25 de abril de 2014

As Portas de Abril




AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU

Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.

Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.

Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da serviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.

Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.

Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.

Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.

Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
já era a liberdade.

Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.

Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação

uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com que a força da vida
seja maior do que a morte.

Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.

Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.

Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.

Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.

Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
– pode nascer um país
do ventre duma chaimite.

Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
– é força revolucionária!

Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.

Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
povo é quem mais ordena.

E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.

Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.

Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão.
Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.

Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer.

E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.

Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.

Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.

Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.

Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.

Mas eram olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.

E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.

E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.

A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que se
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.

Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.

E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideais
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.

Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio fazia
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.

Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.

E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.

Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.

Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.

Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.

Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.

Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
— cumpriu-se a revolução.

Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.
Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos 
uma alternância de terços 
entre ricaços e bufos.
E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.

Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes 
dos combates em campanha.

E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal.

Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opõe àqueles que o firam
consciência nacional.

Os tais homens que souberam
fazer a revolução 
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.

Os que viram claramente
e com os cinco sentidos 
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.

Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.

Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.

Dai ao povo o que é do povo 
pois o mar não tem patrões.
– Não havia estado novo
nos poemas de Camões!

Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.

Foi este lado da história 
que os capitães descobriram
que ficará na memória 
das naus que de Abril partiram

das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.

Por saberem como é
ficaram de pedra e cal 
capitães que na Guiné 
descobriram Portugal.

E em sua pátria fizeram 
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios 
para o trabalho crescer. 
Guindastes portos navios 
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios 
dum país que vai nascer.

Mesmo que seja com frio 
é preciso é aquecer 
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser

pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar 
de muitíssimas maneiras.

No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho 
na Beira com requeijão 
e trocando agora as voltas 
ao vira da produção 
no Alentejo bolotas 
no Algarve maçapão 
vindimas no Alto Douro 
tomates em Azeitão 
azeite da cor do ouro 
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro 
nos campos do Baleizão. 
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!

É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.

Quem a fez era soldado 
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

De tudo o que Abril abriu 
ainda pouco se disse
um menino que sorriu 
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos 
vales socalcos searas 
serras atalhos veredas 
lezírias e praias claras 
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava 
a sua própria grandeza! 
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse 
e só nos faltava agora 
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.

Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz 
e o braço de Portugal.

Ouvi banqueiros fascistas 
agiotas do lazer 
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas 
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder! 
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra 
que em boa hora o pariu 
agora ninguém mais cerra 
as portas que Abril abriu!

–– Ary dos Santos



23 de abril de 2014

The Reunion Is On!


I've noticed this interesting phenomenon: from time to time there are outpourings of support for aRoswell movie from tweeters to the actors of the show. Although not in the habit of doing that myself, I've blogged about the Roswell movie petition and the possibility of a movie a while back. 

But things have changed a lot since my last post about a Roswell movie. Information is now official that the reunion that the fans have been waiting for many years is in place at ATX Television Fest in June. 

According to TheWrap, Shiri Appleby, Nick Wechsler, Brendan Fehr and show creator Jason Katims (“Friday Night Lights,” “Parenthood”) will be reuniting during a session at the TV festival held in Austin, Texas from June 5-8. From now to June, every fan hopes that more actors will join the panel. This reunion alone is a dream come true for many.



Who know what can happen after this?



I think the movie is but one option – what I would really like is to have Roswell back, in any capacity – a motion picture, a forth season, a mini-series, or even a documentary. 

But all of these (haha, pardon the Freudian slip), I mean, any of these possibilities could only be viable if the original cast was involved. Yes, even Emilie de Ravin. (What!? Ava is not dead!) Absent that, I wouldn't look forward to any possibility. 

Since I don't work in the medium, I am clueless about which of these possibilities is more viable than the other. Or the most expensive, for that matter. But I can muse about it, free of charge. 

As I'm writing this, all of the actors are involved in projects of their own. This is important on the list of priorities, if we wish to have the main cast involved in any Roswell-related endeavor. 

