1 de abril de 2020

Ensaio sobre a Loucura

“Nos perigos grandes, o temor é muitas vezes maior que o perigo.” 

– Luís de Camões

Estamos todos de joelhos perante o Sars-CoV-2. 

Este vírus paralisou o mundo inteiro e fez disparar as vendas do Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago e d’ A Peste do Albert Camus! 

O que é que isto significa para a espécie humana?

Hoje será renovado o estado de emergência que o Presidente declarou no dia 13 de Março. 

Os portugueses já estão em quarentena voluntária há quinze dias

Até à data, já morreram 187 pessoas, 43 recuperaram e ainda há 8.251 pessoas infectadas com o COVID-19. A nível global, há 932.605 pessoas infectadas em 180 países.

Este é o maior pesadelo da Humanidade: um vírus desconhecido, fatal, com um períolo longo de incubação, a viajar num hospedeiro que viaja pelo planeta em 24 horas.

Coronavírus há muitos! A maioria destes vírus tem como hospedeiros animais como morcegos, camelos e pangolins, e provoca constipações simples nos seres humanos. Este é o terceiro depois do SARS e do MERS. Os médicos cedo perceberam que este coronavírus não se comportava como os demais e lançaram o alarme para a comunidade médica.

O que aconteceu depois é história. Os primeiros médicos que reportaram os casos de pneumonia atípica foram desvalorizados, repreendidos e silenciados pelo “Big Brother”. Alguns morreram, outros desapareceram misteriosamente.   

Quando este vírus começou a espalhar-se, o “Big Brother” ludibriou todo o mundo, manipulando os números e assegurando a OMS de que o vírus não era tão perigoso quanto se pensava, o que levou a organização e os países que começaram a ser afectados a não aplicar medidas sérias para travar a doença. 

Enquanto países como a Coreia do Sul e o Japão aplicaram a experiência adquirida com a SARS e a MERS e tomaram as medidas necessárias para lidar com o COVID-19, a região de Macau fechou-se sobre si mesma e conteve rapidamente o vírus. 

Muito se falou sobre a solução encontrada por Macau, mas a realidade é que esta região tem cerca de 640 mil habitantes, sendo mais fácil de implementar medidas robustas como fechar os casinos e as escolas por dois meses, uma quarentena de 14 dias e uso obrigatório de máscaras quando se sai de casa.

O modelo da Coreia do Sul devia servir para o resto do mundo: um político que inspirou confiança nos cidadãos, instituiu a massificação de testes, uma boa higiene respiratória e uma boa higienização das mãos. Claro que nenhum sistema é perfeito e a própria Coreia do Sul tem o seu paciente 31’, mas continua a ser o melhor modelo que se conhece para travar a expansão deste vírus.

Penso que todos podemos concordar que isto não é “só uma gripezinha” nem “um resfriadinho”. Não  ataca só velhinhos. É um vírus dinâmico, que saltou de uma espécie para outra, que se adapta com grande facilidade com mudanças do clima. 

Como é que se trava isto? Começo a perguntar-me se, a esta altura, ainda é possível travá-lo… Ao ritmo a que ele já se espalhou, não sei se ainda será possível contê-lo e erradicá-lo de circulação. É bem que possível que a espécie humana tenha de aprender a conviver com o COVID-19, como tem de conviver com tantos outros vírus mortais. 

O plano de ter o mundo inteiro de quarentena era precisamente de tentar conter e erradicar o vírus. O plano B era tentar contê-lo por tempo suficiente até os cientistas conseguirem encontrar um tratamento ou uma vacina e simultaneamente não entupir os serviços de saúde com vítimas do vírus. O problema grande deste vírus é que não é possível isolar todos os idosos e esperar que fique tudo bem. Muita gente vai adoecer ao mesmo tempo. Os serviços de saúde entupidos’ farão com que os médicos adoeçam e não haja capacidade para cuidar dos outros doentes que já hospitalizados e que também podem sofrer com esta pandemia. 

Muitas vozes se têm erguido na questão que está na mente te todos os cidadãos que ficam em casa impedidos de trabalhar: o que é que vai acontecer à economia? A expressão: “Não podemos morrer do mal, mas também não podemos morrer da cura” já foi usada para impelir os governantes a não paralisarem a economia, sob pena de uma recessão global sem precedentes. 

