22 de junho de 2025

Fortius quo Fidelius

"Força através da Lealdade"

A Dama e o Vagabundo é um clássico intemporal que toca o coração dos espectadores, miúdos e graúdos, há 70 anos, mas por detrás desta encantadora história de dois cães de mundos diferentes, encontra-se uma obra-prima da Disney muitas vezes incompreendida. 

Já li inúmeras interpretações sobre este filme e tenho sempre a impressão que falta algo a todas elas. Não, este filme não é sobre racismo, não é sobre a luta de classes, nem sobre a exploração dos pobres e oprimidos pelos ricos e privilegiados. Sim, é uma história de amor entre dois cães de origens diferentes, mas é mais do que isso – é sobre o valor inestimável da lealdade e sobre a tensão interminável entre o individualismo e o valor da pertença num grupo.

A Dama e o Vagabundo é uma fábula que capta a dinâmica emocional de puxa-empurra da busca pela independência e do desejo de conexão, tornando-se um espelho intemporal dos nossos desejos mais profundos. Os cães são a personificação da lealdade, e a lealdade é uma das virtudes humanas mais desejadas, por isso, é natural que Walt Disney tenha usado cães para contar uma das suas histórias mais humanas. Sim, eu sei tudo sobre a cadela de Joe Grant, a Lady, e como a sua história contribuiu para a produção deste filme (mesmo que ele não tenha tido crédito), mas o filme não é sobre a cadelinha de Joe Grant.
Lady, a cadela de Joe Grant

Também não é sobre como Walt deu à sua esposa um cachorrinho numa caixa de chapéu. É sobre muito mais do que isso!


Este filme tem lugar em 1909, numa pequena cidade da Nova Inglaterra, inspirada em Marceline, no Estado do Missouri, onde Walt Disney passou os melhores anos da sua vida. Lady, uma refinada Cocker Spaniel, conhece apenas amor e carinho dos seus donos, Jim Dear e Darling. A sua compreensão de família baseia-se no conforto, segurança e respeito e o seu bem mais precioso é uma coleira que Darling lhe dá (com uma licença). Porque é que isto é tão significativo?! Bem, a coleira é um presente da sua família humana que simboliza a devoção dos donos pela Lady, mas a licença (que no filme é mostrada como uma pequena placa de identificação dourada) significa que toda a cidade sabe da ligação de Lady à sua família. Ter uma licença não é apenas cumprir a lei daquela comunidade, mas é também o bilhete de regresso a casa de um cão perdido! 


Quando Lady recebe a sua licença, o número atribuído é tudo o que é necessário para que os funcionários do canil municipal identifique os seus donos. É por isso que Jock e Trusty lhe chamam "emblema de honra e respeitabilidade". Aquela pequena etiqueta dourada simboliza o laço sagrado da lealdade entre os cães e os seus donos.


Em contraste, temos Tramp, um rafeiro perspicaz que personifica o espírito da liberdade absoluta. Ele deambula pelas ruas daquela pequena cidade, livre de uma coleira, vivendo a vida nos seus próprios termos, usando os humanos à sua volta para os seus propósitos.

Esta justaposição da existência confortável da Lady e da vida aventureira de Tramp prepara o cenário para uma exploração subtil do valor da liberdade pessoal versus lealdade. Embora a história nunca o afirme explicitamente, é claro pelas suas palavras que a desconfiança do Tramp em relação aos humanos advém da sua experiência pessoal.

Apesar de ser um rafeiro (provavelmente uma mistura de Schnauzer), vê-se que a sua cauda foi cortada. Para que isso acontecesse, um humano teve de levá-lo a um veterinário. Tramp deve ter-se sentido traído pelos donos quando estes o negligenciaram em favor do bebé e, das duas, uma: ou foi abandonado ou deixou-os por vontade própria, convencendo-se de que, depois de estragado o seu "lar feliz", estaria melhor sozinho. O laço de lealdade que o unia aos donos quebrou-se. 

Ele lida com os seres humanos da mesma forma que muitos humanos veem os cães: como uma mercadoria. Obtém o que precisa deles sem nunca se apegar a ninguém. 

Diz a Lady que "o coração humano tem um espaço limitado para o amor", por isso, quando os donos de Lady tiram férias sem ela e a tia Sarah perturba o seu idílico lar, a lealdade de Lady é posta à prova. O Tramp encontra-a do lado errado da cidade, com a cabeça enfiada numa focinheira, sozinha e aterrorizada. Ele faz tudo o que pode para a ajudar e partilha com ela os benefícios da liberdade total e de não se deixar prender a nenhuma família. Lady ouve-o sem comentar.

Esta dinâmica reflecte uma verdade universal: o fascínio da liberdade tenta os indivíduos a sair da sua zona de conforto. O seu contacto com Tramp permite-lhe experienciar a vida para além dos limites da sua casa e da sua rua, levando a momentos de profunda conhecimento interior.

O momento mais famoso do filme ilustra na perfeição como o amor os pode unir. Por entre as luzes brilhantes do exterior do restaurante do Tony, Lady e Tramp partilham um prato de esparguete com almôndegas. Esta é a cena mais famosa do filme — de todos os filmes do Walt Disney, na verdade! 
E, no entanto, há uma subtileza maravilhosa na actuação dos dois cães que conta uma história muito mais complexa.

Frank Thomas e o Tramp
Aqui faço a minha homenagem ao director de animação desta cena; ao homem que salvou a cena de ser cortada do filme. Quando Walt Disney viu os storyboards não gostou da cena; pensou que dois cães a comer esparguete não transmitiriam qualquer emoção senão comédia. Ele não queria que a cena fosse incluída no filme. Frank Thomas assumiu a animação de toda a cena só para convencer Walt de que iria resultar. Missão cumprida!

Obrigado, Frank Thomas!

O génio desta cena é o eixo central do tema explorado no filme. A lealdade de Lady surge como contrapeso à liberdade de Tramp. Ela debate-se com a sua lealdade aos seus donos, ao bebé e à tia Sarah, bem como com o novo vínculo que partilha com Tramp depois de ele a ter ajudado num momento de necessidade. Este conflicto interno é maravi
lhosamente ilustrado na icónica cena do jantar de esparguete. Ao início, Tramp não dá importância ao comentário de Tony de "assentar com esta". Quando o prato de esparguete com almôndegas é colocado na mesa, ele come muito mais do que a Lady.

Como ele não faz refeições regulares, está mais interessado na comida do que na serenata, mas quando acaba por mastigar a ponta oposta do mesmo fio de esparguete e acaba por beijar Lady, algo muda dentro dele. Ele esboça um sorriso. Lady reage como uma verdadeira dama, de forma recatada, mas o olhar do Tramp altera-se quando olha para Lady e ele empurra a última almôndega na direcção ela. Isto é mais do que um presente — é um sacrifício!