Assuming that the main players would all be willing to work together again, which of those options would be most likely?

Let's see... A movie takes a relatively short time to shoot (compared to a full season) so I think it would be possible to reunite the cast around such a project. But what script could bring the actors back? Turning Pursuit and Turnabout into a script could be a good idea for a feature film, since the books are considered part of the canon. Of course, Roswell is not short of great stories to tell, if the scriptwriters turn their imagination loose. 

A full Tv season that has 22-24 episodes takes about ten months to shoot. Anyone familiar with the routine of a tv actor knows how demanding the shooting schedule is for everybody. I'm talking about very long workdays. Unless all the actors were sitting on their hands and desperate for work, I think it's very difficult getting them all together again like this. If there was no problem getting the team back together, there would be no shortage of stories to tell in a fourth season. Jason Katims' original plan seems pretty good – the kids on the road doing good deeds and avoiding the law. 

One way of making all of this a lil' bit more actor friendly, could be making a mini-series, rather than a full season. You don't really need more than ten episodes to tell a terrific story and the schedule is almost certainly more accessible to our cast. I don't know which project takes more time – whether the movie or the mini-series – but I think either one would be a great idea!

Of course, there's another possibility, as remote as it may sound – the documentary. As I have said before, the show left many gaps in the narrative and there was so much happening behind the scenes that a documentary about the making-of the show could be welcomed by the fans. The advantage of this type of project is that the schedule would be minimal for the actors, the show-runners and "the suits" – it could be done individually and at their convenience, which would be good for them and good for the fans. It would be funny if a Roswell documentary could be directed by Shiri Appleby – since she's been 'warming up' for the task for a while now.

Anyway, let's focus on our long-awaited reunion for now. There will be plenty of time to dream later.

WE WANTTO BELIEVE!

18 de abril de 2014

Tomorrow Machine Today

No outro dia, ao ler o título de uma notícia, senti uma maravilhosa pontada no coração e sei que muitos de vós também a sentirão, pois não há muita gente no mundo que goste de desperdiçar água e tempo a lavar a loiça. 

imagine que acabou de comer uma belíssima refeição e se apercebe que, após despejar os restos no lixo, não há qualquer vestígio da comida no prato. Está completamente limpo! Impossível?

O futuro é agora para uma equipa de designers suecos, os Tomorrow Machine, que inventaram loiça a cuja comida não fica agarrada. Esta loiça futurística é impermeável, o que significa que nunca se suja. Esta camada impermeável é, na realidade, uma cera especial que repele a sujidade do prato.

No mundo em que se vive, é uma belíssima ideia ter algo que nos permita comer, e que nos poupe na conta da electricidade, da água e dos gastos com detergentes.

Já agora, eles podiam também inventar roupa que se lavasse sozinha.

E o mundo seria perfeito!

13 de abril de 2014

Trechos do Desassossego (7)

Toda a vida é um sonho. Ninguém sabe o que faz, ninguém sabe o que quer, ninguém sabe o que sabe. Dormimos a vida, eternas crianças do Destino.

Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar.

Tudo em nós é acidente e malícia, e esta altura que temos, não a temos; não somos mais altos no alto do que a nossa altura. Aquilo mesmo que calcamos, nos alça; e, se somos altos, é por aquilo mesmo de que somos mais altos. Respira-se melhor quando se é rico; é-se mais livre quando se é célebre; o próprio ter de um título de nobreza é um pequeno monte. Tudo é artifício, mas o artifício nem sequer é nosso. Subimos a ele, ou levaram-nos até ele, ou nascemos na casa do monte.

Pobres das esperanças que tenho tido, saídas da vida que tenho tido de ter! São como esta hora e este ar, névoas sem névoa, alinhavos rotos de tormenta falsa. Tenho vontade de gritar, para acabar com a paisagem e a meditação. Mas há maresia no meu propósito, e a baixa-mar em mim deixou descoberto o negrume lodoso que está ali fora e não vejo senão pelo cheiro.

