24 de janeiro de 2014

What is Talent?

"We are very slow to recognise in the peculiar physiognomy of a new writer the model which is labelled “great talent” in our museum of general ideas. Simply because that physiognomy is new and strange, we can find in it no resemblance to what we are accustomed to call talent. We say rather originality, charm, delicacy, strength; and then one day we realise that it is precisely all this that adds up to talent."

–– Marcel Proust - In Search of Lost Time

19 de janeiro de 2014

Tinhas Saudades?























O veterano Ronnie O'Sullivan voltou a vencer o Masters pela quinta vez na sua carreira.

Desta vez, a final foi contra um adversário conhecido – Mark Selby. Para surpresa de todos os presentes, incluindo eu, Selby não teve a vida simplificada pelo seu companheiro de finais, que o venceu por 10-4.

Como é evidente, ninguém gosta de perder, especialmente alguém como Mark Selby, que já venceu esta prova três vezes e que, neste dia, se encontrava a defender o seu terceiro título. Da última vez que estes dois titãs se encontraram, Selby venceu por 10-9 em 2010.

O'Sullivan quase ganhou o torneio por 9-3, mas Selby ainda conseguiu vencer mais um jogo. Mas era tarde demais. O 'Rocket' estava a jogar na sua melhor forma e eliminou o seu adversário por 10-4.

Entre as jogadas mais impressionantes, está uma do sétimo frame em que Selby estava a vencer, mas que O'Sullivan empatou, obrigando a uma reposição da bola preta. O 'Rocket' acabou por ganhar também esse frame.

No final, Ronnie O'Sullivan só podia ficar feliz com o seu trabalho e com a sua conquista de mais um prémio. Foi muito bonito vê-lo a festejar com os dois filhos – um de cada lado.

Na entrevista que deu, o campeão confessou que tinha saudades do Snooker, embora não gostasse de lidar com o stress inerente à alta competição.

Espero que possamos vê-lo mais vezes. Talento deste não se pode desperdiçar!



Lucy vs. Beethoven
































Lucy está envolvida numa das suas eternas lutas – conseguir chamar a atenção de Schroeder. Como de costume, o menino está a praticar a música de seu compositor favorito: Ludwig Van Beethoven. É um dia típico na sua relação com Lucy – ou falta dela, melhor dizendo. No auge da sua frustração, Lucy destrói o busto de Beethoven para forçar o menino a prestar-lhe alguma atenção. Em vez de gritar com ela ou dirigir-lhe a palavra sequer, Schroeder simplesmente substitui o busto partido por outro e retoma a sua música. Nesta tira, o fim é o começo. É um ciclo vicioso entre Schroeder e Lucy. O seu medo de nunca se casar é, claro, o medo muito real de nunca ser amada por este menino que se recusa a reconhecer a sua presença. a tentativa fútil de Lucy de obter a atenção de Schroeder não conquista pontos aos os olhos do garoto. O seu ídolo virá sempre em primeiro lugar. Nesta matéria, Lucy assemelha-se ao grande compositor, na sua (eterna, mas sem esperança) tentativa de conquistar o coração do sexo oposto. Porém, ao contrário de Lucy, o amor de Beethoven não passou despercebido.

13 de janeiro de 2014

Viajar...


Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça
O sair de um lugar, o chegar a um lugar, conhecido ou desconhecido,
Perco, ao partir, ao chegar, e na linha móbil que os une,
A sensação de arrepio, o medo do novo, a náusea —
Aquela náusea que é o sentimento que sabe que o corpo tem a alma,
Trinta dias de viagem, três dias de viagem, três horas de viagem —
Sempre a opressão se infiltra no fundo do meu coração.





No dia triste o meu coração mais triste que o dia...
Obrigações morais e civis?
Complexidade de deveres, de consequências?
Não, nada...
O dia triste, a pouca vontade para tudo...
Nada...
Outros viajam (também viajei), outros estão ao sol
(Também estive ao sol, ou supus que estive),
Todos têm razão, ou vida, ou ignorância simétrica,
Vaidade, alegria e sociabilidade,
E emigram para voltar, ou para não voltar,
Em navios que os transportam simplesmente.
Não sentem o que há de morte em toda a partida,
De mistério em toda a chegada,
De horrível em todo o novo...
Não sentem: por isso são deputados e financeiros,
Dançam e são empregados no comércio,
Vão a todos os teatros e conhecem gente...
Não sentem: para que haveriam de sentir?
Gado vestido dos currais dos Deuses,
Deixá-lo passar engrinaldado para o sacrifício
Sob o sol, alacre, vivo, contente de sentir-se...
Deixai-o passar, mas ai, vou com ele sem grinalda
Para o mesmo destino!
Vou com ele sem o sol que sinto, sem a vida que tenho,
Vou com ele sem desconhecer...
No dia triste o meu coração mais triste que o dia...
No dia triste todos os dias...
No dia tão triste...

–– Álvaro de Campos



9 de janeiro de 2014

Brain Freeze

It is not an instinct. 

Complex language patterns differentiate us from all the other animals, so it would be easy to think that it is instinctive to put pen to paper... but this world is full of people who never write for any reason other than necessity. 

It is the strangest thing for me to think that only a small percentage of souls feel the need to use the written word as company and spiritual guide... 

Without words to guide me, I would surely get lost in this maddening maze of a world... 

It's all I can do... even when no word comes out of me... Oh, those are days of infernal anguish... I imagine it is as bad for me as for the driver whose car breaks down in the middle of an important competition... 

Yet, I (as well as the driver) cannot finish the competition on foot!

16 de dezembro de 2013

O Poder do Café

Café! 


Essa substância algo mágica, mergulhada em mitos e lendas sobre os seus benifícios e malefícios...

É difícil resistir ao aroma do café logo pela manhã, mas diz o povo que o café não é para todos!

Certos apreciadores de café fogem do seu consumo regular, porque são hipertensos ou sofrem de ansiedade e queixam-se que o café agrava esses sintomas. E depois, há a cafeína que tira o sono a muita gente.

O que a maioria das pessoas não sabe é que esses efeitos negativos do café são mais intensos em consumidores esporádicos da bebida e não para os consumidores regulares. O especialista europeu em hipertensão, Gorjão Clara, diz que "beber café para aumentar a tensão arterial só resulta se o consumo de café não for habitual". Quando o consumo se torna regular, o organismo cria habituação ao café e este perde os seus 'efeitos negativos' que lhe dão tão má fama.

Mas o café está na moda. Talvez, mais nos nossos dias do que em qualquer outra época. Cada vez mais frequentemente se ouve ou se lê que o café ajuda a prevenir doenças degenerativas como Parkinson, ou Alzheimer. Até na luta contra a diabetes tipo 2 o café ajuda.

Ao contrário do que algumas pessoas pensam, o café não tem quaisquer efeitos adversos para quem toma medicamentos, como diz Gorjão Clara: "o café não anula o seu efeito". Os problemas atribuídos ao café deveriam ser atribuídos aos cigarros que se fumam enquanto se bebe um cafezinho, ou aos pacotinhos de açúcar que enchem as chícaras de café. “Eu aconselhava as pessoas a beber café, mas sem açúcar”, diz Gorjão Clara.

Apesar de tudo, há pessoas que se afastam do café e com boa razão. Há as pessoas que são intolerantes à cafeína e as pessoas que sofrem de doenças gástricas, para quem o consumo de café pode agravar os seus sintomas.

Também é bom não nos esquecermos que a cafeína é uma substância que cria habituação – em nada diferente da nicotina, do álcool e de outras substâncias que actuam nos receptores do cérebro.

Um estudo da Faculdade de Medicina de Lisboa conclui que beber café regularmente reduz o risco do cancro do fígado, devido à quantidade de oxidantes presentes no café e pela sua acção anti-inflamatória. O estudo aconselha uma ingestão de três a quatro chávenas de café por dia para prevenir vários problemas de fígado.

Por outro lado (ou paradoxalmente), outro estudo publicado na Mayo Clinic Proceedings, sugere que quem beba mais de quatro cafés diários arrisca-se a uma morte prematura. O estudo é muito grande – com quase 50,000 participantes. Por ironia, este estudo, pelo seu tamanho, não é muito detalhado. Os investigadores só perguntavam às pessoas quantos cafés tomavam por dia e, como é sabido, cada chávena de café não tem sempre a mesma quantidade de cafeína...

Quanto à morte prematura... bem, os investigadores não encontraram qualquer relação entre o café e a morte directa, somente na relação entre uma faixa etária mais jovem e outra mais idosa. O café afecta diferentes pessoas de diferentes maneiras, mas os investigadores ainda não sabem bem porquê.

Apesar de ainda haver muitos mitos em torno do café, a ciência aproxima-se de respostas a todas as nossas perguntas sobre as suas propriedades terapêuticas. Sabe-se que o café é rico em substâncias denominadas metilxantinas: (a teofilina, a teobromina e a cafeína) que previnem as doenças neurológicas e melhoram a função pulmonar – o que explica porque Marcel Proust 'abusava' desta bebida. Ele sofria de asma. Segundo um estudo norueguês publicado pelo Journal of Headache and Pain, ingerir quatro chávenas de café por dia pode reduzir o risco de dores de cabeça crónicas. Um consumo moderado de café ajuda a criar elasticidade nas artérias cardíacas, evitando problemas no coração. as mulheres que consomem duas chávenas de café têm menos 25% de probabilidades de sofrerem um AVC. Investigadores da Universidade de Aveiro descobriram que as borras de café têm compostos que combatem o colesterol e vários tipos de cancro (da próstata, da mama, etc.).

O neurocientista Steven Miller, investigador da Universidade Militar de Ciências da Saúde (EUA) diz que há uma hora errada para beber café e indica a hora ideal para o fazer. Miller refere que devemos esperar pela descida dos níveis de cortisol. “A produção de cortisol está relacionada com o nível de alerta. E o pico dá-se, em média, às 8h00 ou 9h00 (...) Um dos princípios-chave da farmacologia é que o consumo de drogas só deve ocorrer quando é necessário. Caso contrário, desenvolve-se uma resistência”.

Ou seja, se quiser desfrutar dos benefícios do café, sem sofrer dos efeitos negativos, beba com moderação nunca menos de uma hora antes de acordar. 


13 de dezembro de 2013

Trechos do Desassossego (5)

Os Deuses, se são justos em sua injustiça, nos conservem os sonhos ainda quando sejam impossíveis, e nos dêem bons sonhos, ainda que sejam baixos. (...) Mudem-me os deuses os sonhos, mas não o dom de sonhar.

É nobre ser tímido, ilustre não saber agir, grande não ter jeito para viver.

(...) talvez a escada onde a humanidade sobe aos tombos, apalpando-se e atropelando-se na falsidade regrada do declive aquém do saguão. A intriga, a maledicência, a prosápia falada do que se não ousou fazer, o contentamento de cada pobre bicho vestido com a consciência inconsciente da própria alma, a sexualidade sem lavagem, as piadas como cócegas de macaco, a horrorosa ignorância da inimportância do que são... Tudo isto me produz a impressão de um animal monstruoso e reles, feito no involuntário dos sonhos, das côdeas húmidas dos desejos, dos restos trincados das sensações.

Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra. Vivemos, num lusco-fusco da consciência, nunca certos com o que somos ou com o que nos supomos ser. Nos melhores de nós vive a vaidade de qualquer coisa, e há um erro cujo ângulo não sabemos. Somos qualquer coisa que se passa no intervalo de um espectáculo; por vezes, por certas portas, entrevemos o que talvez não seja senão cenário. Todo o mundo é confuso, como vozes na noite.

Choro sobre as minhas páginas imperfeitas, mas os vindouros, se as lerem, sentirão mais com o meu choro do que sentiriam com a perfeição, se eu a conseguisse, que me privaria de chorar e portanto até de escrever. O perfeito não se manifesta.


Bernardo Soares – Livro do Desassossego



12 de dezembro de 2013

O Homem do Momento

O Papa Francisco foi eleito pela revista Time como "Homem do Ano". Em certa parte, concordo com esta escolha. Mas Jorge Mario Bergoglio é muito mais do que "Homem do Ano" num mesquinho concurso de popularidade de uma revista – ainda que conceituada. 

Mais do que "Homem do Ano", quere-se que Francisco seja o homem por quem todos os fiéis tanto esperaram – a luz da esperança e da integridade ao fundo do túnel de corrupção e ganância em que o nosso mundo está mergulhado.

Jorge Mario Bergoglio é o homem do momento, de todos os momentos que tem protagonizado desde que foi eleito Papa: desde o seu 'Motu Proprio' para criar leis mais rígidas para punir os sacerdotes pedófilos e para acabar com os crimes financeiros em instituições religiosas (colocando a sua vida em perigo, pois pode estar na mira do crime organizado que se infiltrou no Vaticano); do Encontro Internacional Homens pela Paz, com o tema “A coragem da esperança” em finais de Setembro; das suas saídas nocturnas pelas ruas de Roma para conversar e ajudar as pessoas, como nos contou arcebispo polaco Konrad Krajewski; das suas inflamadas acusações à economia mundial, somente interessada em idolatrar papel e a escravizar milhões de seres humanos à sua vontade; da campanha que lançou para combater "o escândalo" da fome que se assola sobre o mundo...

Digam os seus detractores o que disserem, a verdade é que não foi sempre assim. Nem João Paulo II, nem Bento XVI tiveram sequer a coragem de olharem o dragão nos olhos, quanto mais pensarem em destruí-lo. 

O Papa Francisco teve coragem e arregaçou as mangas, como se diz em bom português. Essa vontade e essa coragem não fazem dele o "Homem do Ano", mas sim um homem para todos os momentos. Esperemos que Deus lhe conceda muitos outros momentos para ele guiar o seu rebanho.


10 de dezembro de 2013

Cacau Amigo

Eis a notícia por que todos queríamos ouvir: – todos os gulosos, pelo menos – duas chávenas de cacau quente por dia ajudam o nosso cérebro a reter informação e melhoram a nossa memória.

O responsável por esta maravilhosa descoberta é um investigador de Universidade de Harvard, Farzaneh A. Sorond e a descoberta aconteceu como um 'acidente feliz' como se costuma chamar a descobertas (quase fortuitas): o investigador "procurava definir uma relação entre o fluxo sanguíneo e a capacidade para memorizar."

Farzaneh A. Sorond conduziu um estudo que foi publicado no Neurology. O estudo durou trinta dias e contou com a participação de 60 voluntários com cerca de 70 anos e sem sinais de demência. 

Durante o período do estudo, nenhum dos participantes teve qualquer acesso a chocolates para além das duas chávenas de cacau quente que ingeriram. 

Farzaneh A. Sorond diz numa entrevista: "à medida que as diferentes áreas do cérebro precisam de mais energia para completar as suas tarefas, elas também precisam de um maior fluxo de sangue". A esta relação entre fluxo sanguíneo cerebral e memória dá-se o nome de acoplamento neurovascular, que "pode desempenhar um papel importante na prevenção de doenças como a de Alzheimer".


O estudo mostra que 18 dos participantes apresentavam fluxos sanguíneos variáveis no cérebro no início e melhoraram no final. 


Contrariamente ao que poderíamos pensar, os participantes que tinham um fluxo sanguíneo normal não apresentaram quaisquer melhorias.


"Há uma forte correlação entre o acoplamento neurovascular e as funções cognitivas. Podem ambos ser melhorados através do consumo regular de cacau", conclui o responsável.

Não há nada que um amante de chocolate mais queira ouvir na vida do que isto... mas o estudo não é conclusivo, pois os cientistas não sabem qual a substância activa exacta presente no cacau que é benéfica. Serão os antioxidantes? A cafeína? Por enquanto, essa pergunta continua sem uma resposta concreta. E, no caso concreto do cacau, o problema é a gordura e o açúcar. Mesmo que o cacau seja benéfico, tem sempre certos riscos associados ao seu consumo.

Ainda não é hora de nos atirarmos a garrafas de litro e meio de cacau quente, embora ele continue a provoca-nos o mesmo regalo de antes (pelo menos, para mim).

Vai uma chaveninha para nos esquecermos do frio polar?

7 de dezembro de 2013

Drones na Amazon

Amazon drone



Segundo li no site do Jornal de Notícias, a Amazon vai revolucionar o seu sistema de entregas ao domicílio. Em entrevista ao programa de televisão "60 Minutos", Jeff Bezos anunciou que a Amazon passará a usar drones (aviões não tripulados) para entrega das encomendas de forma muito mais rápida e cómoda para o consumidor. 


O chefe da Amazon disse na entrevista: "São realmente drones, mas não há razão para que não possam ser usado como veículos de distribuição (...) Parece ficção científica, eu sei, mas não é. [Do ponto de vista ambiental, os drones são melhores do que] uma data de camiões a andarem para a frente e para trás".


Consigo imaginar um drone com uma encomenda 'agarrada', pousar à porta de minha casa com uma encomenda. Ai, modernices...


Dentro de cinco anos, esta visão poderá ser uma realidade. Nos Estados Unidos, claro. Isto, se as leis o permitirem.


Com a reputação que os drones têm por lá e no resto do mundo, duvido que um projecto destes "vá p´rá frente" tão cedo. 


O que é uma pena...


Um drone só devia servir para estas coisas e nada mais.


A tecnologia existe e está pronta a ser usada. Resta-nos ter fé na evolução da Humanidade.