Já tinha arriscado a vida para a proteger dos ferozes cães vadios do beco, mas abdicar da refeição para lhe oferecer a última almôndega é um sacrifício. Ele está a colocar o bem-estar dela acima do seu. Ele já não é apenas um despreocupado vagabundo; está a começar a considerar a ideia de pertencer a alguém. Logo após o jantar, os dois cãezinhos dão um passeio demorado pelo parque e deixam as suas pegadas no cimento fresco. É uma promessa silenciosa vinda do Tramp, porque o cimento, uma vez endurecido, é imutável. Este momento prenuncia a sua transformação final; é um desejo que ambos carregam. 

A Lady está tão feliz por deixar a sua pegada no cimento como o Tramp. No entanto, ela não está disposta a abdicar da família por uma vida de aventuras ao ar livre e o Tramp abana a cabeça e acompanha-a de volta para casa.Ainda há reminiscências do seu desejo de absoluta liberdade, mas uma parte dele compreende a lealdade inabalável de Lady. 

Infelizmente, Lady acaba num canil rodeada de cães de todas as raças sem coleiras ou licenças, e testemunha em primeira mão o que o Tramp lhe estava a tentar dizer. Infelizmente, os humanos podem ser terríveis para com os cães... Nem todos os cães serão adoptados por boas famílias. Alguns destes cães serão eutanasiados (como o pobre Nutsy). O melhor amigo de um cão nem sempre é um humano. Não é o caso de Lady, cujo número de licença garante que a tia Sarah será contactada pelos funcionários do canil para a ir buscar, mas a sua experiência no canil marca-a profundamente.

Não se sente traída apenas pelos donos, mas também pelo Tramp, quando descobre os rumores sobre ele. Apesar de se sentir envergonhada pela sua experiência no canil, Jock e Trusty, os seus fiéis amigos, apoiam-na e querem ajudá-la da melhor forma possível. 

Quando o Tramp regressa para pedir desculpa com um presente, Jock e Trusty defendem Lady, mas ela garante-lhes que se pode defender sozinha. Ela confronta o Tramp sobre os rumores que o rodeiam e diz que não precisa que ele a proteja. Tramp abandona a casa, desolado. Ao ver o rato a subir pela janela, Lady começa a ladrar e o Tramp regressa sem pensar duas vezes para a ajudar, já que ela está presa à sua casota por uma coleira.

Sem a menor hesitação, o Tramp entra em casa e inicia uma luta feroz com um rato maléfico. A tia Sarah, Jock e Trusty interpretaram mal as ações do Tramp, mas Jim Dear e Darling confiaram na sua Lady e, depois de verem o rato morto, convenceram-se de que o Tramp fora injustamente acusado. Jock e Trusty partem em busca da carruagem (como forma de expiar o seu anterior comportamento) e conseguem detê-la e salvar o corajoso cão de um destino cruel. Lady guia os seus donos para salvar Tramp da sua situação potencialmente fatal. É um momento glorioso em que as lealdades de todas as personagens convergem. 


Depois disso, Tramp é adoptado pela família de Lady e eles formam a sua própria família com quatro adoráveis ​​cachorrinhos. E, claro, o Vagabundo ganha a sua própria coleira e licença e aprende que a verdadeira lealdade e o compromisso amoroso são mais importantes para ele do que a independência sem objectivo.

Acima de tudo, Walt Disney queria uma família; ele pedia a todos os funcionários que o tratassem por "Walt", praticava desporto com os seus artistas e foi por isso que construiu o estúdio de Burbank. Existem muitos outros filmes sobre a ligação entre cães e humanos como "Hachiko", "A Dog's Purpose", ou "Homewards Bound - the incredible journey" (também dos estúdios Disney) que nos tocam o coração. "A Dama e o Vagabundo" é um dos primeiros filmes a explorar o poder duradouro da lealdade como base de uma estrutura familiar sólida e mostra-nos que, independentemente de onde viemos, um coração leal pode encontrar um lugar onde pertencer.


11 de maio de 2025

Has Lucy changed, Charlie Brown?



Charlie Brown approaches Lucy with a smile, while she is jumping rope. He calls her a fussbudget, but she stops her action and calmly explains that she has changed, looking like she has reached an epiphany about herself. Is there a real change from fussbudget to ornery? Or is she simply arguing semantics? How we perceive ourselves vs. how others see us, and how we try to define our own quirks (even when those quirks are less than endearing) are the subjects of this strip. Lucy is such a contrarian that she even refuses the fussbudget label in favor of ornery. In fact, her words to Charlie Brown feel simply like grumpiness with a veneer of depth. Ultimately, even when Charlie Brown agrees with Lucy she will still contradict him, making her character cantankerously recognizable.


1 de março de 2025

40 Candles!

'Dragon Ball Daima' is the ultimate celebration of the Dragon Ball franchise. It wasn't meant to be that; at the time it was envisioned it was simply the next project… Until Akira Toriyama passed away unexpectedly. With its original creator as the master of ceremonies by writing the story, designing the characters, and supervising the scripts — what would become the last project he ever worked on — this new show feels like a massive celebration for all Dragon Ball fans.

'Daima' started in 2021 as a little side project, but as it grew, Toriyama got more and more involved. It is, by far, the TV show where his involvement is most keenly felt. Toriyama wrote the outline of the entire series, handed it to the writers at Toei and personally oversaw every script, infusing this show with his signature creativity, charm and humor, ensuring the series stays true to its roots.

The latest installment in the iconic franchise boasts an impressive roster of talent behind its creation, blending veteran artists with fresh faces to bring this new adventure to life with a new energy.

The opening of 'Dragon Ball Daima' (first heard in the 2nd episode) is one of the greatest gifts from fans to other fans. The melody for 'Jaka Jaan' was composed by artist Zedd and CK (Zedd is a die-hard fan of Akira Toriyama's work). The lyrics were written by legendary lyricist Yukinojo Mori (the 70-year-old lyricist also known as Joe Lemon), who has written the lyrics for nearly every opening in the Dragon Ball universe ('Cha-La Head-Cha-La'; 'We Gotta Power/Bokutachi wa Tenshi Datta' from 'Dragon Ball Z'; 'Kuu•Zen•Zetsu•Go' from 'Dragon Ball Kai'; 'Chōzetsu☆Dynamic!' and 'Genkai Toppa x Survivor' from 'Dragon Ball Super'). Jaka Jaan is the Japanese onomatopoeia for the sound a guitar makes. The melody  is a vibrant and catchy track that blends nostalgia with a fresh, modern sound, making it a fitting addition to the Dragon Ball franchise while also being incredibly reverential to Akira Toriyama. His name appears romanized in the opening credits. 