Tudo me cansa, mesmo o que me não cansa. A minha alegria é tão dolorosa como a minha dor. [...] Entre mim e a vida há um vidro ténue. Por mais nitidamente que eu veja e compreenda a vida, eu não lhe posso tocar. Raciocinar a minha tristeza? Para quê, se o raciocínio é um esforço? E quem é triste não pode esforçar-se. Nem mesmo abdico daqueles gestos banais da vida de que eu tanto quereria abdicar. Abdicar é um esforço, e eu não possuo o de alma com que esforçar-me. [...] Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda-chuva contra um raio. [...] Por mais que por mim me embrenhe, todos os atalhos do meu sonho vão dar a clareiras de angústia. Mesmo eu, o que sonha tanto, tenho intervalos em que o sonho me foge, então as coisas aparecem-me nítidas. Esvai-se a névoa de que me cerco. E todas as arestas visíveis ferem a carne da minha alma. Todas as durezas olhadas me magoam o conhecê-las durezas. Todos os pesos visíveis de objectos me pesam por a alma dentro. A minha vida é como se me batessem com ela.


Bernardo Soares – Livro do Desassossego



10 de abril de 2014

Spy Among Us

In the beginning of October, paranoia loomed large in West Roswell High. Max, Michael and Isabel had always been careful about keeping their otherworldly existence hidden but when Liz and Maria found out about them, they were openly paranoid. 

Kathleen Topolsky is a Math teacher who doesn't know Math very well, she takes attendance (even though she's a simple substitute teacher) and she carries a lot of students' files – including Michael's. Liz naturally becomes suspicious about her. Maria all the more so.


Max and Liz finally talk about their suspicions when Miss Topolsky gets a basic Math problem wrong Max hears what she has to say, not wanting to jump to conclusions about the whole 'spy among us' theory.

Despite the danger, it's a tender moment between Max and Liz, as the boy realizes just how much she wants to protect them all from danger.

This moment set the tone as being the first moment in which Liz turns out to be right about a theory.



Disclaimer: Written for love, not for profit. The characters do not legally belong to me. They belong to: Melinda Metz and Laura Burns who created them, Jason Katims who developed them, 20th Century Fox Television and Regency Television who produced them and the WB and UPN who broadcasted them.
Images taken from Google search.

After class, Max and Liz stayed behind, in the hallway, to talk about what had happened. Liz told him everything she had witnessed with Miss Topolsky, regarding Michael’s file. “But she pulled other students’ records,” he said, trying to understand what was going on. “Well, yeah, but the point is that she pulled Michael’s.” Liz insisted. “How many others were there?” “I don’t know, maybe 10.” “Well, 10’s a lot,” he replied. Maybe it’s not so strange after all. It’s not like she’s singling him out, Max thought. “OK it might have only been 5. I’m not sure how many there were,” Liz said. She wanted to be thorough: if Michael’s life was at stake, they couldn’t afford any mistakes. “You can’t just show up at Michael’s and get him riled up like that. You don’t know him. He’s not big into "let’s go over our options." He acts on things.” Max said. He knew that her heart was in the right place, but there was still a lot that Liz didn’t know about them... “Look, I’m sorry, I just thought that Michael was in danger and that I’d better tell him.” “In danger of what,” Max asked, wondering if Liz really had something on Topolsky, or if she was just being overly cautious. Her answer didn’t convince him. “I don’t know. I have no idea.” Liz caught a glance at one of the students walking through the hall and lowered her voice. Reacting to Liz’s cue, Max also spotted the student. His heart jumped. What did that guy hear? Was he watching them? It’s just a student going about his day. Not threatening to anybody, he told himself. “Look, I am just saying that if there is a spy among us, don’t you think it behooves us to do something about it?” “Spy?” “Well yeah-” “Liz-” “No, Max, that sort of thing exists, doesn’t it? There’s like special branches of the government... alien hunters, you know, that sort of thing,” she said, giving some credence to Maria’s hypothesis. “So you think Miss Topolsky is an alien hunter,” Max asked. His tone barely masked his disbelief. “When you say it like that, it sounds ridiculous,” she said. She hoped it was as ridiculous as it sounded, but she was afraid for Max and the others. Something that Max understood perfectly. He had lived all his life looking over his shoulder, suspicious of his own shadow, fearing everyone. Everyone, but Liz, of course. And here she was proving to him, yet again, why he had trusted her with his secret. “Liz, thank you, you know, for looking out for us,” he said, moved by her concern. “But we have to go on with life as it was before this happened. And we have to be careful now. All of us. You, too.” Liz nodded. There was something reassuring about Max’s tone that soothed her heart. 
     Max and Liz went their separate ways. Something caught his attention while he was walking through the hallway. There she was. Miss Topolsky shaking hands and sharing smiles with Sheriff Valenti. Why would a substitute teacher be so friendly with the Sheriff?! Max turned around, before they could see him staring at them. He had to talk to Liz about this as soon as possible.