A pensar na economia, alguns governantes do norte da Europa advogaram algo parecido com darwinismo social — deixar toda a gente ir trabalhar, deixar o vírus propagar-se naturalmente, matando os fracos, poupando os fortes e imunizando os resistentes. A falha desta teoria é que sem pessoas vivas, não há economia que subsista.

A verdade é que a Coreia do Sul já demonstrou que não é preciso paralisar toda a economia, nem manter as pessoas em quarentena permanente. É possível que nenhum país tivesse de adoptar medidas tão extremas. Os cidadãos não teriam de açambarcar papel higiénico e outros bens, todos poderiam sair à rua e trabalhar – contanto que usassem máscaras, se mantivessem a uma distância segura e desinfectassem as mãos. Essa é a combinação que permite atrasar a proliferação do vírus.

O “Big Brother” inventa teorias da conspiração para parecer bem, mente descaradamente sobre o número de mortos, mas qualquer pessoa de bom senso não pode esperar transparência e honestidade dos camaradas de Oceania. Todos os ‘Winston Smith’ que deram o alarme sobre este vírus foram declarados culpados por ‘crimideias’ e transformaram-se em ‘impessoas’. Imagino que os seus restos estejam nas entranhas do Ministério do Amor, enquanto os camaradas de Oceania “ajudam” o resto do mundo a passar por esta terrível crise. O amor do “Big Brother” é ilimitado e pouco a pouco vai engolindo o mundo inteiro. 

Enquanto a Europa é devastada pelo COVID-19, os governantes do norte insistem em mostrar a sua peculiar solidariedade, acusando os países do sul de estarem impreparados para lidar com a crise “por gastarem todo o dinheiro em copos e mulheres”. Outra vez! A Itália e a Espanha têm o maior número de mortes, mas a Holanda e a Alemanha olham para o lado e assobiam, talvez à espera de ter mais uma crise global com a qual possam lucrar, tal como já fizeram com a crise das dívidas soberanas.

Os Estados Unidos serão os últimos a ser atingidos por esta pandemia e, com um arlequim à frente do país, vão sofrer mais do que a Ásia e a Europa juntas. Enquanto o arlequim diverte os cidadãos na televisão, os norte-americanos estão a gozar as férias da Páscoa na Florida. O que ele (e outros como ele) continuam a dizer é que a gripe mata mais pessoas que o COVID-19 e ninguém entrou em quarentena com a pandemia de H1N1. O medo da gripe H1N1 era legítimo: afinal, o vírus era da mesma estirpe da Gripe Espanhola! Mas havia uma vacina e todos os cuidados foram tomados. Mesmo assim, morreu muita gente. O que o arlequim nunca diz aos seus cidadãos é que não há vacina nem anti-virais para o COVID-19. Este vírus é totalmente desconhecido da nossa espécie.  

E o que dizer do Brasil? Aquele papagaio sem penas da presidência grita a toda a gente que vá trabalhar, que o vírus é só um “resfriadinho”, que os seus cidadãos não têm de se preocupar... e é triste ver que os traficantes das favelas têm mais bom senso do que ele
  
Este mapa da Universidade Johns Hopkins tem um registo actualizado do desenvolvimento do COVID-19 pelo mundo e é interessante comparar os números dos vários países e perguntarmos porque é que o Japão e a Coreia do Sul têm aqueles números, sendo que foram dos primeiros países afectados pela pandemia. Quais são as suas práticas, que o resto do mundo devia adoptar?   

Era bom que a DGS tivesse dito a verdade toda aos portugueses desde o início: na ausência de testes e de material de protecção que satisfaça as necessidades de todos os cidadãos, a única forma de combater este vírus é ouvir os pedidos dos médicos e ficar em casa tanto tempo quanto possível, para não sobrecarregar o já frágil SNS.


De resto, o facto da nossa curva não ser igual à da Itália ou da Espanha é motivo de esperança. Os nossos governantes tomaram as medidas necessárias e atempadas para evitar a catástrofe total. A melhor ajuda que podemos dar aos nossos médicos, que estão nas trincheiras desta guerra, não é aplausos, mas sim ficar em casa.

