pupilo equino: "Ele é um cavalo incrível. Ele faz coisas extraordinárias. Os grandes cavalos alcançam grandes feitos e acho que hoje ele provou isso."

E após uma vitória fácil destas, o que é que falta? Nova Iorque, claro! Falta o Belmont Stakes (G1)… O dono do potro, Ahmed Zayat, já sonha com a Triple Crown. (Não sonhamos todos?!)

Desde 1978 – quando Affirmed venceu o seu rival Alydar – que nenhum potro alcança a glória suprema da Triple Crown. Sim, há 36 anos que os fãs das corridas de cavalos têm um gosto amargo na boca de pesadas derrotas (entre anos em que nem se pensa nisso, e anos em que um cavalo ganha as duas primeiras jóias da Coroa, mas não consegue vencer a terceira) e quase-vitórias que acabam em lágrimas na pista nova iorquina. 

Victor Espinoza perdeu a edição de 2014 da Triple Crown com California Chrome. O dono do animal, aliás, fez um escabeche depois da sua amarga derrota, acusando os outros participantes de serem cobardes por só correrem numa das três corridas.

Não é à toa que chamam ao Belmont Stakes o "teste dos campeões": é a última corrida do trio, a mais longa (2.400 metros que nenhum cavalo alguma vez percorreu ou voltará a percorrer na sua carreira) e o calendário de três corridas em seis semanas é muito apertado (os cavalos de hoje só correm uma vez por mês). Ele disse que, nestas condições, nenhum outro cavalo vencerá a Triple Crown. 

É um desafio muito difícil. É suposto ser difícil! Apenas 11 cavalos conseguiram esse feito. Mas é preciso dizer que (contrariamente ao que disse esse senhor) dos onze potros que triunfaram, todos eles correram contra outros potros que não tinham participado nas anteriores jóias e, portanto, estavam menos cansados do que eles. Há onze exemplos que provam que um cavalo pode vencer este desafio, mesmo contra todas as probabilidades. Tem é de ser o melhor!

Será que American Pharoah é o melhor cavalo?

Enquanto esperamos por saber a resposta, fica aqui o vídeo da segunda jóia da Coroa.




Parabéns às ligações de American Pharoah pela vitória no Preakness Stakes (G1) de 2015!


14 de maio de 2015

Happy Anniversary

No Dreamer I've known of has anything but absolute love for the proposal scene in Graduation. Using a Superman trick was a stroke of genius.

Graduation (Season 3)


Why write this scene if they were going to make it anything short of epic?! I thought the Pilot was "it", you know? A veni, vidi, vicci, kind of thing... There was nothing better than that connection between Max and Liz. But, apparently, the writers were saving the best for last with this wondrous moment!


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Max and Liz's relationship demanded a leap of faith that most people today would be unable to give. We're not talking about your average relationship… It was built upon a kind of sacrifice which our modern world's cynicism just gives no importance to. Max and Liz gave their lives to each other. They renounced everything that was easy, everything that was common, every temptation of the path of least resistance, in favor of the greatest reward. Their iron conviction in their love gave them the courage to devote themselves to each other, despite all the obstacles. 

                             

You must have a very clear idea of what you want in your life, and a love so bulletproof that allows you to say 'to hell with the world, we're gonna do this!

"Everloving" deals with their courage to take that step, and their love for each other.

Read the story here




         WE HAVEALWAYS BELIEVED!

13 de maio de 2015

A (Não) Morte

Agora que estou quase na morte e vejo tudo já claro,
Grande Libertador, volto submisso a ti.
Sem dúvida teve um fim a minha personalidade.
Sem dúvida porque se exprimiu, quis dizer qualquer coisa
Mas hoje, olhando pra trás, só uma ânsia me fica —
Não ter tido a tua calma superior a ti-próprio,
A tua libertação constelada de Noite Infinita.
Não tive talvez missão alguma na terra,



E se todos ligam pouca importância à morte, nem conseguem
Sofrendo, ter verdadeiramente a concentração de sofrer,
É que a vida não crê na morte, é que a morte é nada.
Embandeira em arco, a todas as cores, ao vento
Sob o grande céu luminoso e azul da terra...
Danças e cantos,
Músicas alacres,
Ruídos de risos e falas, e conversas banais,
Acolham a morte que vem, porque a morte não vem,
E a vida sente em todas as suas veias,
O corpo acha em tudo o que nele é alma,
Que a vida é tudo, e a morte é nada, e que o abismo
É só a cegueira de ver,
Que tudo isto não pode existir e deixar de existir,
Porque existir é ser, e ser não se reduz ao nada.
Ah, se todo este mundo claro, e estas flores e luz,
Se todo este mundo com terra e mar e casas e gente,
Se todo este mundo natural, social, intelectual,
Estes corpos nus por baixo das vestes naturais,
Se isto é ilusão, porque é que isto está aqui?
Ó mestre Caeiro, só tu é que tinhas razão!
Se isto não é, porque é que é?
Se isto não pode ser, então porque pôde ser?
Acolhei-a, ao chegar,
A ela, à Morte, a esse erro da vista,
Com os cheiros dos campos, e as flores cortadas trazidas ao colo,
Com as romarias e as tardes pelas estradas,
Com os ranchos festivos, e os lares contentes,
Com a alegria e a dor, com o prazer e a mágoa,
Com todo o vasto mar movimentado da vida.
Acolhei-a sem medo,
Como quem na estação de província, no apeadeiro campestre,
Acolhe o viajante que há-de chegar no comboio de Além.
Acolhei-a contentes,
Crianças cantando de riso, corpos de jovens em fogo,
Alegria rude e natural das tabernas,
E os braços e os beijos e os sorrisos das raparigas.
Embandeira em arco a cores de sangue e verde,
Embandeira em arco a cores de luz e de fogo,
Que a morte é a vida que veio mascarada,
E o além será isto, isto mesmo, noutro presente
Não sei de que novo modo diversamente.
Gritai às alturas,
Gritos pelos vales,
Que a morte não tem importância nenhuma,
Que a morte é um [suposto?],
Que a morte é um (...)
E que se tudo isto é um sonho, é a morte um sonho também.


–– Álvaro de Campos


2 de maio de 2015

Kentucky Derby de 2015


American Pharaoh, filho do garanhão Pioneerof the Nile e da égua Littleprincessemma, venceu a edição deste ano do Kentucky Derby (G1).  Este potro criado por Ahmed Zayat e treinado por Bob Baffert foi o melhor cavalo de 2 anos em 2014, embora não tenha competido na Breeders' Cup por motivos de saúde. Já não se via um potro que tinha sido campeão aos dois anos ganhar o Kentucky Derby desde Street Sense ter conseguido esse feito em 2007.

Dos 18 participantes do Kentucky Derby de 2015, Dortmund foi o primeiro a chegar à frente do pelotão.  Durante a primeira milha, American Pharaoh estava entre os quatro primeiros do grupo. Após mil e seiscentos metros, três potros demarcavam-se do resto da manada: Firing LineDortmund e American Pharaoh

Victor Espinoza, o jóquei a bordo do filho de Pioneerof the Nile vencera a edição anterior de 2014 com California Chrome e voltou a ganhar com American Pharaoh. por um comprimento, em 2:03.02.

Aqui está o vídeo da corrida.



Parabéns às ligações de American Pharoah pela vitória no Kentucky Derby (G1) de 2015!


16 de abril de 2015

"Everloving" sneak peak

"Uh… yeah… I wanted to show you…" Liz walked into her bedroom, emerging shortly after with two papers in her hand. She handed him one.

"What's this?"

"Come here." Tenderly, she took his hand and guided him to the telescope. She set the coordinates that she knew by heart while he read the paper. His curiosity piqued when he saw the words 'Star Registry', 'Max', 'Liz', and a set of coordinates. "Take a look." Max looked through the telescope and was staggered by the sight: in the dark wilderness of the Cosmos, he gazed at a small region of enchanting light, with the brightest stars he had ever seen.

"Liz!…"

"Did you find them?" She smiled in anticipation.

"If you're referring to the brightest of the bunch, yes."

"It's a binary system. To the naked eye, it looks just like one big star. The first time I noticed them was when you saved my life at the Crashdown… that tiny speck of light in the infinite dark sky… It was there when you allowed me to say goodbye to my grandmother; it was there when we first kissed; it was there when we took a step back; it was there that night we went to the desert to find the orb; it was there when we jumped off the bridge; it was there when you serenaded to me…"

Her dreamy voice trailed off… Max's memories of all of those moments flashed before his eyes with the binary pair as background, and he had to smile, reliving every emotion she evoked in his heart. "You decided to register them in our name," he finished her thought, softly.

"It felt like a good investment." Liz replied in the same tone.

"Investing in eternity…!" Max chuckled.

"Yeah…" They were both lost in the majesty of that celestial sight.