WE WANTTO BELIEVE!

5 de abril de 2014

A Importância da Cultura

"Um País que não tenha Cultura, não tem identidade, porque a Cultura é a arma mais discreta e subtil que um País pode ter."

–– Henrique Feist (actor/encenador/cantor)

31 de março de 2014

O Melhor Ouvinte



Desde a minha meninice que oiço dizer que os cães compreendem o que sentimos (muito melhor do que outras pessoas). 

Com o passar dos anos, fui-me apercebendo que a sabedoria popular acertara mais uma vez. Ou isso, ou o meu cão estava envolvido numa intrincada conspiração para dar razão à teoria de que os cães nos conhecem como ninguém (incluindo nós mesmos).

Sim, em muitos e bons anos de convivência, sem voluntárias confissões da minha parte, o meu cão deu provas de uma compreensão profunda sobre mim.

Agora sei porquê. Finalmente! Graças a investigadores húngaros do centro de investigação etnológico MTA-ELTE e pela Universidade Eotvos Loránd. Segundo o estudo feito por eles, os cérebros dos cães e dos humanos são muito parecidos.

Quando um cão ouve a voz humana, são activadas certas áreas do cérebro, semelhantes às dos humanos. Este estudo publicado na revista científica Current Biology conclui que "em ambas as espécies, é ativada uma região próxima do lobo temporal, onde se observa uma reação mais intensa sempre que é ouvido um som considerado 'feliz'". 

Um grupo de cães e de humanos foram testados numa ressonância magnética enquanto eram submetidos a sons humanos – felizes e tristes. O estudo concluiu que os nossos cérebros e os dos nossos melhores amigos são curiosamente parecidos. 

"As nossas descobertas sugerem que [os cães e os humanos] utilizam também mecanismos cerebrais semelhantes para processar informações sociais, o que pode apoiar o sucesso da comunicação vocal entre as duas espécies", conta o coordenador do estudo, Attila Andics.

Claro que os cães têm respostas mais fortes no que toca aos seus pares. Os humanos, também! Mas os cães reagem mais a sons não vocais do que os humanos. 

Esta é uma nova porta que se abre para os investigadores perceberem como é que o nosso melhor amigo interage connosco. 

Uma coisa é certa: com uns ouvidos mais sensíveis e um nariz (infinitamente) mais sensível do que o dos humanos, não é de admirar que os nossos amigos nos conheçam como nenhum amigo humano alguma vez será capaz!

26 de março de 2014

Twain's best quotes


Estas são as 25 melhores citações de Mark Twain, de acordo com o site Flavorwire. Eu não sei porquê... mas não consigo resistir a partilhar. O génio deste homem merece ser partilhado, não é? Aqui têm.


“Reader, suppose you were an idiot. And suppose you were a member of Congress. But I repeat myself.”

