27 de janeiro de 2017

Batatas Fritas, Yum!

Não há melhor sensação do que poder dar boas notícias… <suspiro de alívio>

Amantes de batatas fritas, regozijem-se!



Há uns tempos atrás, eu profetizei que um dia ainda veríamos a ciência demonstrar que as batatas fritas seriam capazes de curar o cancro… 

Hmm, talvez eu estivesse a ser demasiado exigente com este deliciosos tubérculos, mas a ciência está a dar às batatas fritas o benefício da dúvida no que toca ao seu valor nutricional. Um estudo da Universidade de Granada (que podem consultar aqui = Yummy) concluiu que fritar certos alimentos como as batatas tem certos benefícios nutricionais – desde que a fritura seja feita em azeite virgem extra.  

As batatas cruas são ricas em antioxidantes chamados fenóis. Quando as batatas são fritas em azeite virgem extra – também rico em antioxidantes  a quantidade de fenóis aumenta.   

Como não é difícil de perceber, estas características não se aplicam a batatas fritas do MacDonald's. Para as batatas fritas serem mais saudáveis, deve usar-se batatas frescas, fritá-las em azeite virgem extra (em vez de óleo de girassol) e temperá-las com sal marinho (mais saudável do que o sal refinado).

Experimentem esta receita! 

20 de janeiro de 2017

Democracy vs. Totalitarianism

One of the peculiar phenomena of our time is the renegade Liberal. Over and above the familiar Marxist claim that “bourgeois liberty” is an illusion, there is now a widespread tendency to argue that one can only defend democracy by totalitarian methods. If one loves democracy, the argument runs, one must crush its enemies by no matter what means. And who are its enemies? It always appears that they are not only those who attack it openly and consciously, but those who “objectively” endanger it by spreading mistaken doctrines. In other words, defending democracy involves destroying all independence of thought. This argument was used, for instance, to justify the Russian purges. The most ardent Russophile hardly believed that all of the victims were guilty of all the things they were accused of: but by holding heretical opinions they “objectively” harmed the régime, and therefore it was quite right not only to massacre them but to discredit them by false accusations. The same argument was used to justify the quite conscious lying that went on in the leftwing press about the Trotskyists and other Republican minorities in the Spanish civil war. And it was used again as a reason for yelping against habeas corpus when Mosley was released in 1943.
These people don’t see that if you encourage totalitarian methods, the time may come when they will be used against you instead of for you.


George Orwell - Preface of Animal Farm

5 de dezembro de 2016

Zafón em Terras Lusas

O autor da tetralogia do "Cemitério dos Livros Esquecidos" vem apresentar o seu mais recente livro, O Labirinto dos Espíritos a Lisboa. 



Uma oportunidade a não perder!

26 de outubro de 2016

ALMA 2017


Segundo fonte da Agência Lusa, a escritora Maria Teresa Maia Gonzalez foi nomeada para o prémio literário sueco ALMA pelo segundo ano consecutivo. A autora de Lua de Joana, O Guarda da Praia, da colecção "Profissão: Adolescente" e co-autora da colecção "O Clube das Chaves" foi nomeada pelo segundo ano consecutivo para este prémio. 

Justiça seria feita a esta escritora se ela ganhasse. Muitos me dirão que ela não merece o prémio, ou sequer a nomeação, por escrever livros para jovens. Eu acho que escrever literatura infanto-juvenil é uma enorme responsabilidade; moldar as mentes jovens é uma tarefa muito delicada, com efeitos permanentes no desenvolvimento de um jovem leitor.

Espero que Maria Teresa Maia Gonzalez seja agraciada com este prémio. Ela é uma das escritoras não celebradas em Portugal (por algum motivo que eu não compreendo), por isso, era bom que alguém lhe reconhecesse o valor que ela obviamente tem na produção literária nacional.   