オットット!
ハート縮んで調子でない日も
夢はTORIどり なYAMAない
AKIRAめない
was translate to:
Whoopsie daisy!
Even when your heart shrinks & you feel low
Dreams are everywhere
Don't worry about it
Never give up

That's the kind of stuff that's going to get lost in translation, I'm afraid. The song's upbeat tempo and infectious rhythm capture the sense of excitement and wonder 'Daima' aims to evoke, harking back to the playful and adventurous spirit of the original Dragon Ball while still feeling contemporary. 

The last images of the ending song 'Nakama' represent the author, since 'tori' means "bird" in Japanese, and he founded his own production company, Bird Studio



Composer Kōsuke Yamashita is a newcomer to the Dragon World, but he's joined the party for this project. He's known for his work in the 'Digimon' franchise.


Aya Komaki

Aya Komaki is at the helm of this project. She has worked on several successful series like 'One Piece' (in the storyboard department, as an assistant director and as a director). She had a similar role in the series 'Gegege no Kitarō'. In her debut in the Dragon Ball universe, she Shinzō Yuki contributed to episodes 5, is none other than the Series Director for 'Dragon Ball Daima'. She also storyboarded the opening and ending credits, as well as episodes 13, 18 and 20.

Yoshitaka Yashima is a veteran animator for the Dragon World (well known for animating episodes single-handedly). His vast experience brings valuable expertise to the new series. His first major role was as an animator in the celebrated film 'Fist of the North Star' (1986). He worked on renowned series such as 'Gegege no Kitarō', 'Digimon Adventure' and 'One Piece' with the triple task of creating storyboards, animating and directing episodes. His entry in the Dragon World was through the 'Z' era films ('Dragon Ball Z: Broly' and 'Dragon Ball Z: Cooler's Revenge'), but he contributed extensively in 'Dragon Ball Super' Storyboards (11 episodes), Animation Director (19 episodes), 2nd Key Animation (eps. 79, 109), Assistant Animation Director (eps. 109, 131), and Key Animation (28 episodes). He has served as director and storyboard artist for 7 episodes of the 'Dragon Ball Daima'. 

Yūko Kakihara is responsible for the series' composition and script. She wrote all 20 episodes, ensuring a narrative that honors the legacy of the franchise, while introducing new elements, bringing Akira Toriyama's inventive new world to life. 'Digimon' fans will recognize her name.


The visual style of 'Dragon Ball Daima' is a testament to its stellar art and animation team. Maya Kasai serves as Art Director, contributing to all 20 episodes and the opening/ending sequences, while a talented group of art contributors like Bun Sun Lee, Eiji Hamano, and Shinzō Yuki add depth to the backgrounds. The character designs, rooted in Toriyama’s work, are refined by Katsuyoshi Nakatsuru, who also serves as Animation Character Designer and Chief Animation Director for the entire show. 


The art department plays a pivotal role in bringing this whimsical world to life. 

Under the leadership of Maya Kasai, the visual landscapes in this show are vibrant and dynamic. As Art Director, Maya Kasai worked in all episodes. She's responsible for establishing the overall visual tone, translating Akira Toriyama’s original concepts into detailed, animated environments. She had previously worked as a background artist in 'Dragon Ball Super: Super Hero'. Shinzō Yuki contributed to episodes 5, 7, and 9. His role appears more selective but no less impactful, since he's been with 'Dragon Ball' ever since the beginning (both tv shows and movies). In fact, he has worked on 'Dr. Slump & Arale-chan: Hoyoyo! The City of Dreams, Mechapolis' as a background artist. The Demon Realm demands wholly original designs — dark, mystical, and teeming with Akira Toriyama's quirky sensibilities. Overall, the art department delivers a visual experience that honors Akira Toriyama's imagination. Their work transforms Daima’s quirky premise into a believable, breathtaking world, proving that even in a universe of shrinking heroes and demonic villains, the art can remain larger than life.


Katsuyoshi Nakatsuru is the Animation Character Designer. He's a veteran artist who has shaped the visual identity of Dragon Ball, since 1986, across multiple series and films. Nakatsuru's involvement in 'Dragon Ball Daima' bridges the franchise's stories past with its latest chapter. His is a pivotal role that involves adapting Toriyama's original whimsical character designs into a format suitable for the medium of animation. He's responsible for celebrated scenes such as: the fight between Tenshinhan and Goku, Future Trunks killing Freeza with his sword, the character of Bardock and the design for Super Saiyan 4 Goku in 'Dragon Ball GT'. In an interview, Akira Toriyama said: "

Maybe, that I’d be able to have you draw for me. (laughs) Anyway, when I had them show me one of your actual illustrations, it was really amazing! Even now, I sometimes can’t tell them apart — “did I ever draw something like this?” But then, I think, “the muscles are drawn better than I can do… so it must be Nakatsuru-kun’s.” (laughs) [...] What was it, again? I forget, but you drew Savings Warrior Cashman for Monthly V-Jump, right? At that time, I thought even more, “he’s this amazing?” It’s like, Nakatsuru-kun’s illustrations are even more me than my own work."

In 'Dragon Ball Daima', this dynamic is particularly poignant, as Nakatsuru honors Toriyama's last designs by preserving his quirky "Mini" concept while ensuring the characters remain recognizable and engaging. Bringing miniaturized characters to the screen in a large scale adventure story, and especially bringing back Super Saiyan 4 Goku, I'm sure must feel very nostalgic for him. His key animation in the ending credits offers a final tribute to both Toriyama and the fans who've followed his career, and a testament to his enduring impact on this beloved universe.

The Chief Animation Directors of 'Dragon Ball Daima' (in charge of overseeing the animation process) form a powerhouse team responsible for ensuring the series' visual consistency and quality across its 20-episode run. This group brings a mix of veteran expertise but also a modern flair to the project. 

Chikashi Kubota brings a modern edge to the Dragon Ball universe. A fan of Dragon Ball since elementary school, he's been improving his drawing skills ever since, and got his first gig as a key animator in 'Dragon Ball Super: Broly' and 'Dragon Ball Super: Super Hero' (he animated the excellent recap from the Red Ribbon Army arc). Kubota excels at fluid, impactful action animation, and his drawing style closely resembles Toriyamas's as well. His involvement in the premiere episode of 'Dragon Ball Daima' likely set a high-energy tone, introducing the first images we see in the beginning of every episode with polished visuals. Outside of the Dragon Ball universe, he animated the second Fullmetal Alchemist opening (Ready, Steady Go), worked on 'One Piece: Baron Omatsuri and the Secret Island', 'One Punch Man' and 'Gurren Lagann'.

Miyako Tsuji (credited for episode 3) contributes early in the series, possibly refining the Mini characters' debut antics on a foundational action scene (Goku's first fight). She was also a key animator on episode 6 (Goku's fight with Glorio). Her experience on Dragon Ball Super aligns her with the franchise’s modern era, and her work here ensures the animation gels with Nakatsuru’s designs. She worked extensively on 'Dragon Ball Z: Resurrection 'F', 'Dragon Ball Super', and 'Dragon Ball Super: Broly'.

Naohiro Shintani has loved Dragon Ball since elementary school, going to the movies with his older brother to see the new films. He was directly selected by Akira Toriyama for 'Dragon Ball Super: Broly' after a character designer audition, but his first assignment for a work in the Dragon Ball universe was as a key animator in 'Dragon Ball: Yo! The Return of Son Goku and Friends!!' He was also an Animation Director in 'Dragon Ball Super: Super Hero'. He brings a sleek, cinematic style to episodes 4 and 10 and contributed with his own key animation in episodes 4 and 10 of 'Dragon Ball Daima'. 





Tadayoshi Yamamuro has been both praised and criticized by his work on the Dragon Ball universe, but no one can argue that he's one of the most prolific and respected contributors the franchise has ever seen. He has been connected to the Akira Toriyama universe since his work on 'Dr. Slump'. He has been with the Dragon Ball universe since 1986, doing everything: from storyboarding to In-Between Animation; doing Key Animation; being an Animation Director and Chief Animation Director throughout all the eras of the franchise, culminating in the position of Character Designer on 'Dragon Ball Super' (for which he was criticized by the fandom). His classic style—rooted in Toriyama’s original aesthetic — was adored by fans of the 'Z' era of the franchise. His martial arts training in a Shaolin Temple at an early age sure were helpful in realistically coordinating the fight scenes. Yamamuro's presence ties 'Dragon Ball Daima' to its roots, delivering iconic fight scenes with a traditional flair. Other works of his include the movie 'Angel's Egg' and studio Ghibli's 'Laputa: Castle in the Sky', as well as the 'Digimon' and the 'One Piece' franchises.


Takeo Idepretty much like Tadayoshi Yamamuro, has extensive experience working in the Dragon Ball universe, including working as an in-betweener on 'Dr. Slump'. He worked as a Key Animator, Assistant Animation Director, and Animation Director throughout the different TV shows and movies. His participation on 'Dragon Ball Daima' is extensive: Chief Animation Director (episodes 11, 17), Animation Director (episode 1), Assistant Animation Director (episode 20), as well as Key Animation (episode 11). He helped kick off this new show with a bang, while his Chief roles focused on maintaining momentum, with intense Demon Realm confrontations and Mini character heroics.








Yūya Takahashi is a rising star in the Dragon Ball universe. Born in 1984, he began his career as an animator in 2008. He animated one of the most exciting episodes of 'Fullmetal Alchemist: Brotherhood' (episode 47) and has worked on series such as 'Lupin III' and 'One Piece.' As a freelance animator in the Dragon Ball universe, he made his debut as an animation supervisor on episode 114 of 'Dragon Ball Super.' His work has a sharp, angular style that's easily identifiable. He was also a key animator for the first opening and episode 13 of 'Dragon Ball Super,' and worked on the movie 'Battle of Gods,' 'Resurrection 'F' and 'Broly.' On 'Dragon Ball Daima,' his fluid, kinetic style — seen in the Tournament of Power — makes him a fan favorite, especially because he mimics the coolest character designs from the Majin Buu arc. His animation direction (episode 20) and assistant work (episodes 7, 13, 18) amplify his impact, ensuring that 'Daima's' finale delivers an absolute visual spectacle. You can catch a little bit of it here.

The blend of classic Dragon Ball grit (Yamamuro) and modern polish (Shintani, Kubota, Takahashi) reflects 'Daima's' dual nature as both a nostalgic tribute to Toriyama and a fresh adventure. Together, they ensure that 'Daima' feels like Dragon Ball—familiar yet evolved. Their efforts honor Toriyama's legacy, delivering a series that's visually stunning, emotionally resonant, and true to the franchise's spirit. 

The key animators are the artists who draw the critical frames that define a scene's movement and emotion, serving as the foundation for in-between animators to complete the sequence. In 'Dragon Ball Daima', they form a diverse and talented group that brings the series' dynamic action and expansive Demon Realm settings to life. With a roster of over 70 artists contributing across 20 episodes, this team blends veteran contributors with international talent and fresh faces.

Naotoshi Shida, like Yamamuro and Ide, is a Dragon Ball legend, known for explosive action scenes. He has been with the Dragon Ball universe since 1986, as a storyboard artist, an in-betweener, and a key animator. He is characterized by using a large number of frame drawings to express a sense of speed and smoothness of movement. Scenes like Goku telling Beerus not to indulge in destruction; Goku fighting Krillin in the Tenkaichi Budokai, Goku fighting Kid Buu in the Kaiōshin Realm, he animated them all. In 'Dragon Ball Daima', he did 
key animation for episode 8 (the fight between the 3rd Tamagami and Goku) as well as episode 20. The finale benefits from his signature fluidity, ensuring that 'Daima' ends with a bang. Other scenes animated by him can be seen here, here, here, here, here, and here.


Ken Ōtsuka is also no stranger to the Dragon Ball universe or the animation industry. He was a key animator on renowned series such as 'Sailor Moon', 'Cowboy Bebop' (both in the series and in the film), 'Naruto', 'Naruto Shippūden; 'Mobile Suit Gundam', 'InuYasha', 'One Piece', 'Digimon' and 'Fullmetal Alchemist: Brotherhood'. This gentleman did everything: from the storyboard department, secondary animation, key animation and direction. His involvement in the Dragon Ball universe began in 2008 with 'Dragon Ball: Yo! The Return of Son Goku and Friends!!', did storyboards and was a main animator on Dragon Ball Super (the 2nd opening and the Tournament of Power episodes) and the movie 'Dragon Ball Super: Broly'. In 'Dragon Ball Daima', he was also the main animator for the opening action scenes.

Masahiko Maruyama is a new voice in the Dragon Ball universe, though not to the animation business. He has worked as a key animator in 'Bleach'; 'Digimon Ghost Game'; 'Hunter × Hunter'; 'One Piece'; 'Tiger Mask W', and 'Yes! Precure 5 GoGo!'. He was also an Animation Director on 'The Rising of the Shield Hero', and an Assistant Animation Director for one episode of 'Parasyte-the maxim'. He first worked as a key animator on 2 episodes of 'Dragon Ball Super' and 10 episodes of 'Dragon Ball Daima'.

Takenori Tsukuma is another new voice in the Dragon Ball universe but he has a vast experience in the animation business since 1990. He has worked on several memorable shows as a Key Animator, like 'Attack on Titan The Final Season'; 'Berserk: The Golden Age Arc III'; 'Blade of the Immortal'; 'Bleach'; 'Code Geass: Lelouch of the Rebellion'; 'Cowboy Bebop'; 'Detective Conan'; 'Digimon'; 'Eureka Seven'; 'Fairy Tail'; 'Fist of the North Star'; 'Ghost in the Shell'; 'InuYasha'; 'JoJo's Bizarre Adventure'; 'Mobile Suit Gundam'; 'My Hero Academia'; 'Naruto'; 'Naruto Shippūden'; 'Saint Seiya'; 'Vinland Saga', and as an Animation Director in shows like: 'Altair: A Record of Battles'; 'Aoashi'; 'Black Clover'; 'Mushishi: The Next Chapter', and 'Seven Deadly Sins'. He also worked on key animation for 'Batman: Gotham by Gaslight'. He first worked as a key animator on 7 episodes of 'Dragon Ball Super' and 10 episodes of 'Dragon Ball Daima'.

Shūichirō Manabe may be a little-known name to some folks, but he's been involved with the Dragon Ball universe since 'Dragon Ball Super', working for 20 episodes as an assistant animation supervisor and animation supervisor. He was also the key animator for 17 episodes as well as the second opening ('Genkai Toppa x Survivor'). He also worked as key animator on 'Dragon Ball Super: Broly'. In 'Dragon Ball Daima', he was a key animator in the opening as well as 9 episodes

Yōhei Sasaki has participated in plenty of shows from studio Sunrise and studio Bones (including 'Fullmetal Alchemist' e 'Fullmetal Alchemist: Brotherhood'). He's best known for his work on 'Gintama'. His first work in the Dragon Ball universe was as a key animator on 'Dragon Ball Z: Battle of Gods'. In 'Dragon Ball Daima', he participated in 8 episodes (including animating the fight between Goku and the Gomah's Military Police and the last two episodes). He was also a key animator on the series' opening. 

This series also counted with a strong international Group of animators, like Aarón Rodríguez (Episode 13), Alex Torres (Episodes 18, 20), Alexandre Gomes (aka Sanda) (6 episodes), Mehdi Aouichaoui (Episode 18) (he also worked on the 'Broly' movie), and others like Berkant Dumlu, Jonghyun Jung-Boix, Levent Kotil, Olivier Lescot, and Pierre Eric Takeshi Sugita.

Last, but not least, Takashi Kojima is a very versatile artist: he's a storyboard artist, an in-betweener, a 2nd key animator (worked on the movie 'Look Back'), a key animator (worked on 'Fullmetal Alchemist: Brotherhood'), an Animation Director (worked on 'Attack on Titan The Final Season Part 2') and  Episode Director (worked on 'Your Lie in April'). He was brought in is a key animator to work on this first Dragon Ball project: the last episode of 'Daima'. Not just the last episode, either: he was the key animator of the very last scene of the show. I can genuinely say this was the closest Dragon Ball has ever felt to be animated by studio Ghibli. You can see an entire breakdown of that scene here.

This team's diversity  joining the veterans like Shida and Yamamuro, with modern stars like Shintani and Kubota, and the international contributors creates a vibrant mix. Their work honors Akira Toriyama's legacy, with Nakatsuru's designs animated fluidly by Ōtsuka's action, Shintani's polish, and Shida's intensity. Their collective effort transforms Toriyama's final vision into a worthy Dragon Ball chapter.

I would gladly fill this post with praises on everybody who worked on 'Dragon Ball Daima': the Director of Photography, the Producers, the 2nd Key Animators, the In-Between Animators, the Background Artists, and the Digital Artists... This show was blessed with a stellar staff!

I just wanna share a few words for the voice talent that participated on this show. 'Dragon Ball Daima' has a remarkable ensemble of veteran actors, rising stars, and versatile talents. 

For the first time in the history of the franchise, there was an almost entire substitution of the cast to accommodate the mini versions of the characters. All actors were switched, except for one:

Masako Nozawa's portrayal of Goku remains iconic, infusing Mini Goku with youthful exuberance while retaining his heroic spirit. There's no way you don't feel goosbumps when he's powering up his final Kamehameha. That's nothing short of epic, especially for a veteran actress 88 years young.

Shrinking our favorite characters to childlike form required a whole new cast to adapt their performances with playful, youthful tones while preserving the core personalities of the characters we've been listening to for decades.

Yūdai Mino's portrayal as Mini Vegeta is a hilarious standout, retaining the prince's haughty attitude in a pint-sized package. The exaggerated bravado in his voice coming out of such a small body nails the comedic contrast.

Mai Nakahara's portrayal as Mini Bulma is spunky and mischievous, capturing the character's intellect with a youthful edge. It somehow reminds me of Hiromi Tsuru in the early days of Dragon Ball. Her chemistry with Mino's Vegeta sparks a delightful banter throughout the entire series.

Tomohiro Yamaguchi's portrayal as Mini Piccolo perfectly laces his well-known stoicism with a certain amount of vulnerability, making the shrunken Namekian endearing but stil a formidable warrior.

Yumiko Kobayashi's portrayal as Mini Kaioshin faithfully follows that of Shinichirō Ōta, who played the character in 'Dragon Ball Super'.

Showtaro Morikubo is known as the voice of Bartolomeo in 'One Piece', and the voice of Shikamaru Nara in 'Naruto Shippūden'. He makes his debut in the Dragon Ball universe as the voice of King Gomah. As the central antagonist, he is cunning and charismatic, with a sly delivery that makes him a compelling foil to Goku. His versatility shines in Gomah's scheming moments.

Yōko Hikasa, known as the voice of Frīda Reiss em 'Attack on Titan', is Dr. Arinsu; a cold and calculating Glind, perfect for the villainous scientist. She brings a sense of mistery and menace to the Demon Realm's schemes.

Kōki Uchiyama does the voice of Glorio as a "double-agent"; a reluctant and conflicted ally to Goku and his friends. His nuanced performance, blending friendship with doubt, gives an interesting flavor to a character who slowly but surely warms up to Goku and his friends.

Fairouz Ai does the voice of Panzy, the Princess of the 3rd Demon World, and she's feisty and endearing. Her energetic delivery makes this new character a fan favorite.

Tomokazu Seki, known for his performance as Nobuo Terashima in 'NANA', does the voice of Majin Kuu and brings a wonderful energy to the clumsy (but unimaginably smart) fighter conjured up by Dr. Arinsu. 

Fukushi Ochiai does the voice of Majin Duu, the second Majin conjured up by Dr. Arinsu and Marba; he's a very immature and naïve character, closer to Majin Buu in strength and has an undeniable sweet tooth, and the voice is very important to convey that childlike nature.

Hiroshi Naka does the voice of Neva, the old, wise and mysterious Namekian from the 2nd Demon World. The voice actor was born in 1960, which is amazing when you think how great his 'elder' voice is. According to his page, this was his first time playing a character in the Dragon Ball universe, but it's not his first time playing an elder. 

Kenta Miyake does the voice of the Tamagami from the 3rd Demon World, as well as the voice of Scar in 'Fullmetal Alchemist: Brotherhood'. The 3rd Tamagami is a very boisterous character, who shares Goku's love for fighting and fairness in combat. He's so impressed by Goku that he's seen imitating his iconic Kamehameha pose.

Last but not least I'd like to mention Hideyuki Umezu, who does the voice of the Tamagami from the 2nd Demon World. You may know him as the narrator from 'Akira' as well as Barry the Chopper from 'Fullmetal Alchemist: Brotherhood'. These and many other roles speak for themselves when it comes to the actor's ability, but 'Dragon Ball Daima' was his last performance before he passed away in May 2024. His performance during his fight with Mini Vegeta is a testament to his immense talent.

This voice cast is a masterclass in balancing legacy and innovation. Veterans like Nozawa, Horikawa, and Furukawa anchor 'Daima' in Dragon Ball's history, their performances evoking 'Z' and 'Super' while adapting to the Mini twist. Newcomers inject fresh energy, making characters like Gomah, Panzy, Glorio and Neva instant classics. Their ability to switch between humor, heart, and action mirrors Toriyama's storytelling, making 'Daima' a fitting tribute to his legacy. Their work is a love letter to Dragon Ball.


26 de janeiro de 2025

Art is subjective, Charlie Brown!





Charlie Brown watches Lucy from a distance as she counts the number of times she can jump rope. The boy approached, curious about what she was doing. Lucy lowered the rope and smiled from ear to ear, proud of her achievement. Charlie Brown, unsurprised, stuck his hands in his pockets and asked, “But is it art?” Then he walked away, leaving Lucy stunned. Art encompasses a variety of media, such as painting, sculpture, engraving, drawing, writing, and photography. It involves a mixture of talent, sincerity and skill. For Lucy, jumping rope fifty times in a row is a big accomplishment. For Charlie Brown, not so much. This strip is an answer to the strip from the previous day, where Linus made that tower of playing cards, which his sister didn’t consider art. Artistic merit might be the eye of the beholder, but for the performer, sincerity and effort are never questioned and are always self-evident. For the first time, Lucy is confronted with the question of the artistic merit of her activity, and she doesn't like the idea of not being vindicated for her effort.



24 de janeiro de 2025

Thorpedo Anna é cavalo do ano de 2024



Thorpedo Anna teve uma vitória triunfal no Kentucky Oaks Stakes (G1) e o público rendeu-se à poldra filha de Fast Anna. 

O treinador Kenny McPeek sempre esteve muito impressionado com a sua poldra. Thorpedo Anna sabia que era boa e comportava-se dessa forma. O treinador disse que ela "exalava classe".

Depois de três vitórias dominantes consecutivas, os adeptos e comentadores perguntavam-se como se sairia Thorpedo Anna contra os potros. Para a corrida mais importante do fim do verão, a Travers Stakes (G1), Thorpedo Anna deixou bem claro que não importava a pista ou o adversário. Ela venceu o campeão do Kentucky Derby (G1) Fierceness por uma margem confortável e acabou o ano com mais uma vitória no Breeders Cup Distaff (G1). 

Ela conquistou o Eclipse Award para melhor cavalo do ano de 2024 com 193 votos. Uma vitória retumbante e merecida!

Espero que 2025 lhe traga tantos triunfos como 2024 trouxe.

                                                      

10 de julho de 2024

Pizza meravigliosa!

Pizza...! 

Esta deliciosa combinação de massa, molho de tomate e queijo é hoje um dos pratos mais populares do mundo. Consumida em todos os cantos do globo, em múltiplas e exóticas combinações, este tesouro gastronómico transcende barreiras culturais e sociais, unindo pessoas de diferentes origens em torno de uma experiência única. 

A história deste prato remonta ao séc. XVII e à cidade de Nápoles, um próspero porto comercial que atraía pessoas de diversas regiões do Mediterrâneo. O prato de eleição entre a camada mais pobre da população napolitana era uma massa achatada com tomate e alho.

Em 1889, a pizza ganhou notoriedade quando a Rainha Margherita de Sabóia visitou Nápoles. O pizzaiolo Raffaele Esposito, em homenagem à monarca, criou uma pizza com as cores da bandeira italiana: vermelho (molho de tomate), branco (queijo mozzarella) e verde (manjericão). A criação gastronómica conquistou o paladar de sua majestade e, a partir daí, a fama do prato espalhou-se por toda a Itália, chegando aos Estados Unidos pela mão de emigrantes italianos pobres.

Em cidades como Nova Iorque e Chicago, a pizza encontrou um terreno fértil. Imigrantes italianos adaptaram a receita original aos ingredientes locais, criando novas combinações de sabores que conquistaram o paladar dos habitantes locais. Graças ao soft power do Tio Sam, a pizza transformou-se num símbolo aos olhos dos consumidores de cultura popular norte-americana. As grandes redes de pizzarias americanas expandiram os seus negócios para todo o mundo, levando a pizza para novos mercados e consolidando sua posição como um dos pratos mais populares do planeta.

Em pleno séc. XXI, a pizza é consumida em mais de 200 países com infinitas variações de sabores e ingredientes, só limitada pela criatividade dos pizzaiolos. A pizza adaptou-se a diferentes culturas e paladares, criando receitas únicas que reflectem a diversidade gastronómica do mundo.

A universalidade da pizza deve-se a um denominador comum: a sua simplicidade e versatilidade permitem que seja personalizada de acordo com o gosto individual. Além disso, é um prato prático e acessível. Reunir amigos e familiares em torno de uma pizza quente e saborosa é uma tradição presente em inúmeras culturas, fortalecendo laços e criando memórias afectivas.

A pizza percorreu um longo caminho desde suas origens humildes em Nápoles até se tornar um dos pratos mais populares do mundo. A sua história é um exemplo de como a culinária pode unir culturas, transcender fronteiras e proporcionar momentos de alegria e prazer. 

Buon appetito a tutti! 🍕

25 de abril de 2024

Vamos celebrar?



Abril cumpriu-se? O que é que se celebra no dia 25 de Abril?

Não se tratam de perguntas retóricas, mas de uma dúvida existencial. Na escola, ensinaram-nos que no dia 25 de Abril de 1974 passámos da ditadura à democracia... Mas os manuais escolares mais parecem livros de contos de fadas do que uma documentação fiel dos acontecimentos ocorridos na década de 70. Quem estuda História sabe que há acontecimentos que estão ausentes dos manuais, inclusive o facto de que após o dia 25 de Abril de 1974, Portugal caiu num caos político.

O que é que se celebra quando se fala do "dia da liberdade"? O que é que os capitães nos deram, afinal?

As portas que Abril abriu foram escancaradas por um grupo de militares que deram um pontapé nas metafóricas portas e disse que o país tinha que mudar. O Movimento das Forças Armadas prometeu os três Ds: democratizar, descolonizar e desenvolver. Ora: colónias já não temos; desenvolvimento é quase nulo... e quanto à democracia? 

Uma notícia da SIC Notícias diz: "Cinquenta anos depois do 25 de Abril, um terço dos portugueses prefere um líder forte, sem preocupação com eleições ou parlamento, 36% acham que falar em anti-fascismo é uma coisa ultrapassada e 23% consideram que Portugal voltaria a ser grande se retomasse os ideais de Salazar."

Numa notícia da Forbes, lê-se que "Portugal mantém uma posição idêntica no Índice de Perceção da Corrupção mundial, 61 pontos contra 62 no ano passado, mas está abaixo da média da região Europa."

No ano em que Portugal celebra 50 anos a viver em democracia, quando já se vive há mais tempo no novo regime do que no regime do Estado Novo, estas notícias continuam a fazer manchetes e a abrir telejornais, mas o poder político nada faz para fazer cumprir as promessas de Abril. Afinal, o que haverá para celebrar com um país tão débil?

No dia em que a palavra de ordem é 'liberdade sempre, fascismo nunca mais' (mantra popular), o panorama político e social português continua a ser marcado por enormes desafios que levantam a questão: o que é que estamos a celebrar no dia 25 de Abril?

Alguém ainda duvida que a democracia portuguesa enfrenta sérios desafios? Basta saber o que fizeram ao capitão Salgueiro Maia após o acto heróico que protagonizou naquele fatídico 25 de Abril para perceber como a democracia começou a ser pervertida. É perverso que, após a colossal operação do 25 de Abril, tenha havido um período de um ano e sete meses de intenso caos político que quase mergulhou Portugal numa guerra civil, ou pior, numa ditadura comunista. É perverso que o 'arquitecto' do 25 de Abril (um golpe sem sangue) tenha acabado nas FP-25, com sangue nas mãos. É perverso que o maior herói da nação em 1974, o capitão Salgueiro Maia, tenha sido tratado como lixo, enquanto o homem que fugiu para a França acabou como o rosto da democracia no país - aquele que foi responsável por duas falências financeiras e pela vinda do FMI e a perda de soberania financeira. 

O General Ramalho Eanes e o Capitão Salgueiro Maia são inigualáveis. Portugal deveria estar cheio de pessoas como eles dentro da Assembleia da República, mas não está, e é por isso que estamos onde estamos hoje.

A maioria das pessoas quer ver o copo meio cheio e pensa na melhoria do sistema educativo, na melhoria do sistema de saúde, no facto de as pessoas terem liberdade de expressão, no facto de as pessoas poderem votar livremente, para concluirem que a democracia está viva e de boa saúde. Será a isso que as pessoas se apegam quando comemoram o 25 de Abril? 

Tudo isto é verdadeiro em muitos aspectos; a sociedade está muito melhor agora do que estava em 24 de Abril de 1974. Mas os capitães de Abril prometeram-nos muito mais e, em pleno ano de 2024, Portugal está muito atrás de outros países que consideramos civilizados. Será esta conclusão olhar para o copo meio vazio...? Talvez, mas não consigo pensar de forma diferente. Seria o equivalente a enfiar a cabeça na areia e fingir que coisas terríveis não estão a acontecer neste país.

Não posso ignorar o facto de que a justiça é injusta para os pobres, a educação pública é uma farsa e uma vergonha nacional, o SNS permite que mulheres grávidas morram à porta dos hospitais e que haja listas de espera de anos e que não permite que os doentes tenham tratamento em tempo útil, e a corrupção é a norma em vez de ser a excepção. 

Aprende-se muito de corrupção em Portugal com as explicações do professor Paulo MoraisA desconfiança generalizada nas instituições democráticas e o desencanto com a classe política são evidentes em muitos setores da sociedade. A corrupção é um dos principais problemas que minam a confiança dos cidadãos no sistema democrático. Escândalos de corrupção que envolvem figuras políticas e empresariais têm abalado a credibilidade das instituições e alimentado um sentimento de injustiça e impunidade entre os cidadãos.

A corrupção rouba o dinheiro arduamente ganho pelos contribuintes e sufoca a capacidade do país de ter um desenvolvimento pleno. Os países do leste da Europa já são mais ricos do que nós, mas basta olhar para Espanha para saber o verdadeiro preço que pagamos pela corrupção. A Espanha passou por uma guerra civil brutal e décadas de ditadura, mas no minuto em que se libertaram o país obteve um desenvolvimento significativo. Ao contrário de Portugal! Ainda somos pobres, os mais pobres da Europa, e isso devemos à corrupção política.

As pessoas que se congratulam por poderem votar ignoram o facto de que, apesar de terem uma voz, os seus desejos nunca são atendidos, porque o poder político só atende certa 'clientela'. Quem tiver muito dinheiro pode influenciar eleições. Os cidadãos que expressam a sua voz através do voto apenas contribuem uma pequena esmola para o sistema corrupto que está lenta mas seguramente a destruir o país. Certamente, não era esta a realidade que os capitães de Abril queriam quando se arriscaram naquela madrugada de 25 de Abril.

50 anos depois, o que temos para comemorar?! A sociedade nunca esteve tão dividida como agora; a radicalização tanto da esquerda como da direita é aterrorizante. É uma radicalização que ocorre em todos os níveis da sociedade: a nível político, a nível cultural e a nível civil. A humilhação em praça pública de opiniões contrárias tem-se vindo a agravar. O surgimento de discursos de ódio, a polarização política e a intolerância à divergência de opiniões têm contribuído para um clima de hostilidade crescente. O debate público saudável, essencial para o funcionamento de uma democracia saudável, tem sido repetidamente substituído pela demonização do "outro" e pela desqualificação das vozes dissidentes.

Se tal não fosse, não estaríamos a ver pessoas a serem silenciadas nos campi universitários, não estaríamos a ver actos de vandalismo contra monumentos culturais da história portuguesa que passam impunes, não estaríamos a ver aqueles movimentos histéricos contra os livros publicados. Sim, falo do incidente da semana passada. Também não estaríamos a ver a asfixia da opinião pública em muitos temas. Mesmo em democracia ainda há assuntos tabu. É no mínimo bizarro que não possa haver no país um debate aberto e informado sobre os acontecimentos do dia 25 de Novembro de 1975 e se essa é ou não uma data que vale a pena comemorar... 

É verdadeiramente perverso tentarem transformar o Mário Soares numa espécie de fascista, quando ele esteve directamente envolvido no momento que finalmente colocou Portugal de volta no rumo da Democracia e salvou o país da Guerra Civil. Em que tipo de realidade alternativa vivem estes extremistas de esquerda?! Um dos partidos fundadores da democracia neste país vive hoje envergonhado pela sua história e está disposto a reescrevê-la para vergar a espinha aos extremistas. Irónico, não é?


Ainda no outro dia, o general António Ramalho Eanes, coordenador da operação militar que libertou Portugal do risco de uma Guerra Civil / ditadura comunista, sente-se estupefacto pelo facto de não se assinalar tão importante data para a História de Portugal.

Pensamos que vivemos numa democracia. Queremos acreditar que sim, mas a democracia é bem mais tolerante com as opiniões e ações divergentes do que o regime em que vivemos hoje. Queremos acreditar que a democracia é um regime institucional sólido e indestrutível. Nada poderia estar mais longe da verdade. A democracia é tão frágil quanto as asas de uma borboleta. Basta ver o que aconteceu durante os anos da pandemia. Desde 2020, Portugal mergulhou no caos sanitário e financeiro e desapareceu qualquer equilíbrio entre a proteção da saúde pública e a preservação das liberdades individuais, sem que houvesse qualquer base científica. Os sucessivos estados de emergência foram muito duvidosos do ponto de vista constitucional. Toda e qualquer resistência: aos confinamentos, às máscaras às vacinas ao passaporte sanitário, à aplicação Stayaway Covid foram silenciados, ou pior, ridicularizados em praça pública pelo governo e pelos media. Na televisão e na rádio apenas uma opinião era válida. Todas as outras foram considerados 'chalupas', 'negacionistas' e 'terraplanistas'. A liberdade de expressão e o respeito pela diversidade de opiniões esfumou-se. Somente o conformismo social era permitido. A polícia aplicou coimas elevadas a quem foi apanhado a não cumprir as regras de confinamento (de distanciamento social e uso da máscara em espaços públicos). Os media foram transformados numa grande máquina de propaganda que, em vez dos dois minutos de ódio em Mil novecentos e oitenta e quatro, nos deu noticiários 24 horas por dia, 7 dias por semana, do medo. Muitos cidadãos viviam apavorados e não saíam de casa durante esses dias. O Estado destruiu a economia e os serviços públicos e invadiu a vida privada dos cidadãos como não se via há muitas décadas, sob o pretexto de 'fazemos isto para vosso bem'.

É verdadeiramente perverso que o partido responsável por garantir a democracia nos seus primeiros passos acabasse por ser o mesmo iria suprimir da liberdades, direitos e garantias que havíamos conquistado. Uma emergência sanitária é uma desculpa esfarrapada para atropelar tão violentamente uma  jovem democracia. A emergência sanitária foi, sem dúvida, uma situação extraordinária que exigia respostas rápidas e eficazes por parte do governo. No entanto, era imperioso que essas respostas fossem proporcionais, transparentes e respeitassem os princípios democráticos. 

Não houve visão mais sombria do que as imagens de cidade após cidade cheias de portugueses cantando 'Grândola' às janelas, trancados em casa, agitando os seus cravos vermelhos. A única coisa pior do que isto foi ver cidadãos comuns denunciando os seus vizinhos às autoridades porque alguém estava numa festa durante o confinamento.

A geração mais bem preparada de sempre aceitou tudo isto sem questionar (a dissidência foi mínima). Como foi isto possível? Não aprendemos nada após 48 anos de ditadura? Como poderíamos permitir que o Estado destituísse os nossos direitos fundamentais novamente?! 

A este respeito, seria útil perguntar como foi possível a ditadura de Salazar. Uma resposta relativamente simples: quando um país se afoga no caos político e na instabilidade financeira torna-se fácil para qualquer pessoa com conhecimentos de finanças resolver a situação. Quando um país tem as suas finanças sob controlo e a vida das pessoas melhora significativamente, elas olharão para o ministro das Finanças como o seu salvador e então foi-lhes fácil renunciarem às suas liberdades em favor da estabilidade e da prosperidade. Foi isso que aconteceu há mais de 90 anos.

Em 2020-2021, o caso foi bem diferente: o povo português renunciou a direitos, liberdades e garantias porque estava apavorado pelo vírus e foi o medo permitiu que o Estado assumisse o controlo de suas vidas. O povo preferiu a segurança à liberdade. Há uma lição amarga, mas necessária nestes acontecimentos, mas não podemos falar sobre isso...

Seria crucial enfrentar estas questões de frente e aprender com os erros do passado para garantir que os direitos e liberdades individuais sejam protegidos no futuro. O diálogo aberto e a reflexão crítica são fundamentais para fortalecer a democracia e evitar o retorno a regimes autoritários, mas no 25 de Abril de 2024, viram-se os rituais do costume. O dia da liberdade foi reduzido a um culto com símbolos, músicas e palavras de ordem (fascismo nunca mais). Pergunto-me se quem grita essas palavras tem consciência que Salazar não foi fascista… Pergunto-me se sabem quem foi Francisco Rolão Preto, pergunto-me se sabem o que Salazar lhe fez e a outros da sua laia… Para isso, teriam de aprender História. Há muita História não vem nos manuais escolares porque estes só contam uma pequena parte da realidade. É preciso fazer muita pesquisa para conhecer a história completa. Ninguém tem paciência para isso hoje em dia. Portugal está estagnado e condenado a um atraso. em relação a outros países e basta uma pequena faísca para que a história se repita.

Como disse o sábio Eça de Queiroz um dia: "Em Portugal a emigração não é, como em toda a parte, a transbordação de uma população que sobra; mas a fuga de uma população que sofre." Hoje, como no século passado, Portugal continua a sangrar capital humano porque o país não dá respostas nem condições aos seus cidadãos para prosperar. As palavras de Henrique Medina Carreira também me ecoam no cérebro quando ele disse: "No 25 de Abril havia gente, havia ideias, havia um país e havia uma esperança. Hoje não há gente, não há ideias, não há país e não há esperança."

Henrique Medina Carreira é um dos livres pensadores mais lúcidos e honestos do nosso tempo (vilipendiado como "velho do restelo") que nos avisou para os perigos que o país corria e ainda não falhou em nada do que disse. De modo que, quando vejo os festejos dos 50 anos do 25 de Abril, não consigo perceber a razão de tanta euforia...

Para mim, este dia, há 50 anos atrás, foi um momento de enorme coragem e determinação. É importante lembrar aqueles jovens que lutaram por esses ideais e honrar as suas acções, que provaram que, apesar de todas as adversidades, vale a pena lutar por uma vida melhor e pelo sonho da democracia.

Obrigado por tudo, rapazes!