“In the first place God made idiots. This was for practice. Then he made school boards.” — Following the Equator

“The political and commercial morals of the United States are not merely food for laughter, they are an entire banquet.” — Mark Twain in Eruption

“I am quite sure now that often, very often, in matters concerning religion and politics a man’s reasoning powers are not above the monkey’s.” — Mark Twain in Eruption

“It is just like man’s vanity and impertinence to call an animal dumb because it is dumb to his dull perceptions.” — What is Man?

“This is the day upon which we are reminded of what we are on the other three hundred and sixty-four.” — On April Fool’s Day,Pudd’nhead Wilson’s Calendar

“Concerning the difference between man and the jackass: some observers hold that there isn’t any. But this wrongs the jackass.” — Notebook (1898)

“Jane Austen? Why I go so far as to say that any library is a good library that does not contain a volume by Jane Austen. Even if it contains no other book.” — Remembered Yesterdays

“It is full of interest. It has noble poetry in it; and some clever fables; and some blood-drenched history; and some good morals; and a wealth of obscenity; and upwards of a thousand lies.” — On the Bible, Letters from the Earth

“There has been only one Christian. They caught him and crucified him — early.” — Notebook (1898)

“I have damaged my intellect trying to imagine why a man should want to invent a repeating clock, and how another man could be found to lust after it and buy it. The man who can guess these riddles is far on the way to guess why the human race was invented–which is another riddle which tires me.” — On cuckoo clocks, Letter to Henry H. Rogers (1894)

“I like criticism, but it must be my way.” — Autobiography of Mark Twain

“Whenever a copyright law is to be made or altered, then the idiots assemble.” — Mark Twain’s Notebook, 1902-1903

“Nothing agrees with me. If I drink coffee, it gives me dyspepsia; if I drink wine, it gives me the gout; if I go to church, it gives me dysentery.” — Letter to Henry H. Rogers (1905)

“Everything human is pathetic. The secret source of humor itself is not joy but sorrow. There is no humor in heaven.” — Following the Equator

“All you need in this life is ignorance and confidence, and then success is sure.” — Notebook (1887)

“I like a good story well told. That is the reason I am sometimes forced to tell them myself.” — Speech (1907)

“What is the difference between a taxidermist and a tax collector? The taxidermist takes only your skin.” — Notebook (1902)

“I thoroughly disapprove of duels. I consider them unwise and I know they are dangerous. Also, sinful. If a man should challenge me, I would take him kindly and forgivingly by the hand and lead him to a quiet retired spot and kill him.” — Autobiography of Mark Twain

“Sanity and happiness are an impossible combination.” — The Mysterious Stranger

“The more I learn about people, the more I like my dog.”

“Fleas can be taught nearly anything that a Congressman can.” — What Is Man?

“All human rules are more or less idiotic, I suppose. It is best so, no doubt. The way it is now, the asylums can hold the sane people, but if we tried to shut up the insane we should run out of building materials.” — Following the Equator

“France has neither winter nor summer nor morals — apart from these drawbacks it is a fine country.” — Mark Twain’s Notebook

“All good things arrive unto them that wait and don’t die in the meantime.”

21 de março de 2014

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Fernando Pessoa regressa à 'Big Apple' de 23 a 27 de Março. Intitulada Fernando Pessoa and the Peripheral Modernisms, esta iniciativa pretende "celebrar a vida e obra de Fernando Pessoa", assim o disse a presidente do Arte Institute, Ana Ventura Miranda.

No domingo, no Hotel Gershwin, haverá uma palestra dada pela Professora Isabel Gil sobre a relação de Pessoa com o cinema. Depois, será exibido o filme "Sunrise: A Song of Two Humans".

Na segunda-feira, Isabel Gil estará na Rutgers University para falar sobre o poeta luso.

No último dia (27), Ellen Sapega dará uma palestra na Poets House, em Nova Iorque.

Espero que todos os meus amigos Norte-americanos possam assistir a esta semana Pessoana e que se divirtam muito!