28 de janeiro de 2020

Uma Aventura Sinfónica

No dia 18 de Julho, Portugal vai receber um evento único na Altice arena promovido pela Film Symphony Orchestra S.L.

  

Um projecto sinfónico e visual vai combinar a magia do som com a magia da animação do épico criado por Akira Toriyama, tudo com tecnologia de ponta.

Haverá ainda efeitos sonoros das várias séries de Dragon Ball.

Hiroki Takahashi é o cantor deu voz a vários temas de Dragon Ball: Makafushigi Adventure e Mezase Tenkaichi e de Dragon Ball Z: Cha-La Head-Cha-La e We Gotta Power.

A banda sonora do Dragon Ball (tanto as séries como os filmes) tem a assinatura do lendário Shunsuke Kikuchi.

O preço dos bilhetes para este concerto varia entre os 39 € e os 149 €. 

Os bilhetes mais caros prometem uma experiência VIP com direito a lugares privilegiados, cocktail, brochura edição de coleccionador com a programação do espectáculo e um meet & greet com a estrela do espectáculo, Hiroki Takahashi

2 de dezembro de 2017

Old Promises, New Dreams

The last line we ever hear in "Roswell" is: "I'm Liz Parker, and I'm happy!"


The van leaves Roswell and we never hear from our kids again.

Did you ever wondered what happened to them? Where did they go after they got married? Did they manage to escape the Special Unit? Did they get jobs? Did they stay in the United States or did they get to see the world?


"Promise Kept" is a glimpse of the life of our favorite couple, sixteen years after they left in that van. 

Banner by RoswellOracle




You can read the story here.






         WE HAVEALWAYS BELIEVED!

27 de janeiro de 2017

Batatas Fritas, Yum!

Não há melhor sensação do que poder dar boas notícias… <suspiro de alívio>

Amantes de batatas fritas, regozijem-se!



Há uns tempos atrás, eu profetizei que um dia ainda veríamos a ciência demonstrar que as batatas fritas seriam capazes de curar o cancro… 

Hmm, talvez eu estivesse a ser demasiado exigente com este deliciosos tubérculos, mas a ciência está a dar às batatas fritas o benefício da dúvida no que toca ao seu valor nutricional. Um estudo da Universidade de Granada (que podem consultar aqui = Yummy) concluiu que fritar certos alimentos como as batatas tem certos benefícios nutricionais – desde que a fritura seja feita em azeite virgem extra.  

As batatas cruas são ricas em antioxidantes chamados fenóis. Quando as batatas são fritas em azeite virgem extra – também rico em antioxidantes  a quantidade de fenóis aumenta.   

Como não é difícil de perceber, estas características não se aplicam a batatas fritas do MacDonald's. Para as batatas fritas serem mais saudáveis, deve usar-se batatas frescas, fritá-las em azeite virgem extra (em vez de óleo de girassol) e temperá-las com sal marinho (mais saudável do que o sal refinado).

Experimentem esta receita! 

20 de janeiro de 2017

Democracy vs. Totalitarianism

One of the peculiar phenomena of our time is the renegade Liberal. Over and above the familiar Marxist claim that “bourgeois liberty” is an illusion, there is now a widespread tendency to argue that one can only defend democracy by totalitarian methods. If one loves democracy, the argument runs, one must crush its enemies by no matter what means. And who are its enemies? It always appears that they are not only those who attack it openly and consciously, but those who “objectively” endanger it by spreading mistaken doctrines. In other words, defending democracy involves destroying all independence of thought. This argument was used, for instance, to justify the Russian purges. The most ardent Russophile hardly believed that all of the victims were guilty of all the things they were accused of: but by holding heretical opinions they “objectively” harmed the régime, and therefore it was quite right not only to massacre them but to discredit them by false accusations. The same argument was used to justify the quite conscious lying that went on in the leftwing press about the Trotskyists and other Republican minorities in the Spanish civil war. And it was used again as a reason for yelping against habeas corpus when Mosley was released in 1943.
These people don’t see that if you encourage totalitarian methods, the time may come when they will be used against you instead of for you.


George Orwell - Preface of Animal Farm

11 de dezembro de 2016

Obrigadinho, Carlos!



Todos nós já ouvimos a frase popular: “Nunca conheças os teus ídolos, porque sairás sempre desiludido”. Eu só posso dizer de viva experiência pobre quem nunca partilhou o mesmo espaço com alguém que admira. 

Por um qualquer milagre, tive a sorte de estar no sítio certo à hora certa (coisa rara na minha vida, diga-se). 

Para quem não viu o meu último post, o escritor Carlos Ruiz Zafón esteve hoje no Salão Nobre da Academia de Ciências de Lisboa, a falar sobre o seu último romance da saga do Cemitério dos Livros Esquecidos – o escritor que até o Presidente da República estava ansioso por ler! 

Por pura sorte, consegui contactar um amigo da faculdade, a pessoa que me apresentou a este escritor, ao emprestar-me A Sombra do Vento no primeiro ano da licenciatura. Meu Deus, foi mesmo amor à primeira vista! Por um ainda mais feliz acaso, o meu amigo tinha o dia livre e combinámos encontrar-nos para fazer uma peregrinação que todo fã de Zafón teria feito naquele dia. 

Assistir à apresentação d’ O Labirinto dos Espíritos não era um esforço qualquer. A saga do Cemitério dos Livros Esquecidos demorou 15 anos a concluir. Fechou com chave de ouro com O Labirinto dos Espíritos mas, como o próprio autor disse repetidamente, não há um primeiro livro e um último livro; são quatro livros como quatro portas de entrada para esta maravilhosa saga sobre livros e o feitiço mais maravilhoso de todos – a Literatura. 


Obrigadinho amigo pela companhia neste dia glorioso!

¡Obrigadinho por toda la literatura, maestro Zafón!

5 de dezembro de 2016

Zafón em Terras Lusas

O autor da tetralogia do "Cemitério dos Livros Esquecidos" vem apresentar o seu mais recente livro, O Labirinto dos Espíritos a Lisboa. 



Uma oportunidade a não perder!

26 de outubro de 2016

ALMA 2017


Segundo fonte da Agência Lusa, a escritora Maria Teresa Maia Gonzalez foi nomeada para o prémio literário sueco ALMA pelo segundo ano consecutivo. A autora de Lua de Joana, O Guarda da Praia, da colecção "Profissão: Adolescente" e co-autora da colecção "O Clube das Chaves" foi nomeada pelo segundo ano consecutivo para este prémio. 

Justiça seria feita a esta escritora se ela ganhasse. Muitos me dirão que ela não merece o prémio, ou sequer a nomeação, por escrever livros para jovens. Eu acho que escrever literatura infanto-juvenil é uma enorme responsabilidade; moldar as mentes jovens é uma tarefa muito delicada, com efeitos permanentes no desenvolvimento de um jovem leitor.

Espero que Maria Teresa Maia Gonzalez seja agraciada com este prémio. Ela é uma das escritoras não celebradas em Portugal (por algum motivo que eu não compreendo), por isso, era bom que alguém lhe reconhecesse o valor que ela obviamente tem na produção literária nacional.   

13 de outubro de 2016

Solidão Afortunada

Enquanto eu vir o sol luzir nas folhas
E sentir toda a brisa nos cabelos
        Não quererei mais nada.
Que me pode o Destino conceder
Melhor que o lapso sensual da vida
        Entre ignorâncias destas?
Sábio deveras o que não procura,
Que, procurando, achara o abismo em tudo
        E a dúvida em si mesmo.
Pomos a dúvida onde há rosas. Damos
Quase tudo do sentido a entendê-lo
        E ignoramos, pensantes.
Estranha a nós a natureza extensa
Campos ondula, flores abre, frutos
        Cora, e a morte chega.
Terei razão, se a alguém razão é dada,
Quando me a morte conturbar a mente
        E já não veja mais
Que à razão de saber porque vivemos
Nós nem a achamos nem achar se deve,
        Impropícia e profunda.



Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge.
Mas finge sem fingimento.
Nada esperes que em ti já não exista,
Cada um consigo é triste.
Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas,
Sorte se a sorte é dada.

–– Ricardo Reis