29 de agosto de 2016

"O Labirinto dos Espíritos"

Está a chegar o momento há muito aguardado por tantos milhões de leitores devotos do escritor catalão Carlos Ruiz Zafón. 

O último livro da tetralogia 

Os leitores de língua espanhola estão em contagem decrescente para o dia 17 de Novembro deste ano. Os leitores lusos ainda terão passar mais alguns meses a roer as unhas, pois ainda não há data de publicação em Portugal.

Entretanto, a minha mente ocupa-se em pensar em teorias mirabolantes acerca das personagens dos três primeiros livros e perguntar se os voltarei a ver no último romance... 

Voltaremos a ver o Julián Carax, Fermín Romero de Torres, David Martín, ou o diabólico Andreas Corelli? Será que a Isabella morreu mesmo? (espero que ela tenha fingido a sua morte). O que tem, afinal, Maurício Valls a ver com a vida de Daniel Sempere?

Ai…! Tantas perguntas, tanto tempo à espera…!

13 de maio de 2016

A Chama da Vida

Concentra-te, e serás sereno e forte;
Mas concentra-te fora de ti mesmo.
Não sê mais para ti que o pedestal
No qual ergas a estátua do teu ser.

Tudo mais empobrece, porque é pobre.



Da lâmpada nocturna
A chama estremece
E o quarto alto ondeia.

Os deuses concedem
Aos seus calmos crentes
Que nunca lhes trema
A chama da vida
Perturbando o aspecto
Do que está em roda,
Mas firme e esguiada
Como preciosa
E antiga pedra,
Guarde a sua calma
Beleza contínua.


–– Ricardo Reis


13 de abril de 2016

Trechos do Desassossego (19)

O mundo, no qual nascemos, sofre de século e meio de renúncia e de violência – da renúncia dos superiores e da violência dos inferiores, que é a sua vitória. Nenhuma qualidade superior pode afirmar-se modernamente, tanto na acção, como no pensamento, na esfera política, como na especulativa. A ruína da influência aristocrática criou uma atmosfera de brutalidade e de indiferença pelas artes, onde uma sensibilidade fina não tem refúgio. Dói mais, cada vez mais, o contacto da alma com a vida. O esforço é cada vez mais doloroso, porque são cada vez mais odiosas as condições exteriores do esforço.

Hoje sou ascético na minha religião de mim. Uma chávena de café, um cigarro e os meus sonhos substituem bem o universo e as suas estrelas, o trabalho, o amor, até a beleza e a glória. Não tenho quase necessidade de estímulos. Ópio tenho-o eu na alma.

O ter tocado nos pés de Cristo não é desculpa para defeitos de pontuação’. Se um homem escreve bem só quando está bêbado dir-lhe-ei: embebede-se. E se ele me disser que o seu fígado sofre com isso, respondo: o que é o seu fígado? É uma coisa morta que vive enquanto você vive, e os poemas que escrever vivem sem enquanto.

Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse. Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu veto manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação. O que sinto, na verdadeira substância com que o sinto, é absolutamente incomunicável; e quanto mais profundamente o sinto, tanto mais incomunicável é. Para que eu, pois, possa transmitir a outrem o que sinto, tenho que traduzir os meus sentimentos na linguagem dele, isto é, que dizer tais coisas como sendo as que eu sinto, que ele, lendo-as, sinta exactamente o que eu senti. E como este outrem é, por hipótese de arte, não esta ou aquela pessoa, mas toda a gente, isto é, aquela pessoa que é comum a todas as pessoas, o que, afinal, tenho que fazer é converter os meus sentimentos num sentimento humano típico, ainda que pervertendo a verdadeira natureza daquilo que senti.


Bernardo Soares – Livro do Desassossego



13 de março de 2016

Fado Cumprido

Cada dia sem gozo não foi teu:
Foi só durares nele. Quanto vivas
Sem que o gozes, não vives.

Não pesa que amas, bebas ou sorrias:
Basta o reflexo do sol ido na água
De um charco, se te é grato.

Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas
Seu prazer posto, nenhum dia nega

A natural ventura!



Cada um cumpre o destino que lhe cumpre.
E deseja o destino que deseja;
                Nem cumpre o que deseja,
                Nem deseja o que cumpre.

Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe, e ali ficamos;
                Que a Sorte nos fez postos
                Onde houvemos de sê-lo.

Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
                Cumpramos o que somos.
                Nada mais nos é dado.


–– Ricardo Reis


13 de fevereiro de 2016

O Erro e o Inverno

Aqui, neste misérrimo desterro
Onde nem desterrado estou, habito,
Fiel, sem que queira, àquele antigo erro
Pelo qual sou proscrito.
O erro de querer ser igual a alguém
Feliz, em suma — quanto a sorte deu
A cada coração o único bem

De ele poder ser seu.



Breve o inverno virá com sua branca
        Nudez vestir os campos.
As lareiras serão as nossas pátrias
        E os contos que contarmos
Assentados ao pé do seu calor
        Valerão as canções
Com que outrora entre as verdes ervas rijas
        Dizíamos ao sol
O ave atque vale triste e alegre,
        Solenes e carpindo.
Por ora o outono está connosco ainda.
        Se ele nos não agrada
A memória do estio cotejemos
        Com a esperança hiemal.
E entre essas dádivas memoradas
        Como um rio passemos.


–– Ricardo Reis


Trechos do Desassossego (18)

Com que luxúria e transcendente eu, às vezes, passeando de noite nas ruas da cidade e fitando, de dentro da alma, as linhas dos edifícios, as diferenças das construções, as minuciosidades da sua arquitectura, a luz em algumas janelas, os vasos com plantas fazendo irregularidades nas sacadas – contemplando tudo isto, dizia, com que gozo de intuição me subia aos lábios da consciência este grito de redenção: mas nada disto é real!

A arte é um esquivar-se a agir, ou a viver. A arte é a expressão intelectual da emoção, distinta da vida, que é a expressão volitiva da emoção. O que não temos, ou não ousamos, ou não conseguimos, podemos possuí-lo em sonho, e é com esse sonho que fazemos arte. Outras vezes a emoção é a tal ponto forte que, embora reduzida à acção, a acção, a que se reduziu, não a satisfaz; com a emoção que sobra, que ficou inexpressa na vida, se forma a obra de arte. Assim, há dois tipos de artista: o que exprime o que não tem e o que exprime o que sobrou do que teve.

Feliz quem não exige da vida mais do que ela espontaneamente lhe dá, guiando-se pelo instinto dos gatos, que buscam o sol quando há sol, e quando não há sol o calor, onde quer que esteja. Feliz quem abdica da sua personalidade pela imaginação, e se deleita na contemplação das vidas alheias, vivendo, não todas as impressões, mas o espectáculo externo de todas as impressões alheias. Feliz, por fim, esse que abdica de tudo, e a quem, porque abdicou de tudo, nada pode ser tirado nem diminuído. […] Nada me satisfaz, nada me consola, tudo - quer haja sido, quer não – me sacia. Não quero ter a alma e não quero abdicar dela. Desejo o que não desejo e abdico do que não tenho. Não posso ser nada nem tudo: sou a ponte de passagem entre o que não tenho e o que não quero.

Perco-me se me encontro, duvido se acho, não tenho se obtive. Como se passeasse, durmo, mas estou desperto. Como se dormisse, acordo, e não me pertenço. A vida, afinal, é, em si mesma, uma grande insónia, e há um estremunhamento lúcido em tudo quanto pensamos e fazemos.

Considerar todas as coisas que nos sucedem como acidentes ou episódios de um romance, a que assistimos não com a atenção senão com a vida. Só com essa atitude poderemos vencer a malícia dos dias e os caprichos dos sucessos.



Bernardo Soares – Livro do